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Brasil Submissão?

Bolsonaro diz a aliados que Michelle é “incontrolável” e já mediu forças com ele

A ex-primeira-dama deu um presente de valor inestimável para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição ao escancarar a crise nas fileiras do bolsonarismo.

01/07/2026 08h29
Por: Karoliny Dias Fonte: Estadão
Foto: Carolina Antunes/PR
Foto: Carolina Antunes/PR

“Incontrolável”. Foi assim que o ex-presidente Jair Bolsonaro definiu Michelle a aliados, em mais de uma ocasião. Muito antes do vídeo em que a ex-primeira-dama acusou o senador Flávio Bolsonaro (PP-RJ), seu enteado, de humilhá-la ao telefone, o ex-presidente já havia afirmado a dirigentes do PL que ela jamais poderia ser candidata à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando ainda podia receber visitas, Bolsonaro lembrou que Michelle manteve com ele próprio, em 2022, uma queda de braço que ganhou os holofotes. À época presidente da República, Bolsonaro apoiava a candidatura de sua ex-ministra Flávia Arruda (PL) – hoje Flávia Péres – para uma vaga ao Senado.

Michelle não aceitou a decisão, bateu o pé e fez campanha de rua por Damares Alves (Republicanos), também ex-ministra. Para não entrar em atrito público com sua mulher, o então presidente não se envolveu na campanha de Flávia. Damares foi eleita e é até hoje uma das melhores amigas de Michelle.

Ao lado do jurista Ives Gandra Martins, da filha dele, Ângela, e de um casal de amigos, Michelle e Damares gostavam de assistir a filmes no cinema do Palácio da Alvorada, quando Bolsonaro era presidente, saboreando taças de vinho. Ele quase não participava dessas sessões.

Nessa época, Michelle apelidou Damares de “Damaroca”. E foi por causa dessa alcunha que o encontro do grupo, sem periodicidade definida, foi batizado de “Confraria Damaroca”.

Na crise atual entre Michele e Flávio, Damares é uma das que mais tentam apaziguar os ânimos ali. Mas está sempre ao lado dela, que ameaça agora não concorrer ao Senado.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por sua vez, tem outra tarefa: embora queira que a ex-primeira-dama dispute uma cadeira na Casa de Salão Azul, sua prioridade é impedir que ela seja uma espécie de “Pedro Collor” do século XXI.

A expressão se refere às denúncias de corrupção feitas por Pedro ao irmão-presidente Fernando Collor de Mello, que levaram ao impeachment do autointitulado “caçador de marajás”, em 1992.

Até agora, Valdemar não obteve sucesso em sua empreitada. Michelle não irá nesta quarta-feira, 1, no encontro de Flávio com mulheres – eleitorado em que ele enfrenta o maior índice de rejeição –nem pretende baixar as armas.

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