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Política Denúncias

Presidente do PT de Irará denuncia supostas irregularidades na gestão municipal e cobra mais transparência nos gastos públicos

Nilo Dantas afirma que denúncias já foram encaminhadas ao Tribunal de Contas dos Municípios e aponta possíveis inconsistências em contratos de manutenção de veículos da Prefeitura.

02/06/2026 14h57 Atualizada há 24 minutos atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Nilo Dantas - Foto: Boca de Forno News
Nilo Dantas - Foto: Boca de Forno News

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Irará, Nilo Dantas, fez uma série de denúncias contra a administração do prefeito Nassara durante entrevista concedida ao programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News, no último domingo (31). Entre os principais pontos levantados estão supostas falhas na transparência da gestão municipal, possíveis irregularidades em contratos de manutenção da frota e o que classificou como um descompasso entre o aumento da arrecadação do município e os serviços oferecidos à população.

Segundo Nilo, a Prefeitura de Irará tem deixado de divulgar, em tempo adequado, contratos, contratações e ações governamentais no Diário Oficial do Município, dificultando o acompanhamento da aplicação dos recursos públicos pela população. “O Diário Oficial é o principal instrumento de transparência da administração pública. Muitas ações que acontecem no município não estão sendo publicadas, e isso prejudica o controle social e o acompanhamento das despesas públicas”, afirmou.

O dirigente petista informou que o partido já protocolou representações junto aos órgãos de controle e que novas denúncias poderão ser encaminhadas caso as situações apontadas não sejam corrigidas.

Durante a entrevista, Nilo detalhou uma denúncia apresentada ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), que, segundo ele, já foi acolhida para análise preliminar e resultou na notificação do prefeito para apresentação de defesa.

A denúncia envolve contratos de manutenção da frota municipal firmados com duas empresas que, segundo o presidente do PT, apresentariam indícios de ligação familiar entre seus proprietários.

De acordo com ele, a análise das contas de 2025 revelou possíveis inconsistências em pagamentos realizados principalmente com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), além de verbas da saúde, assistência social e Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Entre os indícios apontados está o suposto superfaturamento de serviços mecânicos. Nilo relatou que, entre janeiro e maio de 2025, os gastos médios mensais registrados eram de aproximadamente R$ 20 mil em peças e entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil em mão de obra. Entretanto, segundo ele, entre junho e agosto houve uma mudança significativa nesse padrão. “Notas de serviço que giravam em torno de dois mil reais passaram para cerca de R$ 25 mil por ônibus, sem que houvesse a correspondente aquisição de peças”, declarou.

Segundo o dirigente, foram identificadas 19 notas fiscais que somariam aproximadamente R$ 400 mil apenas em serviços de manutenção.

Ele também citou registros que indicariam cobranças de até 214 horas de trabalho em um único veículo e casos de alinhamento de direção com lançamento de até 49 horas de serviço.

Outro ponto destacado por Nilo envolve a substituição frequente de componentes mecânicos em ônibus escolares. De acordo com ele, documentos analisados mostram registros de troca de peças como kit de embreagem, baterias e bombas d’água em intervalos considerados incompatíveis com a vida útil normal desses equipamentos.

Também foram apontadas compras de peças relacionadas a sistemas de ar-condicionado para veículos que, segundo a denúncia, não possuíam esse equipamento. “Existem notas de compressores, condensadores e tubulações de ar-condicionado vinculadas a ônibus escolares que não possuem ar-condicionado”, afirmou.

O ponto considerado mais grave pelo presidente do PT refere-se à divergência entre as placas registradas em notas fiscais e os veículos descritos nos documentos. Segundo Nilo Dantas, pelo menos 13 notas fiscais, que juntas somariam cerca de R$ 200 mil, apresentam placas que não correspondem aos ônibus escolares indicados nas descrições.

Entre os veículos identificados nas consultas realizadas pelo partido estariam motocicletas Honda CG 150 e CG 160, uma Yamaha XTZ 150, um Jeep Compass, um Ford EcoSport e até mesmo um reboque. “As notas descrevem manutenção de ônibus escolares, mas as placas pertencem a motos, carros de passeio e até um reboque. Algumas dessas placas aparecem repetidas vezes em diferentes notas fiscais”, declarou.

Para o dirigente, a recorrência dos casos afasta a possibilidade de erros pontuais de digitação e justifica a investigação pelos órgãos de controle.

Durante a entrevista, Nilo também questionou a aplicação dos recursos públicos no município. Segundo ele, a arrecadação mensal de Irará varia entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, registrando crescimento significativo nos últimos anos. Apesar disso, afirmou que a população continua enfrentando dificuldades em áreas essenciais.

Entre os problemas citados estão a falta de medicamentos em unidades de saúde, dificuldades para atendimento de crianças atípicas, demora para consultas com neuropediatras, reclamações sobre o atendimento no Hospital Municipal e insatisfação de professores e agentes comunitários de saúde em relação às condições de trabalho.

O presidente do PT também afirmou que, até o momento da entrevista, servidores municipais ainda aguardavam a implementação dos reajustes salariais referentes a 2026.

Nilo criticou ainda o aumento das terceirizações na administração municipal, citando serviços como coleta de lixo, saúde e locação de veículos.

Segundo ele, o modelo tem elevado os custos da máquina pública, uma vez que, além do pagamento dos trabalhadores, o município também remunera as empresas contratadas. “Cada terceirização gera um custo adicional e reduz a capacidade de investimento em outras áreas importantes para a população”, argumentou.

As acusações apresentadas por Nilo Dantas estão sob análise dos órgãos competentes, e caberá às investigações conduzidas pelo Tribunal de Contas dos Municípios e demais instituições responsáveis verificar a procedência ou não das irregularidades apontadas.

O Boca de Forno News entrou em contato com o prefeito Nássara Menezes de Santana (MDB), conhecido como Nássara de Chico, que disse ter tomado conhecimento da denúncia inicialmente por meio das redes sociais e, posteriormente, após notificação encaminhada pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Segundo ele, já foi solicitado acesso ao inteiro teor do processo para que possa analisar o conteúdo da denúncia de forma detalhada. “Só poderei responder às acusações após ter acesso ao processo e conhecer integralmente a denúncia. Até o momento, tenho apenas informações sobre o objeto da representação e conteúdos divulgados nas redes sociais”, afirmou.

O prefeito acrescentou que, assim que obtiver acesso aos documentos oficiais, pretende se manifestar de forma mais completa sobre o caso. “Assim que tivermos acesso ao processo, passarei um posicionamento mais detalhado”, concluiu.

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