Esse é um assunto que dá muita dor de cabeça para pais e mães. A alimentação infantil. Mas como fazer as crianças comerem de forma saudável? Com que a idade pode se dar doce, água ou suco? Quem vai responder essas perguntas é a nutricionista Materno Infantil e doutoranda em Saúde Coletiva, Bianca Farias. A profissional explica qual a idade correta e o momento ideal para se introduzir os alimentos para as crianças.
Segundo Bianca, muito se fala sobre a introdução alimentar e quando iniciá-la. E sim, existe a época certa de iniciar a introdução alimentar nos bebês.
Introdução alimentar é a administração de qualquer outro tipo de alimento que não seja amamentação ou a fórmula. “A introdução alimentar deve ser iniciada aos seis meses. Além do bebê ter essa idade, precisamos avaliar alguns sinais para sabermos se ele está realmente pronto para essa iniciação”, explica.
O bebê precisa primeiro sentar com pouco apoio para evitar qualquer tipo de engasgo ou de cansaço durante a refeição. “Ele precisa também ter interesse para colocar a comidinha na boca, de ter essa curiosidade. É por isso que a interessante os pais comerem na frente dos filhos. Fazemos o teste colocando uma colherzinha na boca para ver se ele aprendeu a deixar a linguinha dentro da boca, se ele abre a boca para recebe-la. Dessa forma saberemos se ele pode deglutir o alimento”.
Se o bebê não tiver nenhum desses sinais de prontidão, alerta a nutricionista, ele não está pronto não está pronto para iniciar a alimentação. “É preciso esperar todos os sinais. Alguns bebês vão iniciar com seis meses, outros após os seis meses justamente para esperar esses sinais de prontidão”.
Questionada sobre se a mãe introduzir a alimentação antes dos sinais de prontidão, quais os riscos que esse bebê correria, a profissional disse que primeiro são os engasgos, já que o bebê não tinha sinais de prontidão para ficar sentadinho e não sabe lidar com comida sólida. Há ainda os riscos de deficiências nutricionais, já que o bebê não tem maturidade intestinal suficiente e isso pode acarretar desnutrição. O bebê também pode se associar com obesidade, já que vai ultrapassar a capacidade gástrica dele com alimentos que ainda não estão na época certa de oferecer, além de alergias alimentares e, no futuro, seletividade e outros problemas na alimentação.
“Infelizmente ainda vemos muitos casos de profissionais indicando iniciar a introdução alimentar com cinco, quatro e até três meses, sem o bebê estar pronto. Temos ainda casos de diarreia, de bebês que que ficam com sequelas quando a alimentação acontece cedo. O mingau também está incluído também nessa questão. Água, suco, chá, mingau. Nenhum desses alimentos deve ser ingerido antes dos seis meses”.
Os alimentos indicados para iniciar a introdução alimentar são frutas, legumes, comida de adulto como feijão, arroz, carne, frango. “As pessoas sempre iniciam com sucos e ele não são indicados para iniciar a introdução alimentar”. Conforme a nutricionista, não tem nenhuma restrição, a diferença mesmo é que não vai ter sal. “E o suquinho só após um ano”.
O bebê que é amamentado exclusivamente não tem porque beber água porque o leite é totalmente completo e vai hidrata-lo. Assim como também o bebê que toma fórmula. Ela já vai ter a quantidade de água necessária. “Nenhum bebê que mama ou que toma fórmula precisa beber água até os seis meses. Após os seis meses, quando for iniciar a introdução alimentar, ele vai tomar água, que pode ser gelada ou fria”.
Em relação ao suco, ele não é indicado para menores de um ano porque não vai estimular a mastigação, não vai ajudar na autonomia de sabores diferentes, texturas diferentes, vai estar associado com diabetes no futuro, não vai ter fibras e não dá nenhum tipo de estímulo bom para o bebê. “Por isso esperamos somente para iniciar após um ano”.
Sobre a recusa de alimentos, a nutricionista disse que acontece de as mães acharem que do nada o bebê deve começar a comer após passar seis meses se alimentando apenas de leite ou fórmula. “Para esse bebê é tudo muito novo. São os alimentos sólidos, toda a mudança de rotina. O esperado é que ele não coma mesmo. Isso é o normal dele não comer. Por isso, até o nono mês, o principal alimento do bebê continua sendo o leite materno ou a fórmula. O que vai garantir peso, desenvolvimento e a barriguinha cheia vai ser a fórmula ou leite materno”.
A nutricionista explica que existem dois tipos de bebês: um bebê que come tudo desde seis meses e bebê que só vai comer perto de um ano. “A grande maioria dos meus pacientes só vão comer realmente perto de um ano porque isso é o esperado mesmo. A introdução alimentar é para explorar, para conhecer, não é para encher a barriga”.
Existem ainda dois tipos de métodos de introdução alimentar, ressalta a profissional. Aquele que é com a comidinha amassadinha, como era feito antigamente, mas feita separada, e aquele em que o bebê vai comer sozinho com ajuda. “Precisamos identificar qual o melhor método para o bebê, qual o melhor método para a criança, mas nunca forçar a alimentação. Quando forçamos, acaba sempre traumatizando a criança para a próxima refeição. Nela, a criança já vai ficar cansada, já não vai aproveitar”.
No caso do sal e açúcar, quando o bebê completa um ano, já começa a frequentar as festinhas de aniversário. Tem ainda muitas mães tem aquela dúvida em relação ao tempero e acaba colocando o sal. Perguntada sobre se é indicado introduzir o sal e o açúcar a partir dos seis meses, a profissional que até um ano a comida é sem sal. “Mas você pode usar qualquer tipo de tempero como alho, cebola, cheiro verde, azeite, orégano, manjericão. Qualquer tipo de tempero natural. Qualquer quantidade mínima de sal pode sobrecarregar o rim do bebê”.
Após um ano, o sal entra, mas não em uma quantidade exorbitante, vai ser uma coisa bem pontual. Já o açúcar não se oferece antes dos dois anos. “Porque até lá estaremos modulando o paladar do bebê. Acrescentar o açúcar muito cedo vai fazer com que o bebê aprenda a sempre gostar de comidas doces, pode ser colocado como seletividade no futuro, pode acarretar cáries, obesidade, uma má relação com a comida”
Completados dois anos, o consumo será iniciado, mas moderado. “Deixamos consumir mais para uma festinha de aniversário. E também levar em consideração alimentos que são muito industrializados e que são acrescentados na alimentação do bebê, tem uma quantidade muito grande de açúcar. Aqueles danoninhos de morango e outros não são indicados”, explica.
Com informações da repórter Engledy Braga
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