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Feira de Santana Prejuízos

Trabalhadores da Lagoa Salgada pedem espaço para manter atividade durante revitalização

Famílias que sobrevivem da comercialização de paletes e da reciclagem afirmam que receberam prazo de três dias para retirar materiais e pedem diálogo com a Prefeitura de Feira de Santana.

15/09/2026 17h48 Atualizada há 56 minutos atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

Enquanto a Prefeitura de Feira de Santana se prepara para realizar a revitalização da Lagoa Salgada, trabalhadores que atuam no local afirmam estar preocupados com o destino das atividades que garantem o sustento de suas famílias. Segundo os moradores, cerca de dez famílias trabalham com a compra, reforma e comercialização de paletes, além da reciclagem, e receberam um prazo de três dias para retirar os materiais armazenados na área. Sem outro espaço para onde levar os paletes, eles pedem que o município encontre uma alternativa e abra um canal de diálogo com os trabalhadores.

A equipe do Boca de Forno News esteve na Lagoa Salgada e conversou com trabalhadores que relataram as dificuldades enfrentadas diante da intervenção prevista para a região. Entre eles está Fernando da Pureza, conhecido popularmente como Dinho, que afirma ter nascido e crescido no local e ter uma ligação antiga com a atividade desenvolvida na área.

Segundo Dinho, a atividade com paletes já faz parte da realidade de sua família há muitos anos. Ele conta que, após a chegada de condomínios nas proximidades, os trabalhadores passaram a enfrentar reclamações relacionadas à fumaça e buscaram alternativas para continuar trabalhando. "A gente já nasceu e se criou aqui. Somos filhos do dono de olaria. Então, já temos olaria há muitos anos”.

Dinho - Foto: Boca de Forno News

De acordo com o trabalhador, diante das reclamações, o grupo procurou outra forma de sobrevivência e passou a atuar com paletes e reciclagem. "Depois que chegaram os condomínios, começou a reclamação deles, dizendo que a fumaça estava incomodando. E aí, para não ficar batendo de frente, a gente procurou outro meio de sobreviver”.

Dinho relata que os trabalhadores se reuniram e começaram a negociar a atividade com paletes. Segundo ele, posteriormente, a Prefeitura chegou ao local para determinar a retirada dos materiais.

Abordagem da Guarda Municipal

Durante a entrevista, Dinho também fez uma denúncia sobre a forma como, segundo ele, ocorreu a abordagem dos trabalhadores pela Guarda Municipal. Ele afirma que agentes chegaram ao local sob pressão e que um deles teria sacado uma arma durante a ação. "Chegou à Prefeitura agora, nesse momento, acabando com tudo”.

Questionado sobre a maneira como isso teria ocorrido, Dinho respondeu. "De arma na mão, dizendo que ia me prender. Arrastou o revólver. Todo mundo está de testemunha aí”. Ao ser perguntado se a situação envolveu a Guarda Municipal, ele confirmou. "Foi a Guarda Municipal. Chegou botando pressão”.

Ainda segundo o trabalhador, a intenção do grupo não é impedir a revitalização da Lagoa Salgada, mas encontrar uma alternativa para continuar exercendo suas atividades.

Foto: Boca de Forno News

Prazo de três dias preocupa trabalhadores

Um dos principais problemas apontados pelos trabalhadores é o prazo estabelecido para a retirada dos paletes e demais materiais. Dinho afirma que a Prefeitura teria dado apenas três dias para que tudo fosse retirado da área. "Três dias. Três dias para tirar tudo”.

O trabalhador explica que o problema não é simplesmente retirar os materiais, mas não ter outro local para armazená-los e continuar trabalhando. "Como você ouviu, não tem como tirar. Não tem onde botar”.

Dinho defende que o município encontre um terreno ou espaço adequado para que a atividade possa continuar. "Eu sugeriria assim: que eles arrumassem um local ou afastassem um terreno para a gente colocar. Para a gente continuar nosso trabalho, nosso dia a dia, para ganhar o pão”.

Segundo ele, aproximadamente dez famílias dependem diretamente da atividade desenvolvida no local. "Tem mais de dez famílias”. Os trabalhadores afirmam que a atividade envolve não apenas a comercialização de paletes, mas também serviços de reforma, carregamento e reciclagem. "Do palete e reciclagem. Aqui é palete e reciclagem”.

Renda das famílias

Dinho explicou ainda como funciona a comercialização dos paletes. Segundo ele, os trabalhadores repassam os materiais para um atravessador, que posteriormente os vende para empresas. "Sempre tem um atravessador. A gente passa para o rapaz, e o rapaz vende para as empresas”.

Ele acrescenta que os trabalhadores também atuam na reforma dos paletes e no carregamento dos veículos. "A gente trabalha na área de reformar, carregar carro”. Durante a reportagem, outros trabalhadores presentes no local também relataram preocupação com a retirada dos materiais.

Alisson Santana - Foto: Boca de Forno News

Alisson Santana Flores confirmou que trabalha com paletes e destacou a dificuldade diante do curto prazo estabelecido para a retirada. Segundo os trabalhadores, além do prazo reduzido, não existe atualmente um local definido para onde os materiais possam ser levados.

Trabalhadores pedem ajuda

Foto: Boca de Forno News

Outra moradora ouvida pela reportagem, identificada como Gávea da Suriname, também afirmou trabalhar com paletes e reciclagem. Ela reforçou que os trabalhadores não têm outro espaço para continuar a atividade. "Trabalhamos aqui com o palete e a reciclagem. Então, nós não temos para onde ir. A gente tem que pedir ajuda para ver se eles fazem alguma coisa para ajudar a gente”.

Para ela, o principal pedido ao poder público é que seja apresentada uma solução que permita às famílias continuar trabalhando. "Dê uma solução para ajudar a gente, porque a gente não pode ficar sem trabalhar. A gente vive disso e tem nossas contas”.

A trabalhadora também chamou atenção para a responsabilidade de sustentar os filhos. "A gente tem criança. Como é que a gente vai dar comida às crianças? Como é que vai sobreviver?" A preocupação, segundo os relatos, não está apenas na retirada dos materiais, mas nas consequências econômicas que a interrupção da atividade pode provocar para as famílias que dependem dessa renda.

Grupo não é contra a revitalização da Lagoa

Apesar das dificuldades relatadas, Dinho fez questão de afirmar que os trabalhadores não são contrários ao projeto de revitalização da Lagoa Salgada. Questionado pela reportagem se o grupo é contra a revitalização, ele foi enfático. "De maneira alguma. De maneira alguma”.

Segundo ele, o que os trabalhadores reivindicam é uma alternativa que permita a continuidade da fonte de renda. "A gente quer uma solução que não deixe a gente desamparado”. O pedido, portanto, é para que a Prefeitura estabeleça um diálogo com os trabalhadores e encontre um espaço onde os paletes possam ser armazenados e a atividade possa continuar.

Foto: Boca de Forno News

A situação exposta pelos trabalhadores coloca em discussão a necessidade de conciliar a revitalização da área com a preservação das condições de subsistência das famílias que atualmente dependem das atividades desenvolvidas no local.

Os moradores esperam que o município apresente uma solução antes da retirada dos materiais, evitando que as famílias fiquem sem espaço para trabalhar e, consequentemente, sem sua principal fonte de renda.

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