Mais do que apresentações de dança, as quadrilhas juninas representam tradição, identidade cultural, geração de renda e preservação de um dos maiores patrimônios do Nordeste. É com esse objetivo que Feira de Santana realiza mais uma edição do Festival de Quadrilhas Juninas, reunindo 29 grupos do município em dois dias de apresentações no Ginásio Municipal Joselito Amorim.
Em entrevista ao portal Boca de Forno News, Carlos Matheus, integrante da quadrilha Bambas do Nordeste e membro do Coletivo de Quadrilhas Juninas de Feira de Santana, explicou que o evento nasceu da necessidade de fortalecer e dar protagonismo às quadrilhas locais.
Segundo ele, o coletivo é formado por 25 quadrilhas cadastradas no plano de ação da Prefeitura de Feira de Santana e outras quatro que compõem o cadastro de reserva. "O coletivo surgiu porque sentimos a falta das quadrilhas em Feira de Santana. Antigamente existia o Arraiá de Santana, organizado por Vilma Soares. Depois do falecimento dela, as quadrilhas ficaram dispersas e sentimos a necessidade de retomar esse movimento. Afinal, só em Feira de Santana existem 29 quadrilhas juninas", destacou.
Carlos lembrou que, em 2023, o grupo elaborou um plano de ação e apresentou o projeto à Prefeitura, que aprovou a iniciativa. Desde então, as quadrilhas passaram a contar com um espaço exclusivo durante os festejos juninos. Antes disso, os grupos se apresentavam nos festejos dos distritos de Humildes e São José, muitas vezes nos intervalos dos shows musicais. "Era um pouco desrespeitoso, porque as quadrilhas dançavam no intervalo das bandas. Conseguimos mudar isso e hoje elas têm um espaço exclusivamente voltado para elas, com o Festival de Quadrilhas Juninas de Feira de Santana."
O festival acontece nos dias 11 e 12, a partir das 10h, no Ginásio Municipal Joselito Amorim, localizado na Rua Aloísio Resende, no Centro da cidade, próximo à Biblioteca Municipal e ao Museu de Arte Contemporânea. Ao contrário de um concurso, o evento não possui caráter competitivo. "Não existe competição. É um festival. Porém, existe um regulamento que todas as quadrilhas precisam seguir. Quem não cumprir as regras poderá perder a vaga no próximo ano, dando lugar às quadrilhas que estão no cadastro de reserva."
As 29 quadrilhas foram distribuídas entre os dois dias de programação. No sábado serão aproximadamente 16 apresentações e, no domingo, as demais. Cada grupo terá entre 20 e 30 minutos para se apresentar, com intervalos destinados à troca de cenário e organização da quadra.
Outro aspecto destacado por Carlos Matheus é que o festival contempla exclusivamente grupos de Feira de Santana, fortalecendo os artistas locais. "Neste momento, o projeto é voltado apenas para as quadrilhas do município. Nossa intenção é, no futuro, construir um plano para realizar um festival envolvendo Feira de Santana e toda a região."
Para Carlos, manter uma quadrilha junina ativa é um trabalho que exige dedicação durante todo o ano. "As pessoas acham que quadrilha é coisa de um mês, mas não é. Quando termina um festival, já começamos a pensar no tema do ano seguinte, no marcador, nas roupas. Em janeiro e fevereiro já começam os ensaios. É um trabalho de doze meses."
Ele também chamou a atenção para os altos custos da atividade, especialmente para as quadrilhas que disputam competições estaduais, como Princesa do Sertão e União de Ouro, que representam Feira de Santana em diversos municípios baianos.
Segundo ele, apenas uma saia de figurino pode custar cerca de R$ 1.500, enquanto os adornos para cabelo chegam a aproximadamente R$ 500, sem contar pedrarias, tecidos e demais acessórios. "O apoio financeiro ajuda muito, mas os gastos são muito maiores. