Foto: Boca de Forno News
A 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) foi oficialmente aberta nesta quarta-feira (26), em um novo espaço, com estrutura ampliada e uma programação que reúne literatura, cultura, arte, tecnologia e diversidade. Com 23 mil metros quadrados destinados ao evento, a organização espera superar o público de 60 mil pessoas registrado no ano passado.
De acordo com a pró-reitora de Extensão da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e integrante da coordenação do Flifs 2026, Taíse Bomfim, a mudança de local trouxe a sensação de que esta é uma nova experiência para o festival. “Eu acho que pode esperar como se fosse a primeira. A mudança de lugar e ampliação do espaço traz pra gente uma sensação de primeiro festival, porque tudo é novo, tudo é amplo, tudo é muito grande”, afirmou.
A programação deste ano também foi ampliada. Além dos 31 estandes de livros e editoras, o festival passou a contar com atrações voltadas especialmente ao público jovem, como jogos digitais, cosplay e oficinas de RPG.
Segundo Taíse, o espaço destinado aos jogos digitais tem sido um dos destaques da edição. O festival também terá um curso de cosplay no sábado, além de atividades direcionadas ao público infantojuvenil, criando uma programação intermediária entre o Flifs e o Flifsinha. “Como a gente ampliou o espaço, a ideia era trazer realmente coisas novas para além dos expositores, que já era uma demanda muito grande. Nós temos um estande de jogos digitais que está fazendo o maior sucesso, não fica vazio de jeito nenhum”, destacou.
A estrutura também foi pensada para oferecer mais conforto e acessibilidade aos visitantes. A organização disponibilizou estacionamento gratuito e seguro, além de condições para facilitar a circulação de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. “Nós estamos falando de um espaço mais amplo, uma estrutura muito mais confortável pra quem chega aqui. Quando você tem uma condição melhor, um estacionamento gratuito, seguro, um acesso mais fácil e a condição de acessibilidade, a gente acredita sim que vai ultrapassar esses 60 mil”, explicou Taíse.
Taíse Bomfim - Foto: Boca de Forno News
“Feira é o mundo”
O tema desta edição é “Feira é o mundo”, proposta que, segundo a pró-reitora, dialoga diretamente com as características de Feira de Santana, cidade conhecida pela diversidade cultural e pela posição estratégica como ponto de encontro de diferentes pessoas e culturas. “Você encontra tudo. Você sabe onde fica, tem uma rua pra cada coisa. E é isso que a gente quis trazer aqui. Mostrar as pessoas, os costumes, o seu gosto pela literatura, pela cultura, que é a cara do nosso povo”, afirmou.
Taíse destacou ainda a identidade cultural de Feira de Santana como Portal do Sertão e a intenção de levar essa mistura para o festival. “Nós somos um povo cultural. Nós somos o Portal do Sertão. Então, de fato, a gente quis trazer essa mistura, essa miscigenação para aqui também, para o espaço”, disse.
Programação segue até domingo
O Flifs 2026 segue com programação até domingo (30). Segundo Taíse Bomfim, as atividades começam diariamente às 9h e, embora o encerramento oficial esteja previsto para as 20h, o movimento costuma continuar até mais tarde. “Hoje é o primeiro dia. Ainda temos até domingo de programação. Ele abre sempre às nove horas e o encerramento normalmente é às oito horas, mas a gente sabe que até nove, dez a gente tem gente aqui passeando pelo Flifs. Então venham todos. Sejam todos convidados”, convocou a pró-reitora.
Cultura que ultrapassa fronteiras
A abertura do Flifs também contou com a presença do padre Ibrahim Muinde, do Quênia, que destacou a importância do festival como espaço de encontro entre diferentes culturas. Para ele, o evento representa um ambiente aberto para artistas, estudantes e famílias, além de funcionar como instrumento de incentivo à leitura e à valorização da cultura regional. “É uma alegria muito grande estar aqui na abertura. A princípio, uma cultura, um espaço que está aqui e que acolhe a todos e a todas, especialmente um espaço que os artistas, os alunos, as famílias podem fomentar e trazer a sua riqueza, mas também aprender desse espaço”, afirmou.
O religioso ressaltou que o festival reúne pessoas de diferentes lugares e contribui para fortalecer não apenas a cultura da leitura, mas também a identidade cultural de Feira de Santana e da região. “É um espaço de encontros também. Estamos aqui encontrando várias pessoas que estão vindo de vários lugares. Então é um espaço preparado para Feira e a região, para fortalecer não só a cultura de leitura, mas também trazendo toda a riqueza cultural que o sertão, a Princesa do Sertão e a região vivem”, declarou.
Padre Ibrahim Muinde - Foto: Boca de Forno News
Ao comentar o tema “Feira é o mundo”, Ibrahim fez uma relação entre a diversidade encontrada no festival e a própria característica de Feira de Santana como cidade de passagem e encontro. “Essa feira é um mundo, porque no conhecimento, na produção do conhecimento, mas também se abrindo para essa riqueza. Tanto as pessoas que vêm de outras regiões do Brasil, de outras regiões do mundo, para ter esse contato, porque é um ponto central que enriquece”, afirmou.
Para o padre, a diversidade é justamente um dos elementos mais importantes do festival. “Quando a gente fala de cultura, a gente fala de diversidade, e aqui é o lugar ideal para isso. Todos acolhidos, todos em casa, todos podendo oferecer o que têm”, destacou.
Ele também citou apresentações realizadas durante a abertura e a participação de crianças, reforçando a proposta de aproximar diferentes gerações da programação cultural. “É importante participar para a gente perceber que também não tem uma cultura única no mundo. É isso: cada um, com a sua, consegue enriquecer o espaço, o lugar e o dia do outro”, concluiu.
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