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Brasil Opinião

Entre inquéritos e escândalos, eleição no Brasil tem debate restrito

Essa lógica inverte a expectativa de um processo de escolha de quem vai gerir o país nos próximos quatro anos.

21/09/2026 08h47 Atualizada há 1 hora atrás
Por: Karoliny Dias Fonte: Fernando Duarte / Bahia Notícias
Foto: Gastão Guedes/ Wikipeda
Foto: Gastão Guedes/ Wikipeda

Até aqui, a eleição em 2026 não está marcada pelo debate de propostas para o Brasil. A pauta principal foi sequestrada por inquéritos ou investigações que envolvem o candidato/ herdeiro Flávio Bolsonaro (PL) ou o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – o petista não é diretamente alvo de denúncias. Essa lógica inverte a expectativa de um processo de escolha de quem vai gerir o país nos próximos quatro anos.

A história envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro não está completamente explicada. O senador insiste que já prestou contas sobre o pedido de patrocínio da biografia ficcional do pai, Jair Bolsonaro, porém os milhões de dólares doados pelo Banco Master pagam muito mais do que um filme. Flagrado com uma versão moderna de “batom na cueca”, Flávio não apenas seguiu pontuando bem nas pesquisas de intenção de voto, como também cresceu desde que o escândalo veio à tona.

Na outra ponta, Lula tentou se afastar da possibilidade das peripécias do filho, Fábio Luís, e da sócia dele, Roberta Luchsinger, atingirem a campanha. Por mais que não existam implicações, para além de relações pouco republicanas, contra o petista ainda recaem pechas que não lhe cabem – e a oposição sabe usar bem os espaços para fazer associações (que são dissociações, mas para o eleitor médio não importa). O resultado, no processo de campanha, é um presidente que, montado na máquina, não consegue crescer nas intenções de voto.

Aí entra uma semelhança com a disputa de 2022. No afã de não perder a tentativa de reeleição, Jair Bolsonaro lançou mão de medidas eleitoreiras para tentar conter o avanço de Lula. Agora, a moeda se inverte. É Lula quem decide usar “chumbo trocado” com o reajuste no Bolsa Família como o carro-chefe das medidas populistas. Em meio a outros tantos escândalos, comprometer um pouco mais o orçamento público parece ser um mal menor.

A “cereja do bolo” da celeuma eleitoral de 2026 sequer vem do campo partidário. Coube ao Supremo Tribunal Federal (STF) lidar com uma crise que ampliou, expressivamente, o descrédito em instituições públicas. Não dá para cravar que foi proposital, porém a fragilização da Suprema Corte fortalece um discurso antissistema, representado no pleito por uma cria desse sistema (corrupto, diga-se), Flávio Bolsonaro. São tantas camadas sobrepostas que fica difícil explicar, em especial quando o eleitor não está disposto a entender.

Por mais que o debate tenha ficado restrito, não foi inteiramente por falta de opções, inclusive da direita. Ronaldo Caiado (PSD), Escritor Augusto Cury (Avante), Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) são alguns dos nomes que estão disputando o Palácio do Planalto e, por estarem fora dos holofotes, não precisaram lidar com o esquadrinhamento de toda a vida pregressa. Ao chegar no dia 4 de outubro, a escolha pode até ser que simulem estar difícil. Entretanto, a responsabilidade não é exclusiva do eleitor.

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