Tradição em cidades baianas como Senhor do Bonfim e Cruz das Almas, a guerra de espadas permanece proibida no estado, embora exista um movimento crescente por parte de setores da sociedade para liberar a brincadeira, a partir da regulamentação dos artefatos explosivos utilizados na ação.
A proibição está baseada no Estatuto do Desarmamento, considerando a clandestinidade da produção das espadas, que ainda não tem aprovação do Exército. A instituição é responsável, dentre outras atribuições, pela regularização e classificação de todos tipos de fogos produzidos no País.
No Território de Identidade Piemonte Norte do Itapicuru, a Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (Acesb) busca ao longo dos últimos anos meios para a produção legalizada das espadas, e assim acabar com a proibição.
Em abril, uma comitiva representando a associação esteve em Santo Antônio do Monte (MG), apontado como maior polo pirotécnico do Brasil, onde foi assinado um Termo de Cooperação Técnica com o Sindicato das Indústrias de Explosivos de Minas Gerais (Sindiemg).
No entanto, para este São João ainda não existe perspectiva para a realização de uma guerra de espadas regulamentada, de acordo com o presidente da Acesb, Alex Barbosa. Segundo ele, o primeiro passo já foi dado.
Barbosa pontuou que a procura pelo suporte técnico visa avançar com a certificação legal da produção das espadas, “único caminho que temos”, asseverou.
O espadeiro destacou que o grupo não recomenda as pessoas a soltarem os artefatos enquanto não tiverem a fabricação legalizada. “Estamos cansados com esta pressão”, desabafou, enfatizando que, desde o início da proibição, em 2015, a entidade busca o diálogo “e a defesa desta tradição cultural”.
Em 2017, a câmara municipal concedeu aos espadeiros o título de patrimônio imaterial do município. No entanto, lembrou Barbosa, o título foi considerado inconstitucional pela Justiça.
Ele citou que ainda no processo de regularizar a manifestação, no mês passado, a associação foi reconhecida pela câmara local e pela Assembleia Legislativa da Bahia como de utilidade pública.
Uma comissão mista, da qual a Acesb faz parte, busca o reconhecimento do São João de Senhor do Bonfim (com a guerra de espadas) como patrimônio cultural imaterial da Bahia. Além de valorizar a festa, o título reforça a atração de turistas com foco no movimento econômico gerado com os festejos na cidade.
“Na semana passada, cerca de 150 pessoas de Senhor do Bonfim se deslocaram para Lagarto (SE) para participar da brincadeira naquela cidade, onde tem a permissão legal para acontecer”, pontuou Barbosa, defendendo que na Bahia poderia haver a mesma compreensão por parte das autoridades.
Em Sergipe, a guerra de espadas acontece livremente também na cidade de Estância, citou o espadeiro, ressaltando que além de defender a manifestação cultural popular, eles também entendem a sua importância para o turismo e, consequentemente, para a economia regional.
Na Bahia, este ano, foram apreendidas 1.250 espadas prontas para comercialização e mais de uma tonelada de insumos, como pólvora, que seriam utilizados na fabricação de artefatos clandestinos.
Os números são da Polícia Civil da Bahia, e resultam de operações distintas e com participação de outros órgãos e instituições de segurança em três municípios do Recôncavo no mês de maio.
Na soma, a apreensão identificou cerca de 122.400 unidades de fogos de diferentes tamanhos, das quais mais de 100 mil foram localizadas em uma residência no bairro Maria Preta, em Santo Antônio de Jesus.
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