Foto: Boca de Forno News
A Prefeitura de Feira de Santana promoveu, na manhã desta quinta-feira (6), uma visita técnica ao Complexo Materno-Infantil de Feira de Santana com o objetivo de apresentar à imprensa a estrutura do Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher) e das demais unidades que integram o maior complexo materno-infantil do interior da Bahia.
A visita foi conduzida pela presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, acompanhada pelo secretário municipal de Comunicação Social, Joilton Freitas. Durante o encontro, jornalistas conheceram os principais setores da unidade, receberam informações sobre os indicadores assistenciais e acompanharam a apresentação dos investimentos e projetos de ampliação.
Segundo Gilberte Lucas, o objetivo da visita foi mostrar a dimensão da assistência prestada pelo complexo, que vai muito além do atendimento obstétrico. De acordo com a presidente, essa visita técnica foi para mostrar a importância que é hoje o Complexo Materno-Infantil, apresentar os indicadores e mostrar um pouco da assistência prestada.
“Hoje é uma maternidade que atende não só Feira de Santana, mas uma grande região, com mais de 82 municípios pactuados. Quando falamos em Complexo Materno-Infantil, não estamos falando apenas das gestantes na emergência. Estamos falando também do atendimento pediátrico, da saúde da mulher, do pós-parto e de todo esse acompanhamento”, explicou.
Durante a coletiva, Gilberte esclareceu como funciona o fluxo de atendimento no Hospital da Mulher.Ela explicou que a unidade é considerada um hospital de “porta aberta” para as gestantes de Feira de Santana, uma vez que as pacientes acompanhadas na Atenção Básica são encaminhadas diretamente para a emergência obstétrica.
Gilberte Lucas - Foto: Boca de Forno News
Já os pacientes dos municípios pactuados devem ser regulados por meio da Central Estadual de Regulação, após atendimento nas unidades de seus respectivos municípios. Entretanto, a presidente destacou que, diante da carência de serviços obstétricos em diversas cidades da região, muitas gestantes chegam ao Hospital da Mulher sem regulação. “Nós entendemos que se trata de uma urgência e emergência. Por isso, mesmo sem regulação, essas pacientes acabam sendo atendidas”.
O Complexo Materno-Infantil realiza entre 60 mil e 70 mil atendimentos mensais, considerando consultas, exames laboratoriais, procedimentos especializados e demais serviços prestados pelas sete unidades que compõem a estrutura. “Podemos dizer que mensalmente são de 60 a 70 mil atendimentos. Isso inclui laboratório, exames e consultas especializadas, variando conforme o mês”.
Gilberte Lucas também chamou atenção para o elevado custo de manutenção da estrutura. Segundo ela, aproximadamente 85% dos recursos utilizados para manter o Complexo Materno-Infantil são provenientes do próprio município de Feira de Santana. Os outros 15% correspondem à produção do Sistema Único de Saúde (SUS), cuja tabela, segundo a gestora, não cobre os custos reais dos procedimentos.
“Hoje podemos considerar que 85% do recurso para manter o Complexo Materno-Infantil é recurso próprio do município. O restante vem da produção SUS. Mas a tabela SUS não consegue manter uma estrutura desse porte. Uma consulta com neuropediatra, por exemplo, é paga em R$ 11. Um parto é remunerado em cerca de R$ 530. Para manter toda essa estrutura é necessário um grande aporte financeiro da Prefeitura”.
Durante a visita, a presidente anunciou novas ampliações na estrutura física da unidade. Entre as intervenções estão a ampliação das enfermarias, da emergência e do laboratório, que ganhará uma sala exclusiva para coleta infantil.
Também será ampliada a recepção do laboratório e implantada a informatização completa do setor, permitindo que os resultados dos exames sejam consultados pela internet. “Identificamos que nosso laboratório precisava ser ampliado por conta da grande demanda. Estamos implantando uma sala de coleta infantil, ampliando a recepção e informatizando 100% do laboratório, permitindo que os exames sejam acessados online”.
Gilberte também confirmou que a Fundação pretende ampliar o serviço de uroginecologia. Segundo ela, trata-se de uma especialidade da ginecologia voltada principalmente para cirurgias ginecológicas, cuja procura tem aumentado significativamente. “Hoje temos uma demanda muito grande e queremos ampliar esse serviço”.
Questionada sobre declarações do prefeito José Ronaldo, que recentemente afirmou que Feira de Santana já possui um hospital municipal ao citar o Hospital da Mulher, Gilberte confirmou esse entendimento. “O Complexo Materno-Infantil é um hospital municipal. É um hospital de especialidades, voltado para obstetrícia e ginecologia eletiva. É difícil encontrar municípios que mantenham uma maternidade municipal desse porte. Em Salvador, por exemplo, existem várias maternidades estaduais. Manter uma estrutura como essa exige um custo muito elevado”.
Ela ressaltou que o Hospital da Mulher atende não apenas Feira de Santana, mas toda a região.
