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Feira de Santana Limpeza

Moradores da Lagoa Salgada reclamam de prazo curto para retirada de materiais durante revitalização da área

Famílias que trabalham com paletes e reciclagem afirmam que receberam apenas três dias para desocupar o espaço e alegam falta de local adequado para armazenar os materiais; Prefeitura já iniciou a limpeza da área.

14/09/2026 11h47
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

Moradores da região da Lagoa Salgada, em Feira de Santana, reclamam do prazo estabelecido para a retirada de materiais e estruturas existentes na área que passa por intervenções da Prefeitura Municipal. Segundo os moradores, a notificação para desocupação teria concedido apenas três dias, período considerado insuficiente para retirar paletes, materiais recicláveis e outros objetos utilizados como fonte de renda por famílias que trabalham no local. A situação ocorre na Rua Pilão Arcado, no bairro Lagoa Salgada, onde a Prefeitura iniciou a limpeza da área para a execução do projeto de revitalização. Os moradores afirmam que reconhecem a importância da intervenção, mas pedem mais tempo e, principalmente, um espaço para onde possam transferir os materiais antes da continuidade da limpeza.

Entre os moradores está Fernando da Pureza, conhecido como Dinho. Segundo ele, cerca de dez famílias dependem diretamente da atividade desenvolvida no local, principalmente da compra, produção, armazenamento e revenda de paletes. “O prazo que deram para a gente foi muito curto, apenas três dias. Aqui são dez famílias que trabalham com paletes e tiram daqui a renda para sobreviver. A gente não tem para onde colocar esse material e o tempo foi muito pouco”, afirmou.

Dinho conta que a relação dos moradores com a área é antiga. Ele afirma que trabalha no local há mais de duas décadas e que, antes de atuar com paletes, trabalhava em uma olaria existente na região. “Eu praticamente nasci dentro da olaria. Depois, com a questão dos condomínios e das reclamações sobre a fumaça dos tijolos, a gente procurou trabalhar com outra atividade que não prejudicasse os vizinhos. Foi quando começamos a trabalhar com paletes”, relatou.

Fernando da Pureza - Foto: Boca de Forno News

Segundo o morador, a atividade atualmente funciona de forma semelhante a uma cooperativa, com compra, produção e revenda dos paletes. Ele estima que os investimentos realizados ao longo dos anos ultrapassem R$ 200 mil. “Aqui foi uma cooperativa. A gente compra, faz os paletes, revende e divide o lucro entre as famílias. Temos tudo anotado. Se o senhor entrar ali, não tem noção da quantidade de paletes que existe”, disse.

Dinho afirma que os moradores não são contrários à revitalização da Lagoa Salgada, mas defendem que a retirada dos materiais seja feita de forma planejada e com apoio do poder público. “Eles poderiam chegar e conversar com a gente. A gente não tem onde colocar os paletes. Poderiam arrumar uma área para a gente colocar esse material e dar um tempo para conseguirmos retirar tudo. Sem um local para armazenar, não temos como movimentar os paletes”, afirmou.

O morador também relatou um episódio ocorrido durante a chegada das equipes responsáveis pela intervenção. Segundo ele, houve um conflito com um agente da Guarda Municipal quando tentou entender o que estava acontecendo no local. “Eu parei o carro para saber o que estava acontecendo, porque estavam derrubando tudo. Houve uma situação com um guarda municipal, que queria me algemar. Mas uma pessoa que estava junto percebeu a situação e ajudou a acalmar as coisas”, contou.

Dinho afirma ainda que recebeu uma notificação que, segundo ele, indicava a possibilidade de recurso. Ele questiona, entretanto, a rapidez da ação. “Chegaram na quinta-feira e deram o prazo de três dias. Falaram que iam derrubar tudo no domingo, mas não vieram. Hoje chegaram e começaram a quebrar os portões e a derrubar as estruturas. A gente está sem saber o que fazer”, declarou.

Para o trabalhador, a principal preocupação é o impacto da retirada dos materiais sobre as famílias que dependem da atividade. “Jamais podemos aceitar perder o nosso trabalho, porque é daqui que tiramos o pão de cada dia. São dez famílias que dependem disso. O que vamos fazer agora? São dez pais de família que podem ficar sem trabalhar e com suas famílias em casa”, questionou.

Falta de tempo

Outra moradora ouvida pela reportagem foi Creuza Jesus da Silva. Ela afirma que utiliza o espaço para armazenar materiais recicláveis que coleta e posteriormente vende como forma de garantir sua renda. “Eu tenho o meu material lá, que eu cato e vendo. Não tenho aposentadoria e não tenho marido. Meu filho era aposentado, mas a pensão dele foi cortada. Então eu não tenho condições de me sustentar e é com isso que eu trabalho”, explicou.

Creuza afirma que possui aproximadamente dois mil quilos de material no local e que não conseguiu contratar alguém para fazer a retirada dentro do prazo estabelecido. “Eu tenho cerca de dois mil quilos de material. É com isso que eu tiro o meu dinheiro. Eu saí procurando um lugar e uma pessoa que pudesse vir retirar, mas não deu tempo. Foram apenas três dias e não tivemos como tirar tudo”, afirmou.

Segundo a moradora, o curto prazo também dificultou a contratação de um veículo ou de pessoas para transportar os materiais. Ela conta que tentou encontrar um local para armazená-los, mas não conseguiu resolver a situação a tempo. “Eu fui atrás de vários lugares, procurei ferro-velho e pessoas que pudessem retirar o material, mas não houve tempo. A gente não tem um local para colocar as coisas e precisa de mais prazo para conseguir retirar tudo”, disse.

Creuza da Silva - Foto: Boca de Forno News

Creuza também reclama da ausência de um diálogo prévio com os moradores antes do início da retirada. “Não houve diálogo. Quando a gente tentava conversar, não queriam que a gente falasse. Deram um papel, mas três dias não eram suficientes para desocupar o local. A gente precisava de mais tempo”, relatou.

A moradora afirma que não é contra a intervenção na Lagoa Salgada, mas pede que o poder público considere a realidade das famílias que utilizam o espaço para trabalhar. “O que eu espero é que eles tenham paciência. A gente precisa procurar um lugar para colocar os materiais e tirar tudo de lá com segurança. Só queremos um pouco mais de tempo para conseguir fazer isso”, afirmou.

Os moradores defendem que a retirada dos materiais seja realizada de maneira organizada, com prazo suficiente e, se possível, com a indicação ou disponibilização de um espaço provisório para armazenamento. Para eles, a principal preocupação é que a revitalização da área não represente a perda imediata da fonte de renda de famílias que trabalham no local há anos.

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