O presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, vereador Marcos Lima, defendeu a realização de um levantamento mais preciso sobre o número de habitantes do município. Por meio de requerimento, o parlamentar solicita que a Prefeitura encaminhe a demanda ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para que sejam avaliados os dados populacionais de Feira de Santana, levando em consideração o crescimento urbano, a expansão da Zona Rural e o aumento no número de novos empreendimentos e residências.
A discussão, segundo Marcos Lima, está relacionada principalmente à diferença que ele considera existir entre a população registrada oficialmente e o número de pessoas que vivem, circulam e utilizam diariamente os serviços públicos de Feira de Santana. “Eu entendo que a população de Feira de Santana é muito maior do que hoje é registrada pelo IBGE. Nós estamos perdendo em torno de R$ 200 milhões anuais de recursos que poderiam vir do Governo Federal para Feira de Santana, devido à população que é atendida pelos serviços”, afirmou.
De acordo com o presidente da Câmara, Feira de Santana recebe diariamente um grande fluxo de pessoas. Ele citou uma estimativa de circulação mensal entre 800 mil e 1 milhão de pessoas, enquanto os dados oficiais considerados pelo parlamentar apontariam para uma população na faixa de 600 mil habitantes. “Nós temos uma população de 800 mil a 1 milhão de pessoas circulando mensalmente, mas recebemos recursos a partir de uma população de 600 e poucas mil pessoas. Então, nós pedimos que o IBGE faça um levantamento para saber qual é realmente a realidade da nossa cidade”, declarou.
Marcos Lima também utilizou o número de eleitores como um dos elementos que, segundo ele, justificariam a necessidade de uma nova avaliação dos dados populacionais. O vereador citou a existência de quase 450 mil eleitores no município e questionou como esse número se relacionaria com uma população total de pouco mais de 600 mil habitantes.
“Nós estamos vendo que são quase 450 mil eleitores. Como é que Feira de Santana só tem 600 e poucas mil habitantes? Onde estão os idosos? Onde estão os jovens abaixo de 15 anos, as crianças? Onde estão aquelas pessoas que moram em Feira e ainda não transferiram o título? A população não é contabilizada apenas pelo número de eleitores. Então, tudo isso precisa ser levantado”, argumentou.
O presidente da Câmara ressaltou, entretanto, que sua estimativa de que Feira de Santana teria mais de 800 mil habitantes é baseada em um estudo pessoal e não em um levantamento oficial. “Eu acredito que Feira de Santana tenha, pelo pouco estudo que fiz, mais de 800 mil pessoas. É um estudo pessoal meu, claro, mas entendo que há necessidade de se fazer um levantamento”, afirmou.
Para Marcos Lima, a atualização dos dados populacionais pode ter reflexos não apenas na distribuição de recursos públicos, mas também na capacidade de atração de empresas, indústrias e investimentos para o município. “Esses números são importantes para a cidade. Quando você tem um número maior, as empresas vêm para Feira de Santana, as indústrias vêm para Feira de Santana, os investimentos do Governo Federal são maiores na cidade e o investimento estadual também é maior. Então, tudo isso faz com que a cidade cresça cada vez mais”, explicou.
Segundo o vereador, a preocupação está relacionada à necessidade de compatibilizar o crescimento da cidade com os dados utilizados para o planejamento e a destinação de recursos. “Mas nós precisamos realmente, e por esse motivo apresentamos esse requerimento, que a própria Prefeitura encaminhe ao IBGE e faça esse levantamento mais preciso da população, do censo em Feira de Santana”, destacou.
O requerimento também aborda o crescimento populacional e territorial da Zona Rural de Feira de Santana. Marcos Lima afirmou que a expansão não estaria restrita à área urbana e que novas residências e loteamentos vêm sendo construídos em diferentes regiões do município. “Todas as pessoas que moram em Feira de Santana, que vivem em Feira de Santana, estão vendo que a Zona Rural só faz crescer. Cresce em população, cresce na quantidade de novas residências que são construídas, em loteamentos que são construídos dentro da Zona Rural, sem contar também o crescimento urbano da cidade”, afirmou.
Na avaliação apresentada pelo parlamentar, o crescimento urbano também pode ser observado na chegada de novos empreendimentos, abertura de avenidas, criação de novos bairros e construção de prédios e outras edificações. “São novos empreendimentos chegando, novas avenidas sendo abertas, novos bairros acontecendo, novos prédios e construções sendo realizados. E essas pessoas, já que existe uma população de 600 mil, e esse aumento que ocorre mensalmente e anualmente em Feira de Santana, para onde estão indo?”, questionou.
Para Marcos Lima, esses fatores reforçam a necessidade de uma apuração mais detalhada sobre a quantidade de pessoas que efetivamente residem no município. “Então, há essa preocupação do Poder Legislativo, deste vereador, deste presidente da Câmara Municipal, para que realmente seja feito um censo com uma precisão maior e melhor da população da nossa cidade”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de o levantamento gerar custos para o município, Marcos Lima afirmou que, na avaliação dele, o trabalho seria de responsabilidade do Governo Federal, por meio do IBGE. “Não, isso tudo é pago pelo Governo Federal. O Governo Federal já tem a sua base de estatística, que é o próprio IBGE. Por isso nós solicitamos ao IBGE. Quem faz os estudos é o IBGE”, explicou.
O presidente da Câmara acrescentou que o instituto possui estrutura para realizar levantamentos dessa natureza e poderia utilizar ou ampliar sua equipe para executar o trabalho. “Eles têm, inclusive, pessoas contratadas e poderão fazer contratação para realizar esse levantamento. Esse é o nosso questionamento. Nós esperamos que ele dê uma resposta plausível à Câmara Municipal e que possamos dar continuidade ao crescimento da nossa cidade, mas com um crescimento real de população”, afirmou.
Segundo Marcos Lima, a preocupação central é garantir que os serviços públicos oferecidos pelo município estejam relacionados ao número real de pessoas atendidas e que a cidade receba uma contrapartida compatível com sua demanda populacional. “A minha preocupação é essa: o serviço que é oferecido pelo Governo Municipal à população, que diz que é de 600 mil, mas, quando a gente faz os cálculos, dá para ver que é bem maior. Só que nós também não recebemos a contrapartida do Governo Federal em cima do volume de pessoas que representa um número maior da população”, disse.
Próximos passos
Sobre o que deve acontecer depois da aprovação do requerimento, Marcos Lima explicou que, neste momento, o Legislativo aguarda uma manifestação do IBGE. “O passo é esse que a gente fez agora: fazer a solicitação, pedir ao IBGE. Esperamos agora o próximo passo, que é a resposta dele. Como vai vir essa resposta do IBGE? Vai depender dessa resposta para dar prosseguimento”, afirmou.
O vereador reforçou que o objetivo do requerimento é provocar uma discussão e solicitar uma apuração mais precisa, e não determinar ao instituto como o levantamento deverá ser realizado. “O principal fator que estamos levantando é justamente questionar ao IBGE para que faça uma apuração mais precisa. Mas dependemos também de ouvir o IBGE. É uma sugestão, não é uma ordem que estamos dando. É uma sugestão de entendimento que o povo de Feira de Santana tem e que nós, aqui da Câmara Municipal, principalmente eu, temos com a população da nossa cidade”, concluiu Marcos Lima.
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