Historiadora e mestre Daiana Alcântara - Foto: Boca de Forno News
O debate sobre o significado histórico do 2 de Julho tem ganhado cada vez mais força na Bahia. Para muitos historiadores, a data representa a verdadeira consolidação da Independência do Brasil, uma vez que foi somente em 2 de julho de 1823 que as tropas portuguesas foram definitivamente expulsas do território baiano.
Em entrevista ao programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News, e ao portal Boca de Forno News, a historiadora e mestre Daiana Alcântara destacou que o entendimento atual da historiografia é de que a Independência do Brasil não pode ser resumida ao grito às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. “Cada vez mais estamos trabalhando com o entendimento de que o Dois de Julho é a Independência do Brasil na Bahia. O Sete de Setembro não foi um evento isolado. Se não houvesse as mobilizações do Dois de Julho, nós teríamos um país fragmentado”, afirmou.
Segundo a historiadora, enquanto o processo de independência no Sudeste ocorreu por meio de um acordo político, na Bahia houve uma verdadeira guerra pela libertação do domínio português. “Portugal não desistiu do controle por conta do grito do Ipiranga. Os portugueses continuaram na Bahia, e a população precisou lutar para garantir a independência do país”, explicou.
Daiana ressaltou ainda a importância da participação popular no processo, especialmente de mulheres, negros, indígenas e moradores do interior baiano, que tiveram papel decisivo nas batalhas pela independência. Entre os nomes que simbolizam essa resistência estão Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa, figuras históricas que se tornaram símbolos da luta pela soberania brasileira.
A historiadora também destacou a relevância do Recôncavo Baiano, especialmente da cidade de Cachoeira, considerada um dos principais berços da resistência contra as tropas portuguesas. Ela lembrou que, em 25 de junho de 1822, os cachoeiranos se levantaram contra o domínio português, enfrentaram embarcações militares e instalaram um governo provisório no interior da Bahia, em defesa da independência.
Foto: Divulgação / Governo da Bahia
Por esse motivo, desde 2007, o Governo do Estado transfere simbolicamente a sede administrativa da Bahia para Cachoeira durante as comemorações do 25 de Junho, em reconhecimento ao papel histórico do município nas lutas pela independência. “É muito importante que a gente conheça essa história e replique cada vez mais para que o povo conheça a força da Bahia em todo esse processo”, concluiu a historiadora.
As celebrações do 2 de Julho seguem como um dos momentos mais importantes do calendário cívico baiano, reforçando a memória da resistência popular e o papel decisivo da Bahia na consolidação da Independência do Brasil.
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