Dados relativos ao Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, divulgados na edição desta quarta-feira (18), apontam a Bahia como líder do ranking de inadimplência na região Nordeste, com mais de 300 mil empresas endividadas em julho deste ano. Diante deste cenário, o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas-BA), Paulo Mota, destacou que a ausência de apoio do poder público, tanto da esfera municipal quanto estadual, agrava ainda mais a situação.
"A falta de ações efetivas gera impactos não apenas no comércio, mas também na geração de empregos e na segurança jurídica para os consumidores que frequentam as áreas comerciais de Salvador", afirmou Mota, apontando que a presença do Estado é essencial para reverter esse quadro. Mota também criticou a falta de iniciativas para desonerar os comerciantes dos impostos municipais, como IPTU, ISS e TLF.
Segundo ele, muitos contribuintes, incluindo microempresas e pessoas físicas, enfrentam processos de execução fiscal e inadimplência que tramitam na justiça comum, sem que as autoridades busquem soluções para aliviar o setor. "Mesmo em um ano eleitoral, não houve nenhuma manifestação para desonerar os contribuintes. Isso demonstra um descaso com a atividade produtiva", disse.
Além das questões fiscais, o presidente do Sindilojas-BA ressaltou ainda a competitividade desleal do comércio eletrônico, que tem intensificado as dificuldades dos lojistas locais. Segundo Mota, a concorrência do e-commerce, somada à falta de apoio governamental, tem impedido uma recuperação mais consistente da economia no estado.
O setor, que já enfrenta desafios estruturais e econômicos, agora se vê pressionado por um "cipoal de políticas públicas que, em vez de incentivar a economia, a penalizam", como define o presidente do Sindilojas-BA. Segundo ele, em meio a esse cenário, o comércio baiano aguarda por medidas que possam reverter esse quadro de endividamento e estagnação.
A reportagem entrou em contato com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL) e com a Associação Comercial da Bahia (ACB), mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Análise da Fecomércio traz contraponto
Por outro lado, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia não vê grandes preocupações com os dados de inadimplência das empresas na Bahia, divulgados recentemente pelo Serasa Experian. Segundo a entidade, por mais que se destaque o volume de empresas do Estado com a dívida em atraso, 318,5 mil, e seguindo a Bahia numa liderança em números absolutos, numa análise proporcional a coloca numa situação mais adequada, na quinta posição no Nordeste.
“Além disso, o importante não é saber somente o volume e sua participação no total das empresas, mas a tendência ao longo dos meses. E a Entidade captou os dados da Bahia direto da fonte do Serasa e é nítido o ritmo no número de
empresas inadimplentes em queda numa comparação anual e, por mais que tenha subido a inadimplência de forma pouco expressiva entre fevereiro e abril, o percentual de empresas com atraso em relação ao total se manteve numa trajetória negativa”, explica o consultor econômico da Fecomércio BA, Guilherme Dietze.
E, ainda segundo a Fecomércio, não há exclusividade da Bahia nesse processo, pois segue uma tendência nacional derivada de um cenário de redução da taxa de juros e expansão na atividade econômica, contribuindo para o aumento de receita e, por consequência, uma possibilidade maior de pagamento dos atrasos. A entidade adiciona dados de outra fonte, do Banco Central, que também aponta redução da inadimplência das empresas no país, de 1,6% para 1,3% do saldo de crédito entre os meses de julho de 2023 e 2024.
“Portanto, é essencial realizar a análise do filme e não somente da fotografia. E no filme, o quadro das empresas baianas é positivo, acompanhando o que a Fecomércio BA tem divulgado de dados positivos, como recorde de vendas no comércio, de inflação mais baixa e a economia seguindo favoravelmente na região”, contextualiza Dietze.
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