O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) adiou a divulgação do suposto dossiê que, segundo ele, reúne acusações contra o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman. Durante coletiva de imprensa realizada ontem, o parlamentar afirmou que pretendia apresentar o conteúdo na tribuna Câmara Federal, mas, como não haverá sessão hoje, a leitura deverá ocorrer na primeira sessão seguinte.
Segundo Nilo, seus advogados recomendaram que o material não fosse apresentado durante a coletiva. A orientação, de acordo com o deputado, ocorreu porque a tribuna do Legislativo garantiria imunidade parlamentar para o discurso. “Eu vou discursar na tribuna com esse dossiê. Meus advogados pediram que eu não passasse aqui, porque as coisas são muito graves. Discursando na tribuna, eu tenho imunidade”, declarou.
O deputado disse ainda ter recebido novas informações que considera graves e afirmou que o conteúdo deverá ser encaminhado às autoridades. De acordo com Nilo, o suposto dossiê teria chegado às suas mãos por meio de pessoas ligadas ao Judiciário.
Nilo, porém, ressaltou que não confirmou a veracidade das acusações e que cabe às autoridades investigar o conteúdo. “Eu recebi um dossiê de várias instituições, de pessoas da OAB, deputados, juízes me mandaram. Eu nunca li, porque eu não sou Ministério Público. Se é verdade, se é mentira, não é problema meu. O Ministério Público está analisando”, afirmou.
Nilo também acusou o presidente do TRE-BA de agir contra seus interesses em julgamentos eleitorais. O deputado afirmou que vinha obtendo decisões favoráveis por placares apertados, mas passou a perder após mudanças na composição dos julgamentos.
Segundo ele, alguns magistrados que passaram a participar das sessões teriam proximidade com Kertzman e ligação com o grupo político do PT na Bahia. “Aí começou a tirar um juiz, entrar o outro, entrar o outro muito próximo ao Maurício. Eu comecei a perder de 4 a 3”, relatou.
O parlamentar relacionou ainda as supostas decisões desfavoráveis às críticas feitas por ele a Rui Costa e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). “Quando eu chamei Jerônimo de caloteiro, e não pode chamar o governador de caloteiro, começaram a me perseguir. E eu não sou menino. Eu sei da relação de Maurício com Jaques Wagner e Rui Costa”, declarou.
Na semana passada, o presidente do TRE-BA afirmou não temer as acusações de Nilo. “Eu tenho minha consciência tranquila, porque o deputado Marcelo Nilo fala em um dossiê, inclusive a um tempo atrás eu recebi o suposto dossiê totalmente falso, em que pegavam atos praticados por mim no exercício da advocacia a 15 anos atrás”, declarou Kertzman, na ocasião.
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