A presidente explicou ainda que o Hospital da Mulher realiza o acompanhamento de gestantes de alto risco encaminhadas pela Atenção Básica. Já os pré-natais de baixo risco continuam sendo realizados nas unidades básicas de saúde.
Outro tema abordado foi o crescimento do número de cesarianas registrado no primeiro semestre. Segundo Gilberte, esse aumento acompanha uma tendência nacional. Ela explicou que a Fundação desenvolve ações educativas junto às gestantes, mas destacou que muitas mulheres realizam o pré-natal na rede privada e acabam sendo encaminhadas para o Hospital da Mulher apenas no momento do parto, o que influencia esse cenário.
A presidente ressaltou que a definição do tipo de parto é feita pelo médico, conforme critérios técnicos. Nos casos em que não há indicação clínica para cesariana, mas a paciente manifesta desejo pelo procedimento, ela precisa assinar um termo declarando que a escolha ocorreu por vontade materna, mesmo diante da recomendação médica pelo parto normal.
Melhorias na assistência
Foto: Boca de Forno News
O diretor médico do Hospital da Mulher, Vinicius Marques, afirmou que a divulgação dos indicadores assistenciais permite avaliar continuamente a qualidade dos serviços prestados. Segundo ele, os índices refletem o desempenho da unidade e apontam onde melhorias precisam ser implementadas.
Um dos exemplos citados foi o controle das infecções hospitalares. “Os indicadores são o espelho da nossa assistência. Quando as taxas de infecção estão baixas, isso demonstra que as medidas sanitárias adotadas pelo hospital estão funcionando. Se algum indicador aumenta, conseguimos identificar rapidamente o problema, corrigir e evitar novos casos”.
Vinicius também comentou sobre o atendimento dos pacientes encaminhados pelo sistema conhecido como “vaga zero”. Segundo ele, a legislação determina que esses pacientes sejam atendidos independentemente da disponibilidade de leitos.
No entanto, o diretor alertou que essa situação gera impactos importantes na rotina hospitalar. “O paciente é atendido porque isso é previsto em lei. Mas muitas vezes ele não recebe assistência nas melhores condições, justamente pela falta de leitos. Uma paciente pode fazer uma cesariana e permanecer na sala cirúrgica porque não há vaga disponível para internação. Isso mobiliza obstetra, pediatra, anestesista, enfermeiros e toda a equipe por mais tempo, além de comprometer outros atendimentos. Se o recém-nascido precisar de UTI neonatal, por exemplo, pode não haver vaga disponível. Isso sobrecarrega os profissionais e interfere na assistência prestada aos demais pacientes”.
Imprensa conheceu toda a estrutura
Foto: Boca de Forno News
O secretário municipal de Comunicação Social, Joilton Freitas, afirmou que a iniciativa teve como objetivo aproximar os profissionais da imprensa da realidade do Complexo Materno-Infantil. Segundo ele, mais de 30 jornalistas participaram da visita. “A imprensa é uma caixa de ressonância. Ela leva e traz informação. Eu mesmo conhecia apenas cerca de 20% dessa estrutura. Pensamos que era importante que toda a imprensa pudesse conhecer esse complexo na sua totalidade para mostrar à sociedade essa grandiosidade”.
Joilton destacou o trabalho desenvolvido pela presidente Gilberte Lucas à frente da Fundação Hospitalar. “Ela é uma administradora de alta qualidade, com muito dinamismo e excelente desempenho. Hoje todos puderam constatar a dimensão dessa estrutura”.
O secretário também ressaltou a importância da comunicação institucional na divulgação dos serviços públicos de saúde. Segundo ele, a Prefeitura tem utilizado diferentes ferramentas para informar a população sobre os investimentos e atendimentos realizados. “Nós mostramos diariamente, através dos releases e da comunicação direta, a qualidade da saúde de Feira de Santana. Temos uma rede formada por unidades básicas, três UPAs 24 horas, além do Complexo Materno-Infantil, que atende Feira e toda a região”.
Joilton lembrou que a expansão da rede municipal de saúde começou ainda no primeiro mandato do prefeito José Ronaldo. “Quando ele assumiu havia apenas 18 postos de saúde. Hoje existe uma estrutura muito maior. Ela está pronta? Não. Nunca estará completamente pronta, porque a cidade cresce e surgem novas demandas. Mas Feira continua avançando”.
Entre os avanços citados pelo secretário estão a implantação da UPA do distrito de Humildes, descrita por ele como “um mini-hospital”, além do programa Remédio em Casa, que já começou a funcionar em três distritos e deverá ser expandido para todos os bairros do município. “O Hospital Materno-Infantil não atende apenas Feira de Santana, mas toda a região. Muitas pessoas procuram a unidade porque sabem da qualidade da assistência oferecida. Sob a coordenação do secretário de Saúde, Rodrigo Matos, a saúde municipal continua avançando e ampliando os serviços prestados à população”.
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