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O avanço das ferramentas de Inteligência Artificial tem levantado o debate o uso dessas ferramentas para propagação de peças e notícias falsas, as chamadas fake news. Os impactos causados pela divulgação de informações inverídicas já causa preocupação entre os baianos. É o que aponta o levantamento AtlasIntel, encomendado e divulgado pelo Grupo A TARDE.
A pesquisa traz o seguinte questionamento para seus respondentes: Qual seu nível de preocupação com os seguintes possíveis impactos da IA?
A resposta 'criação e disseminação de notícias falsas ou desinformação' aparece como a maior preocupação entre os baianos, com 68% dos respondentes mostrando 'extrema preocupação'.
Outros 8% se mostram 'bastantes preocupados', enquanto 7% se colocam como 'moderadamente preocupados'.

O Portal A TARDE repercutiu os números da pesquisa com especialistas na área de Inteligência Artificial, que analisaram o levantamento e a visão dos baianos com relação ao tema.
Diretora-executiva da Ciberian Tecnologia, Jumara Vaz afirmou que os números refletem uma "percepção legítima" da população. Ela apontou, no entanto, que é importante frisar que a IA não é a criadora da desinformação, mas sim uma ferramenta que, em uso irresponsável, propaga as notícias falsas em alta velocidade e capacidade de maior volume.
"Esse número reflete uma percepção muito legítima da população. A preocupação é justificável, sim, mas é importante contextualizar: a IA não criou a desinformação, ela apenas a escala em velocidade e volume nunca vistos antes", defendeu a especialista.
Jumara Vaz destacou também o fácil acesso aos dispositivos tecnológicos como 'culpados' pela propagação das informações e peças falsas. A falta do que ela chama de "educação midiática" também é um fator preocupante.
"O que antes exigia equipes e recursos, hoje qualquer pessoa com um celular pode produzir conteúdo falso com aparência altamente profissional. O que me preocupa não é o medo em si, mas a ausência de educação midiática para lidar com esse cenário. O antídoto para o medo é o conhecimento, e precisamos investir nisso", pontuou.
O Congresso Nacional já debate uma regulação do uso da IA, por meio do Projeto de Lei 2338/2023, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que prevê um conjunto de normas sobre o tema.
"Esta Lei estabelece normas gerais de caráter nacional para o desenvolvimento, implementação e uso responsável de sistemas de inteligência artificial (IA) no Brasil, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais e garantir a implementação de sistemas seguros e confiáveis, em benefício da pessoa humana, do regime democrático e do desenvolvimento científico e tecnológico", diz trecho do Art.1 do PL, que já foi aprovado pelo Senado, mas ainda passa por discussões na Câmara dos Deputados.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também enviou, por meio do Ministério de Gestão e Inovação, um Projeto de Lei que versa sobre o assunto.
Um dos principais especialistas do tema na Bahia, Leo Villanova falou sobre as iniciativas no debate político, mas alertou que a resolução do uso de ferramentas IA para a disseminação das informações falsas não passa apenas pela aprovação de um marco regulatório.
Ainda de acordo com Leo Villanova, o processo passa por três etapas:
"A regulação é importante para definir responsabilidades, principalmente das plataformas, criar limites, dar mais transparência [...] Mas a tecnologia sempre vai evoluir mais rápido que a legislação. Então, na prática, o combate a essa desinformação depende de três partes na mesma proporção: regulação, tecnologia e suas ferramentas de detecção e comportamento do usuário. Se a gente focar só na regulação, o problema continuará", explicou.
Seguindo uma linha parecida, Jumara Vaz alertou para o risco da regulação nascer "defasada", a depender de quando for aprovada e do que estiver previsto no texto, embora considere a iniciativa como "indispensável".
"Se ela for excessivamente rígida, nasce defasada. Se for superficial, não produz efeito. Por isso, o caminho mais consistente é um modelo combinado. Regulação inteligente, com princípios e diretrizes adaptáveis. Compromisso das empresas de tecnologia com transparência e controle de risco. E uma sociedade mais preparada, com capacidade crítica para consumir informação. Sem esse equilíbrio, qualquer solução será parcial. Com ele, é possível reduzir significativamente o impacto da desinformação, inclusive em cenários eleitorais", afirmou.
As atenções sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) de maneira irresponsável já faz parte do debate político, mas ganha um olhar diferente em ano eleitoral. Às vésperas do início das eleições, o Portal A TARDE também perguntou aos especialistas consultados sobre os cuidados que devem ser tomados pelos eleitores.
Leo Villanova aponta que ainda não há uma forma eficaz de identificar de maneira rápida se os vídeos, fotos e áudios são ou não manipulados por Inteligência Artificial, mas citou alguns sinais que podem servir de alerta para os eleitores que receberam tais conteúdos.
Quando a pessoa recebe algo e sai compartilhando sem pensar, aí ela vira parte do problema. Se a gente criasse o hábito de pensar e desconfiar um pouco mais, já reduziria muito esse impacto
Questionada sobre o tema, Jumara apontou ferramentas que podem colaborar com a identificação de peças manipuladas. São elas:
Ela também citou sinais que podem servir para identificação dos materiais alterados por IA, e frisou a necessidade de conferir a veracidade da informação em sites confiáveis.
"Em vídeos, preste atenção ao piscar dos olhos, pois deepfakes muitas vezes erram nesse detalhe, e à sincronia entre lábios e voz. Em imagens, observe bordas irregulares, mãos com dedos malformados e fundos com padrões estranhos, já que a IA ainda erra muito nesses pontos. Em áudios, pequenas variações mecânicas no ritmo da fala são um sinal de alerta", afirmou.
A pesquisa AtlasIntel/A TARDE teve 1.718 respondentes, via recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), entre os dias 20 e 25 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais (2±2 p.p.), e o nível de confiança é de 95%.
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