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Política Entrevista

Ex-deputado Carlos Geilson esclarece rompimentos, alianças e trajetória política em entrevista ao Programa Boca de Forno

Além da política, Geilson revela batalha silenciosa pela saúde durante campanha eleitoral.

15/02/2026 09h55 Atualizada há 1 hora
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Carlos Geilson - Foto: Boca de Forno News
Carlos Geilson - Foto: Boca de Forno News

O ex-deputado estadual por três mandatos Carlos Geilson concedeu uma entrevista ao radialista Nivaldo Lancaster, no programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News, onde abordou episódios marcantes de sua trajetória política, especialmente o período pós-eleições de 2018, as mudanças de alinhamento partidário, sua relação com lideranças políticas da Bahia e os impactos pessoais e eleitorais dessas decisões.

Durante a conversa, Carlos Geilson rebateu versões que circularam à época sobre um suposto rompimento definitivo com o grupo liderado pelo ex-prefeito José Ronaldo de Carvalho, bem como rumores envolvendo promessas de cargos no Governo do Estado e interferências políticas. Informações davam conta de que o atual deputado federal Zé Neto teria interferido para que ele não assumisse uma Secretaria do estado.

Geilson relembrou que, mesmo obtendo cerca de 45 mil votos em 2018, acabou não se elegendo deputado estadual, fato que classificou como inédito naquela época um deputado com tantos votos ficar de fora de uma cadeira na Assembleia Legislativa. Segundo ele, após o resultado eleitoral, foi convidado pessoalmente pelo então governador Rui Costa para uma conversa no Palácio de Ondina após o resultado da eleição.

“O governador fez as propostas, mas eu pedi tempo para conversar com José Ronaldo. Em nenhum momento dei a palavra de que estaria em seu governo”, afirmou. Geilson destacou que, mesmo diante das especulações, seguiu atuando como oposição durante todo o restante do seu mandato, fato que pode ser comprovado, segundo ele, pelos registros da Assembleia Legislativa da Bahia.

Secretaria não concretizada e Ouvidoria do Estado

O ex-deputado explicou porque não havia assumido uma Secretaria naquela época. De acordo com ele, houve, sim, a tentativa de sua nomeação para uma Secretaria estadual, mas que a proposta enfrentou entraves partidários, já que a vaga seria vinculada à cota do PSB. Na ocasião, o então teria sido o então deputado estadual Marcelo Nilo que se posicionou contra a ideia. “Marcelo Nilo disse que o partido não seria barriga de aluguel, que o governador fez uma oferta e seria ele que teria de resolver a situação”.

Diante das dificuldades, somente em abril de 2019 Rui Costa voltou a procura-lo, oferecendo o cargo de ouvidor-geral do Estado. “Eu estava sem nenhuma função, desempregado como se diz, e foi ali que, de fato, passei a exercer uma função no governo do Partido dos Trabalhadores. Até então estava de braços cruzados esperando uma oportunidade do grupo de Ronaldo”, explicou.

Geilson também fez questão de afastar boatos de que o deputado federal Zé Neto teria interferido para impedir sua nomeação em uma secretaria. “Não posso acusar ninguém por ouvir dizer. Não houve interferência comprovada”, frisou.

Candidatura à Prefeitura e retorno ao grupo de Ronaldo

Ainda na entrevista, Carlos Geilson revelou que chegou a ser convidado por Rui Costa para ser candidato a prefeito de Feira de Santana pelo grupo governista. No entanto, o convite não se materializou. Mesmo assim, decidiu manter sua candidatura. “O convite aconteceu, mas a materialização não. E o porque disso só ele pode responder. Mas mantive a minha candidatura”.

No segundo turno das eleições municipais, quando houve a disputa entre Zé Neto e o então candidato apoiado pelo grupo de José Ronaldo, Colbert Martins, Geilson declarou apoio à candidatura vitoriosa, ressaltando a importância do fator psicológico e político daquele momento. “Aceitei o convite, reassumi o mandato de deputado e declarei apoio a Colbert. Graças a Deus foi uma campanha vitoriosa com o nosso apoio e o do deputado José de Arimatéia”.

Relação com José Ronaldo e cargos na Prefeitura

Uma fonte de Lancaster informou que os cargos de Geilson na Prefeitura haviam sito retirados e que, interrogado por ele, Ronaldo disse que não estava sabendo de nada. Questionado sobre um possível afastamento político do atual prefeito José Ronaldo, Geilson negou qualquer rompimento. Segundo ele, houve apenas um período de distanciamento natural, sem conflitos diretos.

“Não existe esse afastamento do prefeito. Ele tomou posse e eu, torcendo para que ele fizesse uma boa administração, deixei o prefeito à vontade para governar. Não fiquei pressionando por cargos. Algumas pessoas ligadas a mim foram afastadas, sempre tive gente na Prefeitura, mas isso foi tratado em uma conversa franca e respeitosa com o prefeito e ele ficou de ver a situação dessas pessoas afastadas”, disse.

Questionado ainda sobre de quem seria o apoio de José Ronaldo nas próximas eleições, se do atual governador Jerônimo Rodrigues ou do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, Geilson preferiu se eximir de responder à pergunta. “Você (Lancaster) opinou que Ronaldo não apoia Jerônimo e apoia ACM Neto. Quem sou eu, vindo de lá da Fazendo Rosário, em Jaíba, para contrariar a sua opinião? Você é meu ídolo no rádio”, respondeu, sorrindo.

Saúde e eleição para vereador

Um dos momentos mais sensíveis da entrevista foi quando Carlos Geilson falou sobre sua candidatura a vereador em Feira de Santana. Ele revelou que, nesse processo, admitiu que não seria candidato a vereador e liberou suas bases, tanto que vários dos seus apoiadores saíram como candidatos a vereador. “Muitos deles tiveram votações expressivas. De última hora acabei saindo como candidato a vereador”.

Durante a campanha para vereador, Geilson confessou que enfrentava uma grave suspeita de câncer de próstata, passando por exames, ressonância e biópsia, tudo em meio ao processo eleitoral. “Eu vivi isso sozinho. Não contei nem à minha família. Isso impactou profundamente minha campanha. Só me livrei do possível câncer de próstata com a contraprova da biopsia. Tudo isso dentro de 45 dias de campanha. Eu não conseguia dormir e tinha dias que eu não queria sair de casa, mas as pessoas não sabiam o motivo”, relatou, emocionado.

Aí veio o alívio com o resultado negativo para câncer, mas o ex-deputado reconheceu que a situação comprometeu sua capacidade física e emocional durante a disputa. “Vez ou outra eu tinha crises de choro dentro do carro e as pessoas que estavam comigo ficavam sem entender porque não sabiam o motivo. Eu sabia do momento delicado, mas não externalizei para ninguém. E isso impactou muito negativamente no processo da campanha”.

Ainda assim, Geilson acredita que sair candidato a vereador em Feira de Santana não foi um equívoco. “Ser vereador em Feira é algo maravilhoso. É uma satisfação servir a cidade. O equívoco foi conviver com esse problema sozinho. Talvez, se eu tivesse conversado com algumas pessoas, ouvido outras opiniões seria acalentando. Naquele momento eu não tinha cabeça para fazer campanha e hoje acredito que se não fosse aquela situação eu teria uma votação melhor, mas talvez não suficiente para me eleger”, finaliza.

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