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Polícia Assassinato

Mãe do jovem Marcelo Rocha pede justiça pelo seu filho

Jovem foi morto por policiais em abril, na Avenida Presidente Dutra. Caso completa quatro meses hoje sem nenhuma resolução das autoridades

01/08/2022 11h24
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Marcelo. Foto: Redes Sociais
Marcelo. Foto: Redes Sociais

No dia 1º de abril deste ano, Marcelo Felipe Guerra dos Santos Rocha, de 18 anos, foi morto durante uma ação policial na Avenida Maria Quitéria em Feira de Santana. Os policiais envolvidos na ação disseram que Marcelinho, como é chamado pela sua família, afirmaram que ele estava armado e que resistiu a prisão, o que a família nega.

"Esse famoso ato de resistência inexistível porque meu filho não foi nem abordado, na verdade. E as investigações seguem numa lentidão terrível. Os policiais foram bem rápidos para matar, mas a lentidão vai chegar ao ponto em que segue nos matando aos poucos porque já vai completar quatro meses e até hoje não tivemos nenhum posicionamento das autoridades", afirma a mãe do rapaz, Daniela.

Ela diz ainda que após a primeira manifestação que houve no dia 23 de maio, o delegado enviou o inquérito ao Ministério Público. "Ele estava inconcluso por isso foi devolvido para a delegacia e até no último dia 25 de julho, que foi a última vez que eu estive com a promotoria no Ministério Público, fui informada de que o inquérito ainda não tinha chegado no órgão. Portanto, a nova promotora, que já é uma terceira promotora que está no caso, não tinha tido ainda acesso a esse, nem tão pouco as imagens que é tão importante e que se comprova que de fato não houve troca de tiros", diz.

Daniela afirmou ainda que tem essas imagens e a família está aguardando o posicionamento do Ministério Público depois que eles receberem o inquérito de volta da delegacia para divulgar essas imagens. "Porque essas imagens mostram que de fato não houve troca de tiros. Os policiais disseram na primeira ocorrência que a troca de tiros aconteceu quando eles tentavam abordar o condutor na Avenida Presidente Dutra. Que o condutor desce atirando contra a guarnição. E na câmera mostra exatamente o contrário. Meu filho liga a seta, estaciona o carro perfeitamente. Quando você liga a seta, já está informando que vai parar, estacionar Quando ele acaba de estacionar, é alvejado nas costas e quando abre a porta meu já está morto. Em momento nenhum tem arma, nem próximo a mão para ele dizer que ele desceu atirando contra a guarnição. Se fosse assim, era para a arma está na mão do menino. Mas meu filho nunca teve arma, nem de brinquedo".

Para Daniela, esse é um discurso cansado da polícia e é feio. "Além de matar covardemente, ainda sujar a imagem de um menino tão íntegro e que preservou tanto seu nome vida".

Logo após a tragédia, Daniela disse que eu procurou o Ministério Público e pelo projeto Vítima Acolhida. Ela diz que contou tudo para a primeira promotora que lhe atendeu e ela disse que tinha o prazo para o inquérito. "Ela pediu que eu aguardasse e de fato aguardei esse prazo. Quando eu retornei lá não tinham enviado ainda, não tinha concluído ainda. Quando enviaram, mandaram incompleto de novo e até  o último dia que eu na promotoria, na da semana passada, não tinha posicionamento algum".

Daniela pediu encarecidamente para as autoridades para que outros "Marcelinhos" não sejam mortos como seu filho foi e outras mães não sofram a dor que eu estou sentindo. Eu sei que o maior prejuízo já aconteceu e é inevitável que foi a morte. Não tem como trazer a vida do meu filho de volta. Mas chega da polícia estar derramando sangue inocente. De cometerem crimes em nome da lei. Meu filho não teve o direito nem de ser abordado. Ele foi logo executado".

Ela lamenta que a partida do seu filho tenho acontecido de forma tão precoce e tenha vindo de uma forma desastrosa e despreparada da Polícia. "Ele foi morto por quem deveria protege-lo. Hoje em dia o nível de periculosidade que eu tenho de um bandido infelizmente é igual ao que eu tenho de uma policial. Eu tenho pavor quando eu vejo a polícia. Não generalizando, não todos, mas eu não sei quem é quem. Então é esse essa forma pela qual eu me refiro de fato. Porque não foi um bandido que tirou vida de um inocente como meu filho. Foi um policial do Pelotão Asa Branca".

Ela pediu ainda a colocação de câmeras nas fardas dos policiais para que, talvez, eles não mintam. "Talvez se esses policiais estivessem com câmeras, essa mentira que eles levantaram contra meu filho, eles não poderiam falar. Aliás, nem iam ter consumado a morte dele porque teria uma câmera ali mostrando tudo".

A mãe do, que Marcelo só tinha o seu material de trabalho em mãos, o que prova que ele era um jovem empreendedor. "Ele era um menino que tinha sonho, um menino que tinha planos e que foram todos assassinados pela polícia. Além da dolorosa execução, ainda sujar a imagem do meu filho. É muito revoltante, é muita injustiça e o descaso das autoridades".

Ela conta que o celular de Marcelo ficou 30 dias na delegacia para ser periciado, o pai dele deu a senha de acesso e depois desse tempo eles emitiram um documento dizendo que não tiveram acesso ao celular pela falta da senha. "Sendo que uma namoradinha dele mandou para mim que tinha alguém utilizando o celular dele e eu avisei que era porque estava com a polícia.  O pai dele viu, eu vi, minha irmã viu, clientes dele viu que o celular estava on-line. Temos print do momento que o celular estava e eles disseram na cara dura e não tiveram acesso. É querer fazer a gente de palhaço".

"Não foi fácil ter que dobrar o meu joelho no local onde o sangue do meu filho que foi derramado. Mas foi necessário. Porque o filho ficou mais de duas horas esperando essa blitz acabar e no momento em que ele aguardava ele estava tendo contato comigo, com a vó dele, com o pai, com clientes e com amigos. Se meu filho apresentasse em algum momento o nervosismo ou pânico.eu teria ido lá. Mas a gente estava conversando muito tranquilamente e ele me disse que ia esperar a blitz acabar dizendo que ia demorar para chegar em casa", desabafa.

Ela conclui dizendo que a sociedade não aguenta mais ações como essa. "Sangue inocente. Meu filho não teve nem direito de defesa. Pelo amor de Deus, policiais. Vocês se formaram para matar inocentes. Pelo amor de Deus! Vocês tem filhos, tem sobrinhos, tem entes queridos. O intuito de vocês é proteger, não é matar. Como é que tem coragem de fazer uma coisa dessa? Além de matar o menino, ainda sujar a imagem que ele tanto preservou. Isso dói demais. Não tem mais como ter a vida do meu filho de volta. Todos os dias a choro por causa dessa injustiça. Não tem um dia que eu não peça a Deus justiça por Marcelinho. Parem de matar inocentes. Eu acredito também que eles fizeram isso comigo porque meu filho é negro. Por que que fosse o branco, eles não iriam fazer daquela forma", finalizou.

 

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