O consumo de álcool entre adolescentes na Bahia apresenta sinais de recuo, mas permanece em um patamar elevado que ainda preocupa especialistas e autoridades de saúde. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelam que mais da metade dos estudantes de 13 a 17 anos no estado já experimentou bebida alcoólica ao menos uma vez na vida, evidenciando que o acesso precoce à substância continua sendo uma realidade disseminada.
De acordo com o levantamento, 51,6% dos adolescentes baianos relataram já ter consumido álcool em algum momento, um índice que, embora represente queda em relação aos 60,6% registrados em 2019, ainda expõe a dimensão do problema. O próprio IBGE destaca que “pouco mais da metade dos escolares da Bahia já tinham experimentado bebida alcoólica alguma vez na vida”, indicando que a redução observada ao longo dos últimos cinco anos não foi suficiente para alterar de forma significativa o comportamento dessa parcela da população.
No cenário nacional, a tendência de queda também se confirma, mas com números ainda superiores aos da Bahia. Em todo o país, a proporção de adolescentes que já experimentaram bebidas alcoólicas recuou de 63,3% para 53,6% no mesmo período, o que mantém o consumo como uma prática amplamente difundida entre jovens brasileiros.
Mesmo abaixo da média nacional, a Bahia ocupa apenas a 15ª posição entre os estados, demonstrando que o fenômeno está longe de ser residual. Em algumas unidades da federação, especialmente na região Sul, os índices permanecem ainda mais elevados, como em Rio Grande do Sul, onde 65,9% dos adolescentes já tiveram contato com álcool, seguido por Santa Catarina, com 62,8%, e Paraná, com 57,7%. Na outra extremidade, estados como Amapá, Piauí e Maranhão registram os menores percentuais, ainda assim acima de 40%, o que reforça o caráter nacional do problema.
Em Salvador, o comportamento dos adolescentes segue a mesma tendência de redução, mas com níveis mais elevados do que a média estadual. Em 2024, 57,8% dos estudantes da capital já haviam experimentado bebida alcoólica, frente aos 68,2% registrados em 2019. Apesar da queda expressiva, o dado posiciona a cidade entre as capitais com maior prevalência, ocupando a quarta colocação no ranking nacional, atrás apenas de Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte.
A análise por perfil revela desigualdades importantes. As adolescentes do sexo feminino continuam sendo as que mais relatam consumo de álcool, tanto no estado quanto na capital. Na Bahia, 55,3% das meninas afirmaram já ter experimentado bebida alcoólica, contra 47,6% dos meninos. Em Salvador, a diferença é ainda mais acentuada, com 62,9% entre as jovens e 52,8% entre os rapazes, o que indica uma mudança no padrão histórico de consumo e levanta alertas sobre vulnerabilidades específicas desse grupo.
Outro ponto que chama atenção é a precocidade do primeiro contato com o álcool. Embora tenha havido uma leve redução, ainda é significativo o número de adolescentes que iniciam o consumo antes dos 13 anos de idade. Na Bahia, essa proporção passou de 32,6% para 28,2% entre 2019 e 2024, mostrando que, mesmo com avanços, o início precoce segue sendo um desafio persistente.
Para a psicóloga e especialista em comportamento adolescente Mariana Torres, a queda observada nos indicadores deve ser analisada com cautela e dentro de um contexto mais amplo. “A redução é importante, mas não significa que o problema esteja sendo resolvido. Quando mais da metade dos adolescentes já teve contato com álcool, estamos falando de um comportamento normalizado socialmente”, afirma. Segundo ela, a cultura brasileira ainda trata o consumo de bebida como algo banal, inclusive dentro do ambiente familiar, o que contribui para a iniciação precoce.
Na mesma linha, ela destaca que o impacto do álcool na adolescência vai além do consumo em si e pode comprometer o desenvolvimento neurológico e emocional. “O cérebro ainda está em formação, e o uso precoce de álcool pode afetar a memória, tomada de decisão e controle emocional. Além disso, há uma forte associação com outros comportamentos de risco, como exposição à violência e sofrimento psíquico”, explica.
Investigação MPF investiga possível desvio de verba do Fundeb em cidade baiana
Posição Bahia é o 3° estado do Brasil com maior índice de ausência paterna, segundo Arpen
Bahia Programa de incentivo ao esporte e à cultura, Sala da Mulher e pacote de obras marcam ações da Prefeitura de Candeal, destaca prefeito Júnior Batata
Tratamentos Além do Vício: Sem amparo no SUS, avanço de comunidades terapêuticas na Bahia acende alerta de violações
Bahia Ministério Público dá 30 dias para Prefeitura de Santa Bárbara apresentar medidas sobre lei municipal questionada
Eleições 2026 Sinjorba cobra respeito à liberdade de imprensa durante as eleições 
Mín. 18° Máx. 28°
Mín. 18° Máx. 25°
ChuvaMín. 18° Máx. 29°
Chuvas esparsas


