Uma articulação comandada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) garantiu a adesão de partidos como PP, União Brasil e Republicanos, e conseguiu a quantidade necessária de votos para que a Câmara dos Deputados paute anistia a Jair Bolsonaro logo depois do julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a mudança no cenário, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) admitiu a deputados que é praticamente inevitável colocar a matéria para votação. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
Tarcísio desembarcou em Brasília nesta semana para articular o movimento das legendas para que passassem a defender a votação da anistia. Como contrapartida, aliados do governador esperam que a desconfiança da família do ex-presidente em relação a ele se dissipe, e que Bolsonaro o apoie para a Presidência da República em 2026.
Em uma reunião com líderes partidários, Motta admitiu que há maioria entre eles para que a matéria seja apreciada. Mas afirmou que, antes de pautá-la, vai conversar com o Senado, que tem que aprovar a matéria na sequência, e com o próprio STF. A assessoria de Motta disse que ainda não há data, texto nem relator da matéria.
Reação
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, estava na reunião. Ele afirma que "um golpe está sendo arquitetado no parlamento no primeiro dia do julgamento de Bolsonaro".
"No momento em que todo o Brasil tem a expectativa de condenação e prisão de Jair Bolsonaro, aqui no parlamento, com articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, os maiores partidos anunciam que, acabado o julgamento, vão colocar para votar a anistia", disse ainda em um vídeo.
"É um desrespeito à Constituição", segue ele. "Já tem decisão do STF dizendo que crime contra estado democrático de direito não é passível de anistia", conclui.
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