Elas formam o alicerce da economia, sustentam o comércio de rua, dão fôlego aos pequenos produtores e abastecem o dia a dia de serviços em todo o país. No primeiro semestre de 2025, as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) mostraram mais uma vez sua força: foram responsáveis por mais de 747,6 mil novas contratações no Brasil, segundo levantamento do Sebrae com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apenas em junho, o setor gerou cerca de 106,9 mil postos, o que corresponde a 64% das novas vagas criadas no período.
Na Bahia, o cenário também é positivo. Segundo dados exclusivos do Sebrae Bahia, no 1º semestre de 2025, as micro e pequenas empresas baianas contrataram um saldo de 37.613 trabalhadores, representando 56% do total das contratações no estado. Esse número indica um crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2024, quando o saldo das contratações foi de 36.690, demonstrando uma tendência consistente de expansão no setor.
Para o presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, “as micro e pequenas empresas são fundamentais para a retomada da economia brasileira, pois representam a maioria dos negócios e empregam grande parte da força de trabalho do país. Investir nesse segmento é garantir inclusão social e desenvolvimento econômico sustentável", diz. A declaração reforça o papel decisivo dessas empresas na geração de empregos e no fortalecimento econômico nacional.
Setores - Na Bahia, a construção de edifícios foi o segmento que mais contratou, com 4.553 vagas abertas, o que representa 12,1% do total das contratações no estado. Esse crescimento está diretamente ligado à retomada dos investimentos imobiliários e obras públicas, impulsionadas também por programas federais e estaduais de habitação.
Além disso, outras atividades que se destacaram no estado baiano incluem obras para geração e distribuição de energia elétrica e telecomunicações (3,2%), que refletem o avanço na infraestrutura energética e conectividade da Bahia, fundamentais para o desenvolvimento econômico local e atração de novos negócios. A educação infantil - pré-escola (3,1%) mostra o crescimento da demanda por serviços educacionais, enquanto o transporte rodoviário de carga (2,9%) evidencia a expansão da logística e distribuição no interior do estado.
Setores como educação infantil - creche, serviços combinados de escritório e atividades de atenção ambulatorial também apresentaram aumento significativo nas contratações, sinalizando investimentos em saúde e serviços administrativos que acompanham a expansão populacional e urbana em diversas regiões.
Capital baiana segue como principal polo do comércio varejista
Salvador continua a ser o principal polo de geração de empregos nas micro e pequenas empresas, com 8.515 novas vagas, correspondendo a 22,6% do total baiano. A capital concentra grande parte do comércio varejista, serviços e construção civil, que lideram as contratações.
Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, respondeu por 6,6% das contratações, impulsionada pelo seu papel como centro comercial e industrial do interior. Cidades como Camaçari (4,8%), Luís Eduardo Magalhães (4,6%) e Barreiras (4,4%) também se destacam, refletindo a diversificação econômica e os investimentos no agronegócio e indústria nas regiões oeste e sul da Bahia.
Outras cidades importantes no cenário de geração de empregos são Vitória da Conquista, Lauro de Freitas, Ilhéus, Paulo Afonso e Ourolândia, que vêm ampliando sua base econômica local por meio do fortalecimento das micro e pequenas empresas, o que contribui para a redução das desigualdades regionais dentro do estado.
Impactos
O crescimento das micro e pequenas empresas na Bahia tem impacto direto na melhoria da qualidade de vida das populações locais. Essas empresas não apenas criam empregos formais, mas também promovem a inclusão social ao gerar oportunidades para grupos tradicionalmente excluídos do mercado de trabalho formal, como jovens, mulheres e trabalhadores em áreas rurais.
Entretanto, o setor ainda enfrenta desafios estruturais significativos. Conforme especialistas, o acesso ao crédito é um dos principais obstáculos para a ampliação dos negócios, especialmente para os pequenos empreendedores que não possuem garantias suficientes para linhas tradicionais de financiamento. Além disso, a burocracia excessiva e a complexidade tributária dificultam o crescimento e a formalização das empresas.
Outro ponto apresentado pelas entidades, é a capacitação profissional: muitos empresários e trabalhadores ainda precisam de treinamento e qualificação para aumentar a produtividade e a competitividade dos seus negócios, principalmente em áreas que demandam inovação e adaptação às novas tecnologias.
O Sebrae Bahia destaca a importância de programas de crédito facilitado, simplificação tributária e iniciativas de qualificação profissional voltadas para o empreendedorismo local.
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