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Política Quilombola de Tócos

Comunidade quilombola de Tócos celebra trajetória de Mestre Satú e Mestra Tonha em rito público de salvaguarda

Aos 83 anos, sua força segue presente não apenas na lembrança, mas na prática cotidiana da oralidade, elemento central da identidade quilombola

09/02/2026 09h05
Por: Mayara Nayllanne
Comunidade quilombola de Tócos celebra trajetória de Mestre Satú e Mestra Tonha em rito público de salvaguarda

A comunidade quilombola de Tócos, em Antônio Cardoso, viveu neste domingo (8) um momento de forte significado simbólico e cultural. Saturnino Nery, aos 83 anos, e Antônia Nery tiveram suas trajetórias reconhecidas durante o Rito Público de Salvaguarda dos Mestres da Oralidade e dos Saberes Tradicionais, realizado na Associação Rural Quilombola da comunidade.

O reconhecimento foi construído a partir da vida vivida e compartilhada. Mestre Satú é conhecido em Antônio Cardoso como referência da tradição oral, guardião de histórias, memórias e ensinamentos que atravessam gerações. Ao longo de décadas, sua palavra orientou, aconselhou e fortaleceu vínculos comunitários, mantendo viva a história do território e de seu povo.

Aos 83 anos, sua força segue presente não apenas na lembrança, mas na prática cotidiana da oralidade, elemento central da identidade quilombola. Sua trajetória se confunde com a própria formação cultural de Antônio Cardoso, onde sua presença sempre foi associada à escuta, ao saber transmitido e ao cuidado coletivo.

Ao lado dele, Mestra Tonha também teve sua caminhada celebrada. Reconhecida pela partilha de saberes tradicionais e pelo papel fundamental na sustentação da memória comunitária, ela representa a força das mulheres na preservação da cultura, das práticas ancestrais e das relações de pertencimento.

O rito contou com a presença do prefeito Jocivaldo dos Anjos, que acompanhou a cerimônia e destacou a importância do reconhecimento dos mestres como patrimônios vivos do município. A participação do gestor reforçou o sentido público do ato, marcado pelo respeito às comunidades quilombolas e aos saberes que não se aprendem apenas nos livros.

Mais do que uma cerimônia formal, o rito foi um gesto coletivo de escuta e valorização da ancestralidade. Histórias foram narradas, memórias compartilhadas e símbolos acionados para reafirmar que a oralidade segue sendo fundamento de identidade, resistência e continuidade cultural em Antônio Cardoso.

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