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Geral Mês dos pais

A importância da paternidade na vida e no desenvolvimento de uma criança

A pedagoga e Educadora Parental Camila Maciel e a Coordenadora da Defensoria Pública em Feira de Santana, Liliane do Amaral, falam sobre o assunto.

15/08/2022 11h38
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
A importância da paternidade na vida e no desenvolvimento de uma criança

Foi na virada desse século que os pesquisadores descobriram um detalhe fascinante sobre os homens. Seus corpos, comportamentos e relações se transformam quando eles se tornam pais. Mas qual a importância da paternidade na vida e no desenvolvimento de uma criança? Sobre esse assunto, conversamos com a pedagoga e educadora parental Camila Maciel.

Para Camila, para falar da figura paterna primeiro precisa contextualizar. Hoje, a figura paterna dentro da sua função de cuidados vem se modificando. Antes, a mãe era mais era responsável diante dos cuidados e hoje se vê uma mudança tímida, mas significativa dessa função paterna na criação e na educação dos filhos. “O pai, assim como a mãe, também é um dos cuidadores principais da criança. São as figuras de referência e precisam ter uma atitude de responsabilidade, de cuidado, de olhar para necessidade do filho, de estar atento, de perceber e de responder a essas necessidades”.

Apesar de hoje ter uma divulgação maior, desde 1960, com os estudos sobre a teoria do apego, vemos a ciência demonstrando a importância de você ter pais, tanto a figura paterna quanto a materna, responsivos, atentos às necessidades das crianças e oferecendo esse ambiente, essa segurança para que as crianças possam se desenvolver de forma saudável.

“A paternidade, o pai, precisa ser um exemplo de comportamento, de uma figura de suporte para as mães também porque sabemos e tem cuidados que são mais a figura materna e que o pai entra aí nesse papel de suporte, de dar as condições para que as mães possam também desenvolver os cuidados e estar nesse apoio junto com a figura materna”.

Existem pais que quando saem para trabalhar o filho está dormindo e quando chegam do trabalho também. Isso faz com que ele acabe não tendo a presença afetiva. Quando não se tem essa figura paterna presente, alerta a pedagoga, os prejuízos podem ser tanto de uma negligência infantil. “Negligência que eu falo no sentido de que a criança não tem as condições, tanto emocionais quanto físicas para que se desenvolva”.

Quando se fala no cuidado com a criança, com a infância, muitas vezes as pessoas se limitam muito aquele cuidado operacional, do fazer comida, dar banho. Ela ressalta que precisamos entender que a criança tem uma questão emocional. A criança é emoção pura e por isso precisamos nos preocupar também com esse lado emocional. Quando não se tem um pai, uma figura paterna, que participa, que está ali presente, interessado, que dá o suporte a figura materna para que ela possa fazer os cuidados, se temos um processo de negligência, de falta de responsabilidade, cria-se vinculações que não são seguras, não são baseadas no apego seguro.

“São vinculações frágeis, negligentes. A criança tem um sentimento de desamparo, de abandono. Quando não tem essa responsabilidade, quando não tem um pai presente, não desenvolvendo a sua função paterna”.

Segundo a pedagoga, a paternidade começa, em sua visão, desde o momento que se tem um casal, seja heteroafetivo ou homoafetivo, que decide que vai ter um vai ter um filho e vai desde a via natural ou por outras formas como a adoção. “A parentalidade é uma doação. O pai, desde antes do filho nascer, da chegada dessa criança, precisa estar dando condições para que essa mulher tenha uma gestação tranquila porque isso interfere. Os estudos mostram o quanto a mulher precisa desse amparo, dessa rede de apoio, desde a gestação. Quando a criança nasce, no momento do puerpério, o pai precisa estar ali porque entendemos que esse momento inicial é muito da figura materna, mas a paternidade entra como suporte, como rede de apoio”.

Camila salienta que, a medida que a criança vai crescendo, entra a divisão das tarefas com os cuidados. O pai precisa entender que ajudar a mãe não é dividir com a mãe as atividades. “Os cuidados com a criança não é uma ajuda, é uma obrigação, é parceria porque a criança precisa tanto do cuidado paterno quanto do cuidado materno. “Quando isso não existe, temos uma sobrecarga materna muito grande que interfere nessa relação, nesse estabelecimento vínculo com a criança. Além de a criança não ter presente o pai, não ter a participação da figura paterna que para ela também serve como exemplo, como forma de moldar os seus comportamentos”.

Se trabalha hoje com a ideia de uma parentalidade consciente. É o pai reconhecer a sua educação, a forma como foi educado e tentar não replicar no seu filho essa mesma educação naquilo que para ele não foi bom. “Quando se entende que dentro da sua educação teve algo que para você foi violência e que não gostou, que sabe que trouxe para você algum prejuízo emocional, isso precisa estar na consciência da figura paterna para que não possa replicar com seus filhos”.

Os estudos da pedagoga mostram que a criança ela tem quatro necessidades, são os quatro pesos, que vem da teoria do apego: a necessidade de proteção, de ter uma figura paterna que proteja nos aspectos físicos e também em presença afetiva, emocional. “É o pai estar interessado no dia a dia a criança, nos acontecimentos, na vida, com um olhar direcionado pra essa criança”.

A criança precisa ainda de um ambiente previsível. “Quando falamos do pai como rede de apoio, de suporte para que a criança tenha uma previsibilidade não só de rotinas, de atividades, mas uma previsibilidade emocional. E ainda as brincadeiras. “Um pai participativo, que se envolve nas brincadeiras, nas rotinas que valem pro poço, que tiram um momento dentro da sua rotina de adulto que é tão corrida para se dedicar a essa brincadeira, esse estar presente com os filhos”.

Ela diz ainda que hoje vivemos em uma sociedade com adultos com problemas emocionais e muitos deles começam na infância. “Precisamos ter um olhar muito atento para a infância, que é um momento delicado do desenvolvimento humano, e das figuras materna e paterna nesse processo”.

Você sabia que a paternidade exercida por um cadastro, tio, padrinho ou outro ente pode ser judicialmente reconhecida? Nesse ano, a Defensoria Pública do Estado da Bahia promove a ação cidadã “Sou Pai Responsável”, que dessa vez chama atenção para essa conexão afetiva. A coordenadora da Defensoria Pública em Feira de Santana, Liliane do Amaral fala sobre o assunto.

Ela explica que o órgão, durante esse mês de agosto em alusão ao Dia dos Pais, vai reeditar ação “Sou O Pai Responsável” que é um programa que já existe desde 2007 na Defensoria Pública e que presta atendimento específico para comprovação da paternidade por via do exame de DNA gratuito. “Esse ano terá um novo foco, que é a paternidade socioafetiva. Essa paternidade consiste em se ter em assentamento do registro de nascimento o nome do pai de afeto, que não é o pai biológico, mas que a pessoa que dedicou direitos e deveres inerentes à paternidade aquele indivíduo, seja criança, adolescente ou adulto, durante a sua vida. E por conta disso, tem características de pai e que mereça ter o seu nome assentado no registro de nascimento”.

Ela disse que o órgão vai distribuir material educativo, informativo e está promovendo em sua sede e nas demais unidades vinculadas em todas as regionais da Bahia, concomitantemente, palestras, discussões, rodas de conversa para que durante o mês de agosto a ação “Sou Pai Responsável” seja intensificada em todas as unidades de Defensoriais. “Estamos de portas abertas com o material, com kits de coleta para atender a essa demanda que se intensifica um pouco durante o mês de agosto e esperamos todos que precisem de informações e efetivamente dos serviços da Defensoria Pública”, finalizou.

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