A internet nunca esteve tão presente na vida dos baianos. Em 2025, cerca de 11,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais utilizaram a rede, o equivalente a 89,5% da população nessa faixa etária. Em apenas um ano, a Bahia ganhou quase 195 mil novos usuários, registrando o terceiro maior crescimento absoluto do país. Apesar desse avanço, o estado ainda convive com um desafio importante: 1,358 milhão de pessoas permanecem desconectadas, o equivalente a um em cada dez baianos. Mais do que um dado sobre tecnologia, o levantamento revela que a exclusão digital continua refletindo desigualdades sociais, econômicas e educacionais.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostra que, embora a internet esteja cada vez mais presente nos lares baianos, ainda há uma parcela significativa da população que permanece distante dos serviços digitais, da informação e das oportunidades proporcionadas pela conectividade.
O crescimento do acesso foi suficiente para colocar a Bahia entre os estados que mais ganharam novos internautas em números absolutos. Ainda assim, o estado continua abaixo da média nacional. Enquanto 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais utilizaram a internet em 2025, na Bahia esse percentual ficou em 89,5%, mantendo o estado entre as 14 unidades da Federação onde menos de 90% da população está conectada.
A pesquisa também desenha o perfil de quem permanece fora da rede. Entre os mais de 1,3 milhão de baianos que não utilizaram a internet em 2025, 53,8% são homens e 56,5% têm 60 anos ou mais. A baixa escolaridade aparece como uma das principais características desse grupo: 82% não possuem instrução ou não concluíram o ensino fundamental, indicando que a exclusão digital está diretamente ligada às desigualdades educacionais.
Um dos resultados mais significativos do levantamento mostra que o principal obstáculo para o uso da internet mudou ao longo da última década. Se antes o custo do serviço e dos equipamentos era apontado como a principal dificuldade, hoje a maior barreira é outra. Mais da metade das pessoas que não acessaram a internet na Bahia em 2025 (54,3%) afirmou que simplesmente não sabe utilizar a tecnologia. O preço da conexão, que já foi um dos maiores entraves, hoje é citado por apenas 9,2% desse grupo.
Embora o custo tenha perdido importância, a renda continua influenciando diretamente o acesso. Nos domicílios onde não há uso da internet, o rendimento médio mensal por pessoa é de R$ 1.162. Já nas residências conectadas, essa média sobe para R$ 1.513, uma diferença de 23,2%. Os números mostram que a inclusão digital ainda acompanha as desigualdades econômicas presentes no estado.
Enquanto uma parcela da população continua desconectada, os hábitos de quem já utiliza a internet mudam rapidamente. O telefone celular permanece praticamente indispensável: 98,7% dos internautas baianos acessam a rede pelo aparelho. A principal novidade, porém, veio da televisão. Pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa, mais da metade dos usuários da internet na Bahia (50,3%) também utiliza a TV para acessar conteúdos on-line, consolidando o equipamento como a segunda principal porta de entrada para o ambiente digital.
A mudança acompanha a popularização das smart TVs e dos serviços de streaming. Em 2016, apenas 8,2% dos internautas baianos navegavam pela televisão. Nove anos depois, esse percentual ultrapassou os 50%, enquanto o computador perdeu espaço e passou a ser utilizado por apenas 21,3% dos usuários. O tablet aparece bem atrás, presente em apenas 6% dos acessos.
O levantamento também revela mudanças na forma como os baianos utilizam a internet. Conversas por chamadas de voz ou vídeo continuam sendo a principal atividade, realizada por 96,2% dos usuários. Em seguida aparecem o envio de mensagens (91,3%) e o consumo de vídeos, filmes e séries (86,5%).
Entre 2024 e 2025, entretanto, os maiores avanços ocorreram em outras áreas. A utilização da internet para compras on-line passou de 40,4% para 45,2%. O acesso a bancos e instituições financeiras cresceu de 62,6% para 67,2%, enquanto o uso das redes sociais aumentou de 78,7% para 82,5%. A única finalidade que perdeu espaço foi jogar pela internet, cuja participação caiu de 27,6% para 25,9%.
As mudanças também chegaram ao entretenimento doméstico. Hoje, 30,6% dos domicílios baianos com televisão possuem algum serviço pago de streaming, percentual superior ao registrado no ano anterior, embora ainda seja o quarto menor do Brasil. Em sentido contrário, a TV por assinatura continua perdendo espaço e está presente em apenas 12,1% das residências com televisão, índice bem inferior aos 21,4% registrados em 2016.
Outro indicador que apresentou crescimento foi o uso de dispositivos inteligentes conectados à internet, como câmeras, caixas de som, lâmpadas e eletrodomésticos. Em 2025, esses equipamentos estavam presentes em 15% dos domicílios baianos com acesso à internet, avanço que demonstra a expansão gradual das tecnologias conectadas dentro das residências.
Embora os indicadores mostrem que a Bahia caminha para uma sociedade cada vez mais conectada, o levantamento evidencia que ter infraestrutura disponível não significa, necessariamente, inclusão digital. A pesquisa mostra que o desafio atual vai além da expansão da cobertura de internet. Passa, principalmente, pela educação, pelo letramento digital e pela capacitação de uma parcela da população que ainda não consegue utilizar as ferramentas disponíveis.
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