Profissionais da comunicação, amigos e familiares se despediram, nesta quinta-feira (8), do comunicador Itajay Pedra Branca, um dos maiores nomes do rádio baiano. O velório e o sepultamento ocorreram no Cemitério Jardim Celestial, em Feira de Santana, reunindo colegas que dividiram com ele décadas de trabalho e histórias no rádio.

Itajaí Júnior, filho do radialista falou que seu pai vinha mantendo sua rotina profissional normalmente até poucos dias antes da internação. Ele havia sido homenageado na Câmara Municipal de Feira de Santana, em 10 de novembro, durante uma sessão em reconhecimento aos radialistas da cidade. Segundo familiares e colegas, até aquele momento o comunicador apresentava bom estado de saúde e seguia ativo no rádio.
De acordo com a família, Itajay praticamente não tirava férias e mantinha uma disciplina rigorosa. Chegava à emissora ainda de madrugada, hábito que conservou mesmo após receber orientação médica para reduzir o ritmo. Pouco antes de ser internado, chegou a ir à rádio no horário do seu programa, mas foi aconselhado a retornar para casa para descansar.
Ele acabou sendo internado no dia 19 de novembro, inicialmente com diagnóstico de pneumonia. O quadro evoluiu com complicações, incluindo infecção generalizada (sepse), problemas respiratórios graves e falência progressiva dos órgãos. Itajaí permaneceu 47 dias internado, sendo 18 dias na UTI, onde precisou ser entubado. O comunicador faleceu no dia 7 de janeiro, aos 80 anos, completados durante o período de internação.

Colegas de profissão destacaram a dedicação extrema de Itajay ao rádio e seu legado histórico. Berinaldo Casumbá, âncora da Rádio Povo, lembrou que ele era sempre o primeiro a chegar à emissora. “Mesmo com a idade, não deixava transparecer qualquer problema. Era fora de série”, afirmou.

Dilson Barbosa, parceiro de grandes jornadas esportivas, classificou Itajaí como um dos maiores comunicadores da história de Feira de Santana. “Ele levou o nome da cidade ao Brasil e ao mundo. Transmitiu eventos em quase todos os continentes. A Feira de Santana ainda não dimensiona o tamanho de Itajay Pedra Branca”, disse.

Walter Vieira, outro companheiro de longas coberturas esportivas, ressaltou a influência direta de Itajay em sua carreira. “Estou no rádio graças a ele. Fizemos campeonatos estaduais, nacionais e Copas do Mundo juntos. Ele deixa uma lacuna enorme no rádio baiano e brasileiro”, declarou.
Com mais de 60 anos de atuação na Rádio Povo e uma trajetória marcada por coberturas históricas, Itajay Pedra Branca deixa um legado reconhecido por gerações de profissionais e ouvintes. Sua voz, sua irreverência e seu amor pelo rádio permanecem como referência na comunicação da Bahia.
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