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Bahia Dinâmica diferente

Interiorização da economia: conheça as cidades-polo que movem a Bahia em 2026

Descentralização de investimentos mira na diversidade do Estado e cria oportunidades no interior.

26/03/2026 08h07
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
Cidade de Camaçari vista por cima - Foto: Rafael Kuster/ Divulgacao
Cidade de Camaçari vista por cima - Foto: Rafael Kuster/ Divulgacao

Marcada, historicamente, pela centralização das suas atividades produtivas na capital e Região Metropolitana de Salvador (RMS), a Bahia tem apresentado, nas últimas décadas, uma dinâmica voltada para a interiorização dos investimentos econômicos.

Sendo um dos maiores estados do Brasil em extensão territorial, com enorme diversidade geográfica, social e econômica, os desafios para a integração regional se impõem, ao mesmo tempo que abrem oportunidades para o desenvolvimento descentralizado.

Conforme dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), nos últimos 15 anos, pessoas e empresas migraram para municípios do interior, que se transformaram, ao longo do tempo, nas chamadas cidades-polo.

Atualmente, segundo a SEI, 27 municípios baianos se destacam como polos econômicos e representam a diversidade e a força motriz da economia baiana, abrangendo desde a indústria verde e o enoturismo até o agronegócio de alta tecnologia.

Cidades como Luís Eduardo Magalhães, no Oeste baiano, se consolida como potência do agronegócio, enquanto Itabuna avança na verticalização da cadeia do cacau e no polo chocolateiro. Feira de Santana reafirma sua centralidade logística e Alagoinhas mantém o protagonismo no setor de bebidas. Já em Morro do Chapéu, o desenvolvimento é impulsionado pelo enoturismo e pela diversificação econômica.

O fortalecimento dessas cidades-polo reflete “um novo momento da dinâmica econômica estadual, marcado pelo maior protagonismo do interior e pela consolidação de vocações produtivas regionais”, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida.

Esse processo, afirma o gestor, é impulsionado por uma estratégia do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), voltada à interiorização dos investimentos e à diversificação da matriz produtiva.

Entre 2023 e 2025, destaca o titular da SDE, mais de 70% dos protocolos de intenções assinados tiveram como destino municípios do interior baiano, que concentraram mais de 80% dos investimentos previstos.

Nos projetos em implantação, diz, cerca de 90% do volume estimado também está fora da Região Metropolitana de Salvador, evidenciando uma descentralização do desenvolvimento. “As cidades-polo absorvem essas transformações com expansão industrial, modernização produtiva e geração de empregos”, afirma.

A SDE e a Setur (Secretaria de Turismo do Estado) lançaram, em 2025, o projeto piloto Visite a Bahia: Morro do Chapéu.

“Trata-se de uma iniciativa inovadora de gestão turística e territorial com proposta de replicação em outros municípios estratégicos, com o objetivo de impulsionar o setor de comércio e serviços”, explica o secretário Angelo Almeida, ressaltando que o governo estadual avança, também, na regularização fundiária de distritos industriais em diferentes regiões, por meio do Projeto Registra Bahia, conduzido pela SDE, em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça, “visando organizar o patrimônio público; garantir segurança jurídica às áreas produtivas; e criar as condições necessárias para novos investimentos e ampliação de empresas.”

Ao atuar na atração e acompanhamento de investimentos, concessão de incentivos e articulação para infraestrutura e ambiente competitivo, de acordo com o titular da pasta, a SDE fortalece uma rede de polos econômicos, consolidando um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e regionalmente distribuído em toda a Bahia.

“Essa estratégia tem impacto direto na geração de empregos formais, na dinamização das cadeias produtivas locais e na ampliação de oportunidades para a população do interior, promovendo crescimento sustentável, aumento de renda e redução das desigualdades regionais”, enumera.

Secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE), Angelo AlmeidaSecretário de Desenvolvimento Econômico (SDE), Angelo Almeida | Foto: Eduardo Andrade / Ascom SDE/ Divulgação

Campo x cidade

O secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), Osni Cardoso, reforça que os polos econômicos baianos são resultado de uma política de desenvolvimento que olha para os territórios de forma integrada.

“A nossa atuação tem sido fortalecer a agricultura familiar como base da economia de muitos municípios, garantindo assistência técnica, agroindustrialização, acesso a crédito e políticas de acesso à terra. Quando o agricultor e a agricultora familiares têm orientação técnica, conseguem acessar financiamento e têm segurança sobre a terra onde produzem. Isso gera renda, movimenta cadeias produtivas e fortalece o comércio local. É um processo que conecta o campo com a dinâmica econômica das cidades”, avalia.

Em municípios como Feira de Santana, Alagoinhas e Camaçari, exemplifica o secretário Osni, as políticas de assistência técnica e o acesso ao crédito têm sido ampliados para centenas de famílias agricultoras.

