Após 32 anos, a Justiça da Bahia condenou três empresas por danos causados à cidade de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. A sentença reconhece que a antiga fábrica de ligas de chumbo transformou o município em um “repositório tóxico”.
A decisão foi assinada pela juíza Emília Gondim Teixeira, no último dia 4, de acordo com o Uol. Ela determinou o pagamento de indenizações às vítimas e a reparação da área contaminada. A fábrica operou entre 1960 e 1993 e deixou toneladas de escória de chumbo e cádmio espalhadas pela cidade.
Segundo estudos, cerca de 1.200 famílias vivem a menos de 500 metros da antiga fundição. Crianças da periferia foram as mais afetadas. A juíza reconheceu que o caso envolve racismo ambiental, já que a maioria dos atingidos é negra.
As empresas condenadas são Trevisa Investimentos, Yara Brasil Fertilizantes e Plumbum Comércio. Elas sucederam a Cobrac, antiga responsável pela fundição. Todas recorreram da decisão.
A Justiça determinou indenizações entre R$ 100 mil e R$ 220 mil, dependendo do grau de contaminação. Moradores que usaram escória para pavimentar quintais e ruas receberão R$ 30 mil. Pessoas negras terão acréscimo de 25% no valor.
Além disso, foi ordenada a retirada da escória em um raio de 5 km da fábrica e a criação de um fundo de R$ 5 milhões para projetos sociais voltados a crianças e adolescentes da cidade.
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