Três pessoas de diferentes áreas profissionais foram presas em Salvador durante uma operação que investiga um esquema de criação e negociação de títulos de crédito e recebíveis fraudulentos. Segundo a Polícia Civil, o grupo movimentou mais de R$ 32 milhões e causou prejuízo superior a R$ 15 milhões.
Entre os presos estão um contador apontado como principal articulador do esquema, uma administradora que, segundo a investigação, atuava na área financeira e contábil, e uma médica-veterinária que teria participado da movimentação patrimonial e societária das empresas investigadas.
Os três foram presos na terça-feira (15), durante a Operação Sem Lastro, que também cumpriu oito mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais de Salvador.
Quem são os suspeitos
- Caio Vinícius Sande Santos
O contador Caio Vinícius Sande Santos, preso em Jardim Armação atuava nas áreas financeira e comercial. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Preso no bairro de Jardim Armação, Caio Vinícius é apontado pela polícia como o principal investigado no esquema. Segundo as investigações, ele atuava nas áreas financeira e comercial e era responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos.
De acordo com a polícia, Caio também participava dos chamados autopagamentos, quando recursos de empresas ligadas ao grupo eram utilizados para quitar parte dos próprios títulos. A prática teria ajudado a criar uma aparência de capacidade financeira e permitido a negociação de novos documentos.
A investigação aponta ainda que, mesmo depois de as primeiras irregularidades serem identificadas, ele teria apresentado uma nova carteira de títulos fraudulentos, no valor de R$ 17 milhões.
- Kaliana Argolo de Oliveira
A administradora Kaliana Argolo de Oliveira, presa no Jardim das Margaridas, atuava na área financeira e contábil. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Administradora e ex-esposa de Caio Vinícius, Kaliana foi presa no bairro do Jardim das Margaridas.
Segundo a investigação, ela atuava na área financeira e contábil das empresas utilizadas no esquema. Os autos apontam que a administradora participava da manipulação de balanços e de informações financeiras para dar aparência de solidez econômica aos negócios.
A polícia também investiga a relação entre a atuação de Kaliana e a estrutura utilizada para a emissão e negociação dos títulos considerados fraudulentos.
- Adriana Gonçalves Sande Santos
Adriana Gonçalves Sande Santos é médica-veterinária e esposa do principal suspeito. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Médica-veterinária e atual esposa de Caio Vinícius, Adriana foi presa durante a operação. Segundo a polícia, ela tinha atuação principalmente nas áreas patrimonial e societária do grupo.
Um dos pontos investigados é a transferência, em março de 2026, da totalidade das cotas de uma empresa, avaliadas em R$ 1 milhão, para Adriana.
A movimentação ocorreu enquanto a investigação já estava em andamento. Para a polícia, a transferência pode ter relação com uma suposta separação simulada e teria como objetivo proteger o patrimônio e dificultar uma eventual recuperação de bens.
Publicações nas redes sociais, no entanto, indicaram que o casal continuava mantendo a relação e convivendo.
O g1 e a TV Bahia tentaram contato com as defesas dos três suspeitos, mas não tiveram retorno até a última atualização desta reportagem.
Como funcionava o esquema investigado
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam empresas ligadas ao setor veterinário, com atividades de comercialização e armazenamento de ração e insumos, para dar aparência de regularidade às operações.
A investigação identificou mais de mil duplicatas falsas envolvendo mais de 200 empresas que apareciam nos documentos como responsáveis pelos pagamentos. Segundo a polícia, essas empresas não haviam realizado as operações comerciais descritas nos títulos.
Os documentos eram então negociados no mercado financeiro como se representassem dívidas reais.
Grupo é suspeito de criar mais de mil títulos de créditos falsos e movimentar R$ 32 milhões em Salvador — Foto: Pedro Moraes / Ascom-PCBA
Para manter a estrutura funcionando, o grupo teria utilizado recursos das próprias empresas para pagar parte dos títulos. Com isso, segundo a investigação, conseguia transmitir uma falsa impressão de que os negócios tinham capacidade para honrar os compromissos.
Segundo o delegado José Nélis, responsável pela operação, o esquema atingiu comerciantes e investidores.
Algumas pessoas tiveram os nomes protestados por títulos que, segundo a investigação, não correspondiam a dívidas reais. De acordo com o delegado, os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes.
A polícia estima que o grupo tenha movimentado mais de R$ 32 milhões e provocado prejuízo superior a R$ 15 milhões.
Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos.
O material será analisado pelos investigadores para ajudar a esclarecer a participação individual dos suspeitos, rastrear a movimentação dos recursos e identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema.
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