“Ao mesmo tempo, investimos em agroindústrias e unidades de beneficiamento, como acontece em Morro do Chapéu e em Luís Eduardo Magalhães, fortalecem a agregação de valor aos produtos da agricultura familiar. Esse conjunto de políticas cria condições para que o campo participe diretamente do crescimento econômico desses territórios”, complementa.

Secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Osni CardosoSecretário estadual de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso | Foto: Gilson Barbosa /Divulgação

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, diz que a entidade contribui com o desenvolvimento das cidades-polo, principalmente através do fortalecimento institucional das gestões municipais ao promover capacitação técnica das equipes, apoio na elaboração de projetos e orientação administrativa e jurídica.

“Também atuamos na interlocução com os governos estadual e federal, defendendo investimentos em infraestrutura, saúde, educação e mobilidade. não somente para as cidades-polo, mas também para os municípios de pequeno porte que ficam no entorno. Isso faz com que a pressão por serviços públicos diminua e a economia seja fortalecida regionalmente”, considera, acrescentando que a UPB incentiva a cooperação entre municípios por meio dos consórcios públicos e da integração regional, contribuindo para consolidar as cidades como polos de serviços, comércio e reforçar a movimentação econômica regional.

                   Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso                               Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso | Foto: :UPB/divulgação            

Para o consultor e professor de Economia e Finanças, Antônio Carvalho, absorver os efeitos do crescimento econômico é um desafio para as cidades.

A chegada de empreendimentos e de pessoas vindas de outras regiões ou países provoca efeitos positivos, como geração de emprego e renda, desenvolvimento urbano e atração de políticas públicas, mas também traz questões adversas, como a valorização imobiliária, das propriedades rurais, dos aluguéis e dos bens e serviços, gerando efeito multiplicador de desenvolvimento, atraindo negócios e diversificando a economia local e regional.

O economista destaca, ainda, que a interiorização da economia favorece a atração de investimentos públicos em infraestrutura, como estradas, ferrovias, aeroportos, universidades públicas e organismos públicos, para o atendimento da demanda gerada pelos novos negócios.

Retrato do progresso

Estudos da SEI, como o Info Bahia 2026, fornecem um panorama dos avanços socioeconômicos do Estado, que se refletem no crescimento das cidades-polo. Alguns pontos a destacar incluem:

CRESCIMENTO DO PIB ESTADUAL

Em 2023, o PIB da Bahia foi de R$ 431 bilhões, sendo a 7ª economia do Brasil e a 1ª do Nordeste, com projeção de crescimento de 2,6% em 2025, acima da média nacional. Esse crescimento geral do Estado beneficia diretamente as cidades-polo, que são os motores econômicos regionais.

DINAMISMO DOS SETORES ECONÔMICOS

A agropecuária (10,4% do PIB total), indústria (25,1%) e comércio e serviços (64,5%) são os principais contribuintes para o PIB baiano. O destaque na produção de grãos no Oeste baiano (soja, cacau, algodão) e a indústria de transformação na RMS (produtos químicos e petroquímicos) demonstram a força produtiva do Estado, concentrada em grande parte nas cidades-polo.

AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES

A Bahia é o 10º Estado em valor exportado, com US$ 22,4 bilhões em 2025, representando 3,3% das exportações nacionais e 42,2% das exportações do Nordeste. Os principais produtos exportados (soja, petróleo e derivados, papel e celulose) são provenientes de regiões onde as Cidades-polo têm forte atuação, como Luís Eduardo Magalhães, Camaçari e São Francisco do Conde.

CONCENTRAÇÃO POPULACIONAL E DESENVOLVIMENTO URBANO

A concentração de 42% da população baiana em 18 municípios em 2025 indica que essas cidades-polo oferecem melhores oportunidades de emprego, educação e serviços, atraindo moradores e impulsionando o desenvolvimento urbano.

MODERNIZAÇÃO E INOVAÇÃO

A ampliação e modernização do aeroporto de Ilhéus e a implantação de projetos de infraestrutura, como o Porto Sul e a Ferrovia Leste-Oeste, prometem impulsionar ainda mais a economia local. Além disso, investimentos em energia eólica, em Morro do Chapéu, Campo Formoso e Sento Sé, e a mineração de alta tecnologia em São Desidério, demonstram a busca por inovação e sustentabilidade econômica.

PLATAFORMA SEI MUNICÍPIOS

O lançamento da Plataforma SEI Municípios, que reúne indicadores de educação, saúde, vulnerabilidade, economia e mercado de trabalho dos 417 municípios baianos, representa um avanço significativo na disponibilização de dados para o planejamento e a gestão pública, permitindo um acompanhamento mais preciso do desenvolvimento socioeconômico das cidades-polo e do Estado como um todo.

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