Parlamentares alinhados ao governo Jerônimo Rodrigues (PT) na Assembleia Legislativa preveem dificuldades para consolidar a aprovação do reajuste linear dos servidores na sessão desta terça-feira (28). A principal delas é garantir quórum mínimo de 32 deputados presentes no plenário da Casa, diante dos sinais de boicote por parte de um grupo de ao menos 12 deputados da base insatisfeitos com o Palácio de Ondina. Sobretudo, a bancada do PSD, que divide com a do PT o posto de maior da Casa, com nove integrantes, e já avisou à articulação política do governador de que a tendência é manter o time fora de campo.
Conjunto da obra
Embora os motivos para o ensaio de rebelião do partido venham sendo tratados até o momento com o máximo de sigilo, a lista de hipóteses que circula na Assembleia é grande. Inclui falta de pagamentos de emendas, reação ao patrocínio do governo para impulsionar o Avante na Bahia e demora nos repasses para convênios firmados pela Conder às vésperas da sucessão de 2022 em redutos eleitorais de parlamentares da sigla. Há quem diga que o levante é resultado de todas as alternativas acima. Fora a bancada do PSD, a tropa rebelde abriga também deputados do PP e PV.
Gente nossa
Como tem teto de 42 parlamentares contra 20 da oposição, o governo não conseguirá sustentar o quórum caso o boicote dos 12 rebeldes seja levado adiante. Ao longo da segunda-feira (27), o líder da base aliada, Rosemberg Pinto (PT), concentrou esforços na tentativa de pacificar os insatisfeitos e mobilizar a bancada governista para a sessão desta terça, quando deve ser votado, além do reajuste dos servidores, um pacote de projetos do Executivo. Entre os quais, o do empréstimo de cerca de R$ 2 bilhões junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird).
Áses na manga
Se a ausência for apenas dos nove deputados do PSD, o governo pretende recorrer aos mais leais aliados do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil). Ou seja, Marcinho Oliveira e Júnior Nascimento. Ambos pertencem à mesma sigla do padrinho político, empenhado em auxiliar os próprios adversários para conquistar a simpatia do PT baiano na disputa pela presidência da Câmara em 2025.
Vale tudo
O segundo desafio no caminho do reajuste proposto por Jerônimo é a disposição dos sindicatos e lideranças de entidades de classe em derrotar o governo e conquistar um reajuste maior. O Executivo ofereceu 4%, sendo 2% retroativos a 1º de maio e o restante a partir de setembro. Os servidores exigem no mínimo 10% de uma só vez, com validade desde a data-base da categoria, em janeiro. Nos últimos dias, houve forte movimentação de dirigentes sindicais para vitaminar o protesto marcado para esta terça na Assembleia e emperrar a votação. Inclusive, com disseminação de cards fakes sobre a análise de mudanças na tabela do Planserv e centralização de atendimento no Hospital Evangélico durante a sessão.
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