A retomada das atividades presenciais foi tema de mais uma reunião do Comitê Gestor da Covid da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), nesta quinta-feira (01), em cumprimento às pactuações de grupos da instituição que vêm se dedicando cientificamente e tecnicamente para garantir segurança aos professores, servidores técnicos, estudantes e comunidade.
Uma das iniciativas que têm sido exitosas é o uso da Geocovid para tomadas de decisões. Trata-se de uma plataforma desenvolvida conjuntamente por pesquisadores da Uefs, das Universidades Federal da Bahia (UFBA), do Estado da Bahia (Uneb), Estadual De Santa Cruz (Uesc), do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que faz monitoramento, avaliação e armazenamento de dados referentes à distribuição espacial da pandemia no país.
O reitor da Uefs, Evandro do Nascimento, ressaltou a importância das projeções de cenários epidemiológicos a partir da integração de dados da Geocovid com informações de autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, entre outras. Comentou sobre a necessidade de se fazer ponderações às dinâmicas da pandemia de Covid-19, como o surgimento da variante Ômicron, mas considerando o avanço da vacinação em todo o Brasil e na Bahia. Lembrou das pesquisas que estão sendo realizadas pela Uefs e têm contribuído amplamente para a produção de conhecimentos relacionados à pandemia - não apenas para a Uefs mas, também, às instituições de todo o país, como o estudo realizado com pessoas assintomáticas em circulação nas ruas de Feira de Santana que detectou variantes do novo Coronavírus.
A pesquisadora e professora do Departamento de Saúde (Desau), a doutora Erenildes Marques, coordenou esse estudo pioneiro da Uefs no Brasil. Também coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Vigilância da Saúde e membro do Comitê Gestor da Covid da Uefs, a pesquisadora foi enfática: "desde que o Comitê foi formado, vem trabalhando com dados que são de referência nacional e local". Sinalizou que os conhecimentos em relação ao novo Coronavírus e à pandemia estão sendo atualizados e que o Comitê age conforme estas mudanças. "Temos embasamento", reforçou a doutora Taíse Bonfim, sugerindo a manutenção e fortalecimento do diálogo entre docentes e servidores da Uefs com o Comitê, caso haja dúvidas sobre procedimentos a serem adotados com estudantes e comunidade para uso dos espaços da instituição.
Na sequência, os pesquisadores da Uefs, doutores Ângelo Loula e Washington Rocha, apresentaram dados atualizados da Geocovid quanto aos casos diários e acumulados ou taxa de evolução dos casos de cada estado e município, como também em comparativos entre municípios e entre estados. A plataforma é de acesso público e gratuito. Tem uma interface cujo objetivo é ser facilmente intuitiva - tanto para pesquisadores das áreas da Saúde e de outras áreas; ou a pessoas que não atuam cientificamente, mas se interessam em acompanhar o comportamento da pandemia em diferentes espaços ao longo de um tempo. Apresenta relatórios que estimam qualitativamente e quantitativamente até mesmo previsões de cenários otimistas ou pessimistas em relação aos casos mensurados, conforme o filtro de pesquisa adotado a cada consulta na Geocovid.
"Precisamos trabalhar com múltiplos cenários", propôs Ângelo Loula, recomendando aos gestores institucionais que tomem decisões a partir de informações embasadas nas observações reais que os dados apontam. Washington Rocha chamou atenção à ocorrência de desinformação, que pode comprometer a produção de conhecimentos sobre as dinâmicas da pandemia. Frisou sobre as responsabilidades de cada profissional e cidadão(ã) que produz ou dissemina fake news. Sugeriu ainda a continuidade de um "trabalho de comunicação muito forte", que tem sido feito pela Uefs, para se evitar a circulação de boatos que não correspondem aos resultados de pesquisas nas tomadas de decisões na universidade. E de manutenção da "comunicação científica", acrescentou a Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação (PPPG) da Uefs, Silvone Santa Bárbara.
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