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Bahia Meio ambiente

Área de conservação em risco: Fundo ligado a ACM Neto planeja construção de condomínio de luxo na Bahia

Estudo revela que área desejada pelo fundo ligado a ex-prefeito de Salvador deveria ser transformada em unidade de conservação.

10/07/2024 09h03
Por: Karoliny Dias Fonte: BNews
Foto: Dinaldo Silva/BNews
Foto: Dinaldo Silva/BNews

O Praia do Castelo Fundo de Investimento Imobiliário, ligado ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, é o responsável pelo empreendimento de mil unidades residenciais, que será construído sobre as falésias que cercam a Praia de Lagoa Azul, situada entre Arraial d'Ajuda e Trancoso, em Porto Seguro, Bahia. 

De acordo com uma reportagem publicada pela Agência Pública, além de ACM Neto, o fundo conta com outros investidores, como o publicitário Sidônio Palmeira, responsável pelo marketing da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República em 2022. 

Nos últimos 20 anos, resorts de alto padrão têm substituído a vegetação da Mata Atlântica ao redor, causando erosão e reduzindo a superfície e a coloração da lagoa. Parte do terreno está em uma área sensível, onde estudos sugerem a criação de uma unidade de conservação para preservar a fauna local e recuperar a lagoa.

Um relatório de julho de 2023 recomenda transformar a área em uma unidade de conservação, o que ajudaria a preservar espécies exclusivas da Mata Atlântica e recuperar as características naturais da lagoa. 

A comunidade local teme que o empreendimento limite o acesso às praias e agrave os impactos ambientais. As obras já iniciaram, com barreiras instaladas para restringir o acesso, provocando protestos dos trabalhadores das barracas de praia que dependem do turismo.

Condomínio Residencial Taípe 

O condomínio, chamado provisoriamente de “Condomínio Residencial Taípe”, ocupará 319 hectares e será construído em duas fases, com unidades residenciais, áreas de lazer e infraestrutura de luxo, incluindo helipontos e elevadores panorâmicos. 

A licença prévia já foi obtida, e o fundo aguarda a licença de implantação para iniciar a construção. Em 2022, o fundo adquiriu o terreno por R$ 140 milhões, após a desistência da Tucuruí Empreendimentos Imobiliários S.A., empresa com sede em Salvador que pretendia construir um resort na região. 

O relatório final do estudo contratado pela prefeitura recomenda a criação de uma Unidade de Conservação (UC), como um Monumento Natural (Mona) ou uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), para proteger a área e permitir atividades de turismo ecológico. 

O que dizem os envolvidos no empreendimento 

Procurada pela reportagem da Agência Pública, a Prefeitura de Porto Seguro respondeu que ainda não decidiu qual categoria de UC será implementada e estuda o relatório em conjunto com o Conselho Municipal de Meio Ambiente.

A Planner Investimentos, administradora do Praia do Castelo Fundo de Investimento Imobiliário, informou que “cumpre somente as obrigações operacionais e regulatórias”. Já a assessoria de ACM Neto confirmou que ele segue como cotista, “mas não exerce nenhuma atividade executiva de gestão relacionada ao fundo”. 

Tanto a Planner quanto a assessoria do ex-prefeito de Salvador orientaram que a reportagem procurasse Ricardo Carneiro, gestor do Praia do Castelo na Planner, que informou que já foram iniciados “os estudos técnicos necessários, particularmente no que diz respeito à Lagoa Azul”. 

Por sua vez, Sidônio Palmeira não respondeu aos questionamentos da Agência Pública até o momento de publicação desta reportagem. 

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