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Feira de Santana Greve

Trabalhadores dos Correios entram em greve e apontam plano de saúde como principal reivindicação

Em Feira de Santana, categoria afirma que cerca de 70% dos trabalhadores aderiram à paralisação e relata impacto nas entregas.

16/09/2026 08h36 Atualizada há 40 minutos atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Boca de Forno News
Foto: Boca de Forno News

Os trabalhadores dos Correios iniciaram uma paralisação e apontam o plano de saúde como uma das principais questões que motivaram o movimento nacional. Em Feira de Santana, a categoria afirma que cerca de 70% dos funcionários aderiram à greve e que, nesta terça-feira (15), praticamente não houve operação de distribuição de encomendas no Centro de Distribuição localizado entre as avenidas João Durval e outras vias da região.

Em entrevista do Portal Boca de Forno News, Jobson Barbosa, diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, explicou que a principal reivindicação está relacionada ao custeio do plano de saúde dos trabalhadores. “Hoje o foco da nossa paralisação, o principal ponto, é a questão do plano de saúde, que hoje existe um regime de coparticipação e a empresa quer empurrar goela abaixo da gente para arcar com 100% das despesas do nosso plano”, afirmou.

Segundo Jobson, a adesão à paralisação em Feira de Santana chega a aproximadamente 70% dos trabalhadores. Ele também relatou dificuldades na operação do Centro de Distribuição, principalmente pela ausência de novas cargas. “Hoje a gente está com uma adesão de mais ou menos 70% dos trabalhadores em greve. Mas, em termos operacionais, entrega hoje praticamente não existiu. Os poucos que estão trabalhando tiveram dificuldade”, disse.

De acordo com o representante da categoria, a unidade recebe cargas provenientes de Salvador e de outros estados, mas nenhum caminhão ou carreta teria chegado ao centro nesta terça-feira. “A carga que estava aí, a de ontem, já conseguiu sair. A de hoje não saiu nada, porque aqui recebe carga de Salvador e de outros estados e não chegou nenhum caminhão, nenhuma carreta para distribuição hoje aqui”, relatou.

Encomendas afetadas

Jobson explicou que não há um número exato de encomendas e correspondências afetadas pela paralisação, mas destacou que o volume diário é significativo. “A média exata a gente não tem, mas aqui são centenas de encomendas diárias que saem daqui. Hoje não saiu nada”, afirmou.

O trabalhador também informou que a paralisação em outras unidades de distribuição interfere diretamente no funcionamento do centro em Feira de Santana. “Hoje não chegou carga. E amanhã a previsão também é de não chegar, porque está parado o centro principal de distribuição de Salvador. Tem São Paulo parado e toda a carga está parada”, explicou.

Negociações

Sobre as negociações com a empresa, Jobson afirmou que a última reunião ocorreu na semana passada. Segundo ele, houve apresentação de uma proposta de reajuste, mas a categoria considera que pontos importantes do acordo anterior foram retirados. “O último dia quem fez, sentou para negociar com a gente foi na semana passada. Ela ofereceu a proposta do índice nacional de preços ao consumidor, mas, das nossas cláusulas do acordo passado, ela retirava duas questões de fundamental importância, e a questão do plano de saúde que ela não quer mais assumir”, declarou.

O representante dos trabalhadores destacou que a categoria não rejeita a discussão sobre reajuste salarial, mas considera o plano de saúde o principal ponto da negociação. “Não é questão de salário. Pelo índice nacional de preços ao consumidor a gente aceita a proposta, mas a questão principal, nosso foco, é o plano de saúde”, afirmou.

Greve por tempo indeterminado

A paralisação, segundo Jobson, deve continuar por tempo indeterminado. Ele informou que está previsto para o próximo dia 21 um julgamento no Tribunal Superior do Trabalho (TST) relacionado ao dissídio da categoria. “A greve é por tempo indeterminado. A princípio, tem um julgamento no TST de dissídio no próximo dia 21”, explicou.

Antes do julgamento, no entanto, a categoria afirma estar disposta a voltar à mesa de negociação caso a empresa apresente uma nova proposta. “Geralmente antes do dissídio existe uma mesa de conciliação e, se a empresa tiver interesse em negociar, sentar para nos oferecer algo melhor, principalmente relacionado ao plano de saúde, a gente senta para conversar. Não tem problema nenhum, a gente tem disposição para isso”, afirmou.

Jobson também destacou que os trabalhadores reconhecem o impacto da paralisação para a população. “Também não temos interesse que a população sofra. A gente presta um serviço de qualidade, quer prestar esse serviço, mas, diante das circunstâncias do que a empresa tem feito com a gente, não só o reajuste salarial, a gente chegou a essa situação”, disse.

Orientação para quem aguarda encomendas

Para quem está esperando encomendas ou correspondências, Jobson orientou que, durante a paralisação, existe a possibilidade de buscar informações diretamente no Centro de Distribuição, embora o movimento esteja afetando a chegada de novas cargas. “Enquanto a greve durar, se alguém tiver algo para receber, que procure aqui com as pessoas que estão trabalhando, mas dificilmente vai ter algo aí”, orientou.

Segundo ele, algumas encomendas que chegaram até a segunda-feira ainda podem estar disponíveis na unidade. “Existe aquele quantitativo de funcionários que está trabalhando aqui mesmo nesse centro. Algumas pessoas podem chegar aqui e as encomendas que chegaram até a segunda-feira podem ter a possibilidade de estar aí. Mas hoje não chegou carga”, explicou.

Ele acrescentou que uma situação diferente pode ocorrer com encomendas que já estavam em processo de entrega. “A não ser que seja aquele tipo de comércio que o carteiro foi, não achou uma pessoa em casa, deu uma nota de ausente. Aí está aqui. Mas das cargas, nada chegou”, disse.

A categoria afirma que aguarda os próximos passos das negociações e o julgamento previsto para o dia 21. “Nossa pauta de reivindicações já foi entregue à empresa há meses. Ela tem conhecimento do que nós reivindicamos. Se ela tiver interesse em negociar, a gente negocia. Caso contrário, vamos esperar o dia 21 para o julgamento”, concluiu Jobson Barbosa.

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