O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram críticas e apresentaram propostas sobre economia, infraestrutura, saúde, educação e políticas sociais durante o último debate presidencial promovido pela TV Globo, nesta sexta-feira (23), antes da votação do segundo turno, marcada para domingo (25). O encontro, mediado pelo jornalista César Tralli, também foi marcado por ataques pessoais entre os candidatos.
Na discussão sobre infraestrutura e exportações, Flávio afirmou que o Brasil tem mais de 11,5 mil obras paralisadas e prometeu ampliar a malha ferroviária, concluir a Transnordestina e garantir recursos para o seguro rural e o Plano Safra. Lula rebateu dizendo que herdou cerca de 6 mil obras paradas e destacou investimentos em rodovias, ferrovias e projetos de integração nacional. O presidente também afirmou que seu governo abriu 700 novos mercados internacionais e ampliou as exportações brasileiras, criticando a aproximação do adversário com Donald Trump durante a imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais.
A política econômica também gerou divergências. Flávio acusou o governo de elevar a carga tributária, aumentar o endividamento da população e comprometer o poder de compra dos brasileiros. Prometeu reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação. Lula, por sua vez, afirmou que os governos petistas garantiram aumentos reais ao salário mínimo e defendeu medidas para renegociar dívidas, com descontos que poderiam chegar a 95%. O senador também apresentou uma proposta de refinanciamento de débitos por meio da Caixa Econômica Federal, com suspensão temporária dos pagamentos.
Na área da saúde, Lula questionou como Flávio pretende melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS) caso promova cortes de gastos. O senador criticou filas para consultas e cirurgias, além da falta de medicamentos, mas garantiu que manterá investimentos na rede pública. Sobre educação, Lula prometeu universalizar o ensino integral e ampliar o programa Pé-de-Meia, inclusive para universitários. Flávio acusou o governo de zerar o orçamento federal destinado ao ensino integral e criticou a política de apostas on-line.
As políticas sociais também foram alvo de confronto. Lula questionou o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade para 180 dias, quando o senador era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio reconheceu que estava errado e afirmou que, após se tornar pai, passou a compreender melhor a importância do período de convivência entre mães e filhos. O presidente também criticou declarações anteriores do adversário sobre o Bolsa Família.
Os candidatos ainda divergiram sobre saneamento básico, recuperação do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, investimentos no Nordeste e combate ao crime organizado. Flávio prometeu ampliar investimentos regionais e governar em parceria com estados independentemente de alinhamento político. Lula destacou obras, universidades, hospitais e institutos federais.
O debate teve momentos de tensão quando Flávio chamou Lula de “nove dedos”, em referência à perda de um dedo do presidente em um acidente de trabalho. Lula reagiu chamando o senador de “miliciano”. Os dois também trocaram acusações sobre a condução do país e a responsabilidade pelo endividamento dos brasileiros.
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