Sete deputados estaduais da Bahia se movimentam para deixar a Assembleia Legislativa (ALBA) e disputar uma cadeira na Câmara Federal em 2026. A tarefa, no entanto, não será simples, já que terão de enfrentar concorrentes que contam com mandato e a prerrogativa de indicar cerca de R$ 50 milhões em emendas impositivas por ano, recurso considerado decisivo na manutenção de bases eleitorais.
Estão na lista Alan Sanches (União Brasil), Leandro de Jesus (PL), Manoel Rocha (União Brasil), Olívia Santana (PCdoB), Raimundinho da JR (PL), Robinho (União Brasil) e Vítor Bonfim (PV). Inicialmente cotado, Roberto Carlos (PV) desistiu de concorrer a federal e tentará a reeleição como estadual.
Do grupo, três são da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) – Olívia, Raimundinho e Vítor – enquanto os demais integram a oposição e devem apoiar ACM Neto (União Brasil) ao governo do Estado no próximo ano. Vale lembrar que Raimundinho já acertou filiação ao Solidariedade. Vítor negocia ida para o PSB e Alan não descarta mudança de partido se houver consenso com Neto.
Entre os oposicionistas, Manoel Rocha surge como caso particular: herda o espaço do pai, José Rocha (União Brasil), que pretende disputar o Senado ou se aposentar após oito mandatos. Já Alan Sanches articula desde 2023 uma campanha estruturada em Salvador, com apoio do filho, vereador Duda Sanches, e negociações com lideranças locais e ex-parlamentares. Ele também costura alianças no interior, em especial em Santo Antônio de Jesus, onde conta com apoio do prefeito Genival Deolino (PSDB) e do empresário Ditinho, dono da Avivip e pré-candidato a deputado estadual.
No campo bolsonarista, Leandro de Jesus deve dividir espaço no PL com o deputado federal Capitão Alden, consolidado nesse segmento. Sua candidatura tem incentivo do presidente da sigla na Bahia, João Roma, que busca conter a influência de Alden. Também pela oposição, Robinho aposta no apoio do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), que prometeu transferir cerca de 10 mil votos, além da influência política da esposa, prefeita de Nova Viçosa, Luciana Machado (União Brasil).
Na esquerda, Olívia Santana (PCdoB) é apontada como nome competitivo, com forte base em Salvador, onde foi a mais votada em 2022. Sua candidatura, porém, ameaça diretamente a reeleição da correligionária Alice Portugal, a quem já apoiou.
Com 38 mil votos em 2022, Raimundinho da JR terá um desafio maior, mesmo após migrar ao Solidariedade. Ele aposta principalmente no apoio do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL). Já Vítor Bonfim, filho do conselheiro do TCE João Bonfim, vê na possível ida ao PSB uma forma de ampliar as chances de eleição, já que a federação do PV com PT e PCdoB reduz suas perspectivas atuais.
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