O bloco que hoje ocupa a oposição na Bahia já foi, durante muito tempo, o grupo que governava o estado de maneira hegemônica, colecionando vitórias consecutivas nas urnas até o início dos anos 2000. O ano de 2006, no entanto, marca uma mudança significativa no cenário político local.
O site traçou um histórico das últimas eleições, em paralelo aos possíveis motivos que colaboraram no processo.
O grupo que hoje ocupa a oposição construiu seus pilares a partir do chamado 'carlismo', liderado por Antônio Carlos Magalhães (m.2007). O político governou a Bahia por três vezes; a primeira delas entre 1971 e 1975.
ACM, como era conhecido, elegeu sucessores (com exceção de Roberto Santos), mas perdeu o poder momentaneamente entre 1987 e 1990, ano em que chegou ao poder pela terceira vez, mas agora por eleições diretas.
Novamente no governo, Antônio Carlos Magalhães conseguiu consolidar mais uma vez o seu grupo no poder, de maneira hegemônica pelo voto popular. A safra trouxe nomes como Otto Alencar, Cesar Borges e Paulo Souto, além do seu filho, o deputado Luís Eduardo Magalhães.

O grupo, ainda no poder, expandiu sua influência para além do estado. Antônio Carlos Magalhães, que saía do governo para concorrer ao Senado, construiu uma aliança entre o Partido da Frente Liberal (PFL) e o PSDB, indicando o ex-governador de Pernambuco, Marco Maciel, para a vaga de vice de Fernando Henrique Cardoso na eleição presidencial.
A dobradinha triunfou a nível nacional, com a vitória de Fernando Henrique para o Planalto, junto com as eleições de ACM e Waldeck Ornelas (PFL) para o Senado, e Paulo Souto (PFL) para governador.
No ano seguinte, o segundo passo foi dado, com as eleições de ACM e Luís Eduardo Magalhães (PFL), seu filho, para as presidências do Senado e Câmara dos Deputados.
A força adquirida por Luís Eduardo, conhecido por seu perfil conciliador, lhe alçou ao posto de sucessor natural como líder do grupo na Bahia. O próximo passo dado seria a sua vitória para o governo do estado, em uma candidatura que sairia do papel em 1998.
Pré-candidato ao governo da Bahia em 1998, Luís Eduardo tinha um caminho traçado pela frente. Aliados falavam, na época e anos depois, que após o governo, se nada mudasse, seu caminho seria a presidência da República, em uma candidatura de sucessão de Fernando Henrique.
Luís Eduardo, no entanto, morreu aos 43 anos, em 21 de abril de 1998. Cesar Borges, vice de Paulo Souto que acabara de assumir o posto de governador, acabou sendo o escolhido para concorrer à 'reeleição' por aclamação do grupo.
Catapultado pela comoção e força do grupo, Cesar Borges venceu com votação recorde até então, com 69,91% dos votos (2.418.620), sendo o mais votado em 414 municípios baianos.
Mesmo assim, a ausência de Luís Eduardo na liderança do bloco, como planejado, apontou o início do fim de uma era no estado. Em conversa com o site, o analista político João Vilas Boas explicou como a morte do então deputado acelerou a derrocada do grupo.

"A morte de Luís Eduardo em 1998 representou a perda de uma liderança capaz de dialogar e equilibrar o grupo, algo que ACM não exercia da mesma forma", explicou.
O grupo ainda venceria a eleição seguinte, em 2002, com o retorno de Paulo Souto (PFL) ao governo e as eleições de Cesar Borges (PFL) e ACM (PFL) para o Senado. Em 2006, no entanto, Souto sofreu um revés ao tentar a reeleição, sendo derrotado por Jaques Wagner (PT).
A eleição de Wagner, visto até então como um resultado improvável, também inicia a consolidação da Bahia como principal reduto político petista no país, vencendo todas as eleições estaduais seguintes, impulsionada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nos anos seguintes, com o processo de expansão de programas sociais e de estruturação do estado, o grupo que antes governava o estado, ainda sob efeito da derrota de 2006, perdeu espaço, sofrendo também com a redução de bancada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
"A perda de hegemonia da oposição na Bahia não se explica por um fator isolado, mas por uma mudança estrutural na política estadual, muito conectada ao cenário nacional. A partir de 2006, com a reeleição do presidente Lula, houve uma reorganização do comportamento eleitoral, especialmente no Nordeste. Programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Água para Todos criaram um vínculo direto entre o Estado e a população de baixa renda, sobretudo no interior, consolidando uma base eleitoral que a oposição tem dificuldade de alcançar", pontuou o cientista político.

"Nesse contexto, o grupo que chega ao governo com Jaques Wagner se ancora nesse capital político e estabelece uma continuidade entre os governos federal e estadual. Isso fortalece a percepção de projeto e dificulta a competitividade da oposição, principalmente fora dos grandes centros", completou.
A partir de 2010, na condição de oposição, o bloco acumulou derrotas na disputa pelo governo, além da redução na bancada de oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
A nível de comparação, o grupo fez 42 cadeiras entre os 63 deputados estaduais da Bahia. Na eleição seguinte, já na condição de oposição, o mesmo bloco caiu para 31 deputados eleitos.
O número caiu novamente em 2014 (28) e 2018 (19). Em 2022, quando o grupo teve como candidato a governador o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), o bloco elegeu 30 deputados estaduais. O número, no entanto, caiu novamente para 19 cadeiras.
Na contramão da queda do grupo de oposição, o bloco liderado pelo PT fincou raízes no estado, vencendo as eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.
O cientista político citou o contraste apresentado na Bahia em 2018, quando o fenômeno do bolsonarismo, que fez de Jair Bolsonaro (PSL) presidente da República, não alterou o tabuleiro baiano.
Na ocasião, Rui Costa (PT) foi reeleito com a maior vitória da história do estado, com recorde de votos (5.096.062 votos).
"Mesmo em 2018, com a vitória de Bolsonaro na esfera nacional, Rui Costa foi reeleito com ampla maioria e o presidente Lula (Fernando Haddad) venceu na Bahia, ratificando a força dessa construção no estado", pontuou.
As eleições de 2026 devem repetir o embate do pleito de 2022, com Jerônimo Rodrigues (PT), agora candidato à reeleição, e ACM Neto (União Brasil). O primeiro turno acontece no dia 4 de outubro.
Um eventual segundo, caso nenhum dos candidatos tenha 50%+1, acontecerá no dia 25 do mesmo mês.
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