A Caixa Econômica Federal marcou uma nova mesa de negociação com o movimento sindical para esta quarta-feira (16), após a pressão das entidades que representam os empregados. A reunião ocorre em meio à continuidade da greve dos trabalhadores da instituição, que cobram avanços nas reivindicações e, entre os principais pontos, mudanças relacionadas ao Saúde Caixa. Segundo Edmilson Cerqueira, a direção do banco recuou da ameaça de ajuizar dissídio e de retirar a chamada função de confiança, sinalizando disposição para retomar as negociações.
A paralisação dos empregados da Caixa continua nesta terça-feira (15). De acordo com Edmilson Cerqueira, representante do movimento sindical, a categoria decidiu ampliar a mobilização depois da última rodada de negociação, realizada na quinta-feira, quando a direção do banco teria apresentado uma proposta considerada insuficiente pelos trabalhadores.
Segundo Edmilson, durante a reunião, a direção da Caixa teria ameaçado ajuizar um dissídio e também colocar fim à chamada função de confiança, medida que, segundo ele, poderia atingir conquistas acumuladas pelos empregados ao longo dos anos. “Na última rodada de negociação, que aconteceu na quinta-feira, a Caixa apresentou que iria ajuizar um dissídio e ameaçou os bancários com o fim da função de confiança. Isso faz com que as pessoas percam, inclusive, conquistas que já têm há muito tempo”, afirmou.
O sindicalista também destacou que a questão do plano de saúde dos empregados, o Saúde Caixa, não teria avançado durante as negociações. Diante desse cenário, uma nova plenária nacional dos empregados da Caixa rejeitou a proposta apresentada e decidiu pela ampliação da greve. “A categoria se revoltou ainda mais porque, além de não avançar na questão do plano de saúde, houve essa ameaça de retirada da função de confiança. Então, houve uma nova plenária com todos os funcionários da Caixa no Brasil, que rejeitou a proposta e ampliou ainda mais a greve”, explicou Edmilson.
Após a reação dos trabalhadores, a direção da Caixa procurou o comando nacional dos bancários e, segundo Edmilson, recuou das medidas anunciadas anteriormente. De acordo com ele, o banco informou que não pretende mais ajuizar o dissídio, não vai aplicar o fim da função de confiança e manifestou interesse em retornar à mesa de negociação.
“A Caixa procurou a direção dos bancários, o Comando Nacional, recuando. Disse que não vai ajuizar o dissídio, que não vai mais aplicar o fim da função de confiança e que quer voltar à mesa de negociação”, relatou.
A nova mesa está marcada para esta quarta-feira (16). Para o movimento sindical, entretanto, o simples agendamento da reunião não significa que as reivindicações tenham sido atendidas. Por isso, a orientação é manter a mobilização até que haja avanços concretos nas negociações.
Mobilização nacional
Edmilson também relatou que a categoria realizou, na segunda-feira (14), manifestações em diferentes regiões do país. Segundo ele, a mobilização teve caráter nacional, com trabalhadores vestidos de preto e atos realizados em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. “Ontem tivemos manifestações a nível nacional, com todos os bancários de preto. Também tivemos passeatas no Rio de Janeiro e em São Paulo, inclusive na porta da Superintendência da Caixa”, afirmou.
Durante os atos, os trabalhadores também cobraram mudanças na direção da instituição e fizeram críticas à atual presidência da Caixa. Edmilson citou ainda a saída de Rita Serrano, que, segundo ele, era bancária de carreira e conhecia a realidade da instituição. Na avaliação dele, a atual gestão estaria mais voltada para questões políticas do que para a valorização dos empregados e para a melhoria do atendimento à população.
“Nós tínhamos a presidente da Caixa, Rita Serrano, que era uma bancária de carreira e conhecia a importância da Caixa. Infelizmente, o presidente foi obrigado a colocar alguém do Centrão, alguém que não tenha essa preocupação com a instituição e que esteja mais preocupado com emendas parlamentares e outras questões do que em ter mais Caixa, mais funcionários e um atendimento melhor ao público”, declarou.
