A Inteligência Artificial (IA) consolidou-se na Bahia prioritariamente como uma ferramenta de consulta e esclarecimento de dúvidas, superando as funções de criação de conteúdo. É o que revela a mais recente pesquisa da AtlasIntel/A TARDE, que mapeou o comportamento dos usuários da tecnologia no estado.
Os números revelam que o baiano adotou a Inteligência Artificial como uma enciclopédia em tempo real, deixando as funções criativas em segundo plano:
Perfil de utilidade
Os dados da pesquisa sugerem que o baiano enxerga a IA como um "assistente de conhecimento" prático, ocupando um espaço anteriormente restrito aos motores de busca tradicionais.
Em vez de delegar a produção de obras completas às máquinas, a maioria da população prefere utilizar a tecnologia para resolver lacunas de informação no cotidiano.
A proximidade estatística entre quem escreve textos e quem gera imagens com o auxílio da IA demonstra que essas habilidades técnicas, embora em crescimento, ainda representam um nicho específico de uso profissional ou artístico, enquanto o acesso à informação permanece como o grande motor de adesão à tecnologia.
As reflexões da psicopedagoga Iris Alves sobre os dados da pesquisa AtlasIntel/A TARDE revelam um cenário em que a inteligência artificial não é apenas um repositório de dados, mas um novo agente no ecossistema de aprendizagem.
"A mudança do abrir o livro para a pergunta direta, indica que a curiosidade agora é mediada pelo diálogo. Já o uso predominante para sanar dúvidas, que é três vezes superior à criação de textos, mostra que o baiano utiliza a ferramenta como um apoio pedagógico", diz Iris Alves - psicopedagoga.
Do ponto de vista psicanalítico e psicopedagógico, Iris diz que o conhecimento se constrói no tempo da busca e da elaboração. "Se a IA substitui o pensamento, há perda de experiência. Se ela dispara novas perguntas, há ganho", afirma.
"O cérebro humano é atraído pela gratificação imediata, mas a aprendizagem significativa exige esforço e erro. Receber respostas prontas pode prejudicar a memória de longo prazo", reitera.
Para Iris, as instituições de ensino devem focar em ensinar os alunos a questionar. "Deixa de ser o detentor da informação para se tornar curador, mediador e provocador intelectual".
Pensamento crítico, análise de fontes, ética digital e cruzamento de dados. As novas gerações, habituadas à resposta instantânea, têm maior dificuldade em lidar com o não sei ainda.
A profissional conclui que "o tempo de espera é fundamental para o amadurecimento intelectual e que embora sejam mais ágeis e colaborativos, os jovens precisam de auxílio para equilibrar essa rapidez com a profundidade emocional".
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