Funcionários da empresa Creta, que presta serviços terceirizados à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), paralisaram as atividades nesta quarta-feira (10) após, segundo relato de um trabalhador que pediu para não ser identificado, chegarem a 40 dias sem receber salários, vale-transporte e vale-alimentação. A situação atinge trabalhadores que atuam principalmente na área de jardinagem, além de outros setores da universidade.
Em entrevista ao Portal Boca de Forno News, o funcionário relatou que os trabalhadores estão mobilizados dentro da universidade e decidiram interromper as atividades até que os pagamentos sejam regularizados. “A empresa Creta está completando hoje 40 dias sem pagar o salário, o vale-transporte e o vale-alimentação. E não dá nenhuma justificativa para os funcionários”, afirmou.
Segundo ele, cerca de 70 trabalhadores da área de jardinagem estão entre os funcionários afetados. O entrevistado informou ainda que outros setores que contam com trabalhadores terceirizados também tiveram as atividades interrompidas, incluindo manutenção e serviços relacionados ao cuidado de animais. “Está todo mundo aqui sentado, sem trabalhar. Parou tudo. A área de trator, a área de animais, o pessoal que cuida dos animais e também o setor de manutenção. Todo mundo está parado por tempo determinado, até o dinheiro cair”, relatou.
O trabalhador afirma que os atrasos têm provocado dificuldades financeiras para os funcionários, que precisam manter despesas básicas mesmo sem receber os salários. “A gente está passando pela maior dificuldade. Cartão atrasado, luz, água, internet, tudo. A feira acabou, acabou tudo. Estamos passando por uma dificuldade muito grande, uma situação triste que a gente nunca passou”, declarou.
De acordo com o funcionário, os trabalhadores estão há aproximadamente seis anos vinculados à empresa e, até recentemente, os pagamentos eram realizados normalmente. “A gente trabalha com essa empresa há mais ou menos seis anos. Ela vinha pagando direitinho. Mas, a partir do mês de agosto, começou a atrasar e agora chegou a essa situação”, disse.
Ainda conforme o relato, a situação não estaria restrita aos trabalhadores que atuam na UEFS. O funcionário afirmou ter conhecimento de reclamações envolvendo contratos da empresa em outros locais da Bahia. “Ela está atrasando aqui, atrasou no HEMOBA e está com problemas em vários lugares, em Salvador e em outros locais. A reclamação é geral na Bahia”, afirmou.
Contato com a universidade
O funcionário também relatou que os trabalhadores procuraram a administração da UEFS em busca de informações sobre a situação. Segundo ele, a universidade teria informado que enfrenta limitações para efetuar diretamente o pagamento dos trabalhadores porque a empresa terceirizada ainda não apresentou a documentação necessária. “A gente teve contato com a reitora. Ela disse que o proprietário da empresa desliga o telefone e não quer dar uma justificativa, não quer dar nenhuma posição. E a gente está aqui à beira do caminho”, relatou.
Segundo o trabalhador, a administração da universidade teria explicado que o pagamento aos funcionários depende do envio, pela empresa contratada, da folha de pagamento. “No caso, a universidade só pode fazer o pagamento se a empresa passar a folha de pagamento do pessoal. Como ela não passou essa folha, a reitoria não pode pagar por enquanto, até que a empresa apresente a documentação”, explicou.
Diante do cenário, os funcionários permanecem mobilizados e cobram da empresa Creta uma solução para o atraso dos salários e dos benefícios. “Somos todos pais de família. A gente precisa receber para poder honrar nossos compromissos. Estamos esperando uma posição da empresa e que o pagamento seja feito”, concluiu o trabalhador.
Prefeitura do Campus da UEFS se manifesta sobre atraso nos pagamentos
Após a publicação da reportagem, a Prefeitura do Campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) se manifestou sobre a situação relatada pelos trabalhadores terceirizados da empresa Creta.
Em resposta, a Prefeitura do Campus afirmou que reconhece a dificuldade enfrentada pelos colaboradores e declarou estar trabalhando para buscar uma solução para o problema. “A situação é complicada e nos solidarizamos com os colaboradores. Estamos envidando esforços para a resolução”, informou.
Sobre o atraso salarial, a universidade esclareceu que existe, de fato, um pagamento pendente, mas contestou a informação de que os trabalhadores estariam há 40 dias sem receber salários. Segundo a Prefeitura do Campus, o valor referente ao salário de agosto de 2026 deveria ter sido pago no quinto dia útil deste mês, que ocorreu na terça-feira (8). “Existe um atraso, mas não conforme os dias divulgados. Antes de tudo, a empresa hoje deve o valor do salário referente a agosto de 2026, que é pago no quinto dia útil. Deveria ter sido pago na terça-feira (8/9)”, informou.
Dessa forma, segundo a universidade, os dois contratos mantidos pela empresa Creta junto à UEFS apresentam atualmente dois dias de atraso no pagamento dos salários.
Já em relação ao vale-alimentação (VA) e ao vale-transporte (VT), a Prefeitura do Campus informou que os benefícios foram pagos, porém de forma parcelada. Segundo a instituição, o vale-transporte não pode deixar de ser disponibilizado para que o trabalhador consiga se deslocar nos dias em que precisa exercer suas atividades. Já o vale-alimentação, conforme informado pela universidade, já teve duas parcelas pagas, referentes aos dias subsequentes.
“Há uma questão relacionada aos benefícios, VA e VT, que foram pagos, porém de forma parcelada. Quanto ao VT, não há prerrogativa legal quanto ao seu parcelamento. Ou seja, o que não pode faltar é o benefício no dia de trabalho, para que o funcionário possa se deslocar”, explicou.
Sobre o vale-alimentação, a Prefeitura do Campus acrescentou que “já foram pagas duas parcelas, ou seja, para os demais dias”.
Empresa foi notificada
A Prefeitura do Campus informou ainda que a empresa Creta já foi oficialmente notificada para regularizar a situação dos pagamentos e que a universidade aguarda um posicionamento da terceirizada. “Já notificamos a empresa para regularizar o pagamento e estamos no aguardo de uma posição”, informou a Prefeitura do Campus da UEFS.
Creta
O Boca de Forno News também entrou em contato com prepostos da empresa Creta. Foi pedido que as perguntas fossem enviadas a um e-mail da empresa para que o setor responsável fornecesse a resposta, mas até o momento da atualização dessa reportagem não obtivemos retorno.
Matéria atualizada às 12h16
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