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Política Prisão

Ex-deputado preso por suspeita de negociar R$ 2 mi para facilitar fuga na BA já foi o mais jovem eleito do país e queria ser presidente

Uldurico Júnior foi localizado em Praia do Forte, destino turístico da Região Metropolitana de Salvador, nesta quinta-feira (16). Ele é investigado por suposta relação com facções criminosas.

17/04/2026 08h52
Por: Karoliny Dias Fonte: g1 Bahia
Uldurico Júnior foi o deputado federal mais jovem do país em 2014 — Foto: Arquivo Pessoal
Uldurico Júnior foi o deputado federal mais jovem do país em 2014 — Foto: Arquivo Pessoal

O ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), preso nesta quinta-feira (16) por suspeita de negociar R$ 2 milhões para facilitar a fuga de 16 detentos na Bahia, já foi o mais jovem eleito para o cargo no país e sonhava em ser presidente.

Além do pai, o avô materno e dois tios de Uldurico estiveram no mundo da política também no cargo de deputado federal. Inclusive, foi quando a família morava em Brasília (DF) que ele nasceu.

Quando ocupou o cargo pela primeira vez, em 2014, o político tinha 22 anos. Chegou a se reeleger em 2018, mas abandou a função dois anos depois para se candidatar a prefeito de Porto Seguro.

Depois disso, tentou ainda ser deputado federal mais uma vez em 2022 e prefeito de Teixeira de Freitas em 2024, mas não obteve sucesso em nenhuma das ocasiões.

Foi exatamente nessa última tentativa que, segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), Uldurico pode ter feito uma aliança com chefes de facções criminosas da região. O político negou qualquer irregularidade.

Antes de ser preso em um hotel localizado em Praia do Forte, distrito turístico de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), Uldurico já tinha sido alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na última terça-feira (14).

Conforme a investigação, o objetivo da suposta aliança seria conseguir votos entre os detentos, familiares e moradores de áreas controladas pelos criminosos.

Para isso, o político teria contado com a ajuda de Joneuma Silva Neres, que foi diretora do Conjunto Penal de Eunápolis.

As investigações apontam que a gestora mantinha um relacionamento com Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, que é apontado como chefe do grupo criminoso e está entre os homens que fugiram.

A denúncia detalha que ela começou a trabalhar politicamente a favor da organização criminosa e organizava encontros entre Dadá e Uldurico Júnior.

Uldurico seria padrinho político de Joneuma e a teria indicado para o cargo de diretora do presídio. A ex-diretora alega que Uldurico é pai da filha dela, cujo nascimento aconteceu enquanto ela estava presa em 2025.

Ela nega o relacionamento com Dadá e segue pedindo o reconhecimento da paternidade da filha pelo ex-deputado Uldurico. A defesa de Joneuma afirma que um exame de DNA, que está em poder da família, comprovaria o vínculo.

Em nota enviada à TV Bahia, a defesa de Uldurico Júnior informou que o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foi recebido com surpresa. Afirmou ainda que está à disposição das autoridades para esclarecimentos, negou qualquer irregularidade e enfatizou que isso será provado.

Sobre a suposta paternidade da filha de Joneuma, a defesa do ex-candidato afirma que não foram informados do laudo em posse da família da ex-diretora. Além disso, informa que a realização de um teste em um laboratório de confiança do político já foi solicitada.

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