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Saúde 18 de maio

Psicóloga fala sobre danos e como perceber a exploração ou o abuso sexual em crianças e adolescentes

Secretário de Desenvolvimento Social, Antonio Carlos Borges Junior, fala ainda sobre a programação para o Dia Nacional de Combate a Exploração e Abuso Sexual as Criança e Adolescentes.

14/05/2022 20h18
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

 

A infância é uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano. Conforme a psicóloga Layana Passos, uma das formas de prevenir eventos traumáticos nessa fase é combatendo o abuso e a exploração sexual. Ela alerta que os danos de um abuso sexual e de uma exploração sexual são muito grandes porque é um período da vida em que a criança está se desenvolvendo. “Ela pode apresentar principalmente questões futuras socioemocionais, dificuldades de interação principalmente em contextos escolares, de relação entre pares. E questões mesmo psicológicas que podem reverberar em toda a vida desses seres não apenas na infância e adolescência”.

Se não houver uma intervenção nos abusos, os danos são carregados em sua vida adulta, influenciando em suas relações.  Os dados são preocupantes. Só em 2022 foram registrados seis mil casos de violência sexual contra esse público. Geralmente o abuso é cometido na casa do suspeito ou da vítima, que na maioria tem entre 12 e 14 anos, conforme dados do Ministério da Mulher e dos Direitos Humanos.

A psicóloga destaca que as estatísticas mostram que o abuso em crianças acontece principalmente por pessoas que estão próximas a ela e estão em seu círculo.  “Muitas vezes é um tio, é um amigo da família e por isso a identificação se torna ainda mais difícil. Primeiro porque a criança muitas vezes não expressa o que aconteceu. Na verdade, muitas vezes ela não sabe nem expressar o que aconteceu”, diz.

Os principais sinais para perceber que uma criança está sendo abusada é a sua mudança de comportamento. Pode ser que ela fique mais retraída, ou evite contato com outras pessoas ou até mesmo com outras crianças. “Se era uma criança que tinha uma boa interação, que brincava, que interagia com adultos e com outras crianças, ela se torna uma criança mais introspectiva”. Pode ser ainda que a criança apresente questões emocionais, ou seja, ela chora muito, choro sem antecedentes. Essa é uma das formas de perceber que a criança está sendo abusada.

psicóloga Layana Passos - Foto: Arquivo Pessoal 

A descoberta pode vir ainda de forma lúdica, ressalta Layana. Muitas crianças podem apresentar esse cenário do abuso através do lúdico, ou seja, através de uma brincadeira social utilizando bonequinhos ou ursos o que aconteceu com ela. “Essa criança pode ainda começar a fazer desenhos que ela não desenhava antes, algum desenho pode trazer algum indício de que tenha tido algum abuso sexual. Mas isso tudo de forma muito cuidadosa”. Ela lembra que descobrir o abuso em uma criança se dá através de um conjunto de fatores e não fatores isolados. Esses fatores tem que ser analisados com bastante cuidado.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social reforça o tema e promove a campanha Maio Laranja. O objetivo é fortalecer o enfrentamento a esse tipo de crime, como ressalta o secretário Antônio Carlos Borges Junior. “Iniciamos esse projeto e a sensibilização colocando um balcão de orientação no Shopping Boulevard, onde as nossas equipes estão revezando, passando a informação para a comunidade”.

Também no CRAS está fazendo ações de palestras, oficinas junto à comunidade, aos demandatários que estão nos seus territórios. Está dentro ainda da programação uma caminhada no dia 18 de maio, no Dia Nacional de Combate a Exploração e Abuso Sexual as Criança e Adolescentes. A caminhada sairá da Praça Fróes da Mota em direção Prefeitura Municipal de Feira de Santana. “O intuito é o de divulgar essa problemática e fazer com que as famílias possam ter a garantia de direitos e principalmente denunciando através do Disque 100 exploração e abusos sexuais a crianças e adolescentes”.

Quem fizer a denúncia pelo Dique 100 tem o seu anonimato garantido. A partir da denúncia, os encaminhamentos necessários serão feitos, garante o secretário. “Através do Conselho Tutelar, de outros órgãos do sistema judiciário e assim dar toda assistência necessária para aquelas crianças e adolescentes que passam por esse infortúnio”.

O Disque 100 é uma das ferramentas de denúncia. Basta discá-lo no seu celular ou através de um telefone fixo e comunicar o caso sem a necessidade de se identificar. Segundo a psicóloga, o diálogo e a educação sexual durante a infância e a adolescência são essenciais. “Educação sexual não é orientar a criança ou falar como é o ato sexual. Orientação sexual é ensinar a criança que as partes intimas só pode ser tocada por seu pai ou a sua mãe, que ela não pode tirar a roupa na frente de outras pessoas ou em lugares públicos”.

Com o adolescente, diz a psicóloga, o trabalho feito é de prevenção mostrando a eles questões contraceptivas. “Educação sexual tem que vim desde a escola. As crianças precisam estar preparadas para isso para se proteger. E que tenham diálogos com os pais que são os seus principais amigos e pessoas em que ela pode confiar. Na verdade, não podemos generalizar, mas esperamos que os pais sejam de confiança para essa criança e esse adolescente e que tenha esse canal aberto para o diálogo como forma de proteção”, finalizou.

 

 

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