A ancestralidade, a resistência e a valorização da cultura afro-brasileira estarão em destaque na exposição “Axé Ancestral: Memórias da Casa do Pé da Cajá”, organizada por dez estudantes do Bacharelado em Museologia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A mostra será aberta na próxima segunda-feira (18), às 10h, no foyer do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), em Cachoeira, e seguirá até o dia 29 de maio, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 9h às 20h.
A iniciativa busca homenagear o tradicional Ilê Axé Oyo Nibecê, conhecido popularmente como Terreiro do Pé da Cajá, fundado em 1860 por Anacleto Urbano da Natividade, homem negro escravizado que deu origem a um dos mais importantes territórios de matriz africana do Recôncavo Baiano.
Uma das organizadoras da exposição, a discente de Museologia Iraildes Cardoso, conhecida como Irá, destacou que o projeto nasceu da necessidade de conectar universidade, comunidade e território ancestral. “Viemos falar do território Ilê Axé Oyo Nibecê, uma casa centenária fundada em 1860 por Anacleto Urbano da Natividade. É uma casa ancestral que surge como um local de acolhimento para pessoas invisibilizadas naquela época”, afirmou.
Segundo ela, ao longo de mais de um século, o terreiro passou pelas mãos de diversos líderes religiosos até chegar à conhecida Mãe China, figura respeitada em toda a região. Atualmente, a casa é conduzida por Pai Nino, filho de Mãe China, e por Dona Graça.
A estudante ressaltou ainda que o trabalho desenvolvido pelos alunos é baseado na chamada museologia social, voltada para a valorização das comunidades e de suas memórias. “Nós acreditamos na museologia social, na museologia de terreiro. Queremos valorizar e conectar o terreiro à comunidade e à universidade”, explicou.
A exposição contará com peças, fotografias e artefatos cedidos pelo próprio terreiro, além de registros de oralidade que ajudam a reconstruir a trajetória da comunidade religiosa ao longo dos anos. “É uma exposição que fala de história, memória e oralidade. Através desses acervos nós vamos contar a história desse território de resistência que marca o Recôncavo Baiano”, destacou Irá.
Também integrante do projeto, Irenildes Araújo, conhecida como Iu, ressaltou o sentimento de pertencimento envolvido na construção da mostra e a importância de combater preconceitos contra as religiões de matriz africana. “A expectativa é grande para que a gente possa desmistificar essa ideia de que o Candomblé é coisa ruim. Muito pelo contrário. São pessoas que abraçam o público, abraçam as pessoas em todos os níveis, sem distinção”, afirmou.
Irenildes contou que a equipe foi recebida de forma acolhedora durante a pesquisa de campo realizada no Terreiro do Pé da Cajá. “A prova disso nós tivemos ao entrar no terreiro para obter os acervos emprestados para a exposição. Encontramos um acervo extremamente rico em ancestralidade, pertencimento e história”, disse.
Ela também reforçou o convite para que moradores de Cachoeira, São Félix, Muritiba e de toda a região participem da programação. “Queremos que as pessoas conheçam e valorizem esse povo que muitas vezes é esquecido e tratado de forma preconceituosa. Somos um povo de bem, um povo que abraça”, declarou.
A exposição foi construída por um grupo de dez estudantes do curso de Museologia da UFRB, sob orientação da professora doutora Patrícia Santos. Os organizadores também divulgaram o perfil oficial do projeto nas redes sociais: @TerreirodoPedaCaja_expo.
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