Greve continua nas agências
Segundo Edmilson, a paralisação permanece forte e, na avaliação do movimento sindical, todas as agências da Caixa estão sendo afetadas pela greve. “Hoje eu diria a você que a greve está cem por cento. Em todas as agências, só entra o gerente-geral, porque ele representa a instituição. Os demais colegas não vão nem à porta. Vão se manter firmes”, afirmou.
Ele explicou ainda que o comando nacional permanece acompanhando possíveis movimentações nas negociações, já que, segundo o sindicalista, novas conversas podem ocorrer a qualquer momento entre a Caixa, a Federação Nacional dos Bancos e as entidades representantes dos trabalhadores.
“As negociações paralelas podem acontecer a qualquer momento. Não existe um horário determinado, nove ou dez horas. A Fenaban e as direções dos bancos tentam cansar o comando, mas essa tática não dá certo. A gente fica de plantão em São Paulo e, a qualquer momento, se a direção da Caixa resolver mudar e devolver algumas pendências do acordo de 2024 e voltar com o Saúde Caixa como era anteriormente, de repente isso pode acontecer”, disse.
O plano de saúde dos empregados aparece como um dos principais entraves nas negociações. Edmilson afirmou que uma eventual retomada de condições anteriores do Saúde Caixa poderia mudar o cenário da greve. “Se houver uma mudança e a Caixa devolver algumas pendências do acordo de 2024 e voltar com o Saúde Caixa como era anteriormente, de repente o movimento pode ser suspenso. Mas, por enquanto, a greve continua”, afirmou.
O sindicalista reforçou que o movimento não seria desejado pelos trabalhadores, mas, na avaliação da categoria, a greve tornou-se necessária após o esgotamento das possibilidades de negociação. “Não queríamos e não queremos greve, nem o sindicato nem ninguém. Mas é o único instrumento legal e constitucional que o trabalhador tem depois que se esgotam todas as possibilidades de negociação”, destacou.
Edmilson também afirmou que as reivindicações da categoria foram apresentadas anteriormente às entidades responsáveis pelas negociações e às direções dos bancos. Segundo ele, as pautas foram entregues à Federação Nacional dos Bancos e às direções das instituições financeiras no dia 24 de junho. “Nós entregamos tanto à Fenaban quanto às direções dos bancos a nossa pauta no dia 24 de junho. Era feriado de São João aqui, mas em São Paulo não era feriado. A pauta foi entregue no dia 24 de junho”, explicou.
Para o representante sindical, a paralisação foi necessária diante da falta de avanços nas negociações. “Nós precisamos fazer uma paralisação de advertência e chegar a uma greve para ver se conseguimos manter os direitos e para que o bancário seja pelo menos um pouco respeitado, que é o que não acontece”, afirmou.
Com a nova mesa de negociação marcada para esta quarta-feira (16), os empregados da Caixa permanecem mobilizados e aguardam uma proposta que possa avançar sobre os principais pontos reivindicados pela categoria. Até que haja uma solução, segundo Edmilson Cerqueira, a orientação é manter a greve. “Então, a greve continua. Qualquer novidade estaremos em contato para informar aos ouvintes se houve alguma solução”, concluiu.
Julgamento Ministros do STF apostam que julgamento sobre Moraes será adiado
Aumento do limite Estados e municípios têm limite de crédito para 2026 ampliado
Política Eleições acendem alerta para assédio eleitoral no ambiente de trabalho
Julgamento Segurança máxima: entenda esquema montado para julgamento de Moraes
Ex-presidente José Sarney é internado com pneumonia em hospital de São Luís
Operação da PF PF faz operação contra deputado Cezinha de Madureira, acusado de articular encontro entre Mendonça e Vorcaro 
Mín. 19° Máx. 33°
Mín. 18° Máx. 35°
Tempo limpoMín. 18° Máx. 30°
Parcialmente nublado


