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Política Ameaça

Cúpula do PT vê sinais de ameaça velada ao governo em operação de Coronel na Assembleia Legislativa

Certo de que não terá espaço para tentar a reeleição na chapa do Palácio de Ondina, senador do PSD assume controle da bancada do G10.

04/06/2024 07h57
Por: Karoliny Dias Fonte: Metro1
Foto: Tácio Moreira/Metropress
Foto: Tácio Moreira/Metropress

Integrantes do alto escalão do PT na Bahia traduziram como ameaça velada a recente ofensiva do senador Ângelo Coronel (PSD) para liderar o grupo de dez deputados estaduais da base aliada insatisfeitos com o governador Jerônimo Rodrigues. Consultados pela Metropolítica, petistas com assento no andar de cima do partido se disseram convictos de que, por trás do movimento de Coronel, está a certeza de que será rifado da chapa governista para o Senado na sucessão de 2026. "Ao tomar para si o papel de porta-voz da turma dos descontentes na Assembleia Legislativa, o recado dele é claro: ou o PT engole na marra sua candidatura à reeleição no palanque do Palácio de Ondina ou colocará em xeque a governabilidade de Jerônimo", disparou um político influente da sigla, para quem a manobra possui os elementos típicos de chantagem.

Para bom entendedor...

O tom das declarações de Coronel após o encontro com o chamado G10 da Assembleia, realizado na segunda (03), reforçou a percepção de cardeais petistas sobre as reais intenções do senador. Em vídeo postado nas redes sociais, Coronel diz não ter dúvidas de que "o governo vai olhar agora com olhos mais abertos para esse grupo". Lembra ainda que o bloco é formado majoritariamente por deputados do PP e PL que, embora tenham marchado com a oposição em 2022, migraram para a base de Jerônimo desde fevereiro do ano passado. É o caso dos pepistas Hassan, Felipe Duarte, Nelson Leal e Antônio Henrique Júnior e de dois quadros do PL, Vitor Azevedo e Raimundinho da JR. Com o PSD, insinuou, a tropa sob seu controle na Assembleia pode a chegar 20 parlamentares, quase metade da bancada governista, composta por 42 membros.

Lavoura arcaica

"A mensagem de Coronel com essa operação é a de que ele terá número suficiente de deputados para emparedar o governo em votações de projetos importantes e pretende usar tal trunfo como instrumento de pressão no duelo por uma das duas vagas do Senado em 2026. Nada mais que a boa e velha tática de plantar dificuldade para colher facilidade", emendou outro petista com poder de fogo na Executiva Estadual do partido. O jogo de Coronel vai também ao encontro dos anseios de parlamentares que estavam sem um nome de peso para defender seus interesses junto ao governador.

Prova de História

Em contrapartida, aliados do senador acham que ele não acrescentou os riscos da investida no cálculo. O retrospecto mostra que iniciativas semelhantes de peitar o PT resultaram em fracasso. Entre os exemplos, destacam o ex-presidente da Assembleia Marcelo Nilo (Republicanos), o ex-vice-governador e deputado federal João Leão (PP) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). Todos eles esticaram a corda para forçar espaço na chapa majoritária da base aliada, cortaram laços com o governo e, no fim, saíram do confronto menor do que entraram. Ao mesmo tempo, afirmam, Coronel parece ter esquecido de que possui uma cota generosa em contratos com o Executivo e de que os deputados dependem bastante da máquina do estado para sobreviver politicamente.

Régua e compasso

Para lideranças do arco governista, a ação de Ângelo Coronel só avançou por causa do desleixo da articulação política de Jerônimo e do próprio petista. Ambos ignoraram as sucessivas queixas de parlamentares do G10 e abriram a brecha para o cacique do PSD. Ciente de que Jaques Wagner (PT) é dono de uma das vagas do Senado e que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, pretende ocupar a outra, Coronel decidiu usar o grupo de deputados como munição. A dúvida é se ele teve aval do senador Otto Alencar (PSD), embora a avaliação é de que o primeiro jamais entraria em campo sem combinar antes com o segundo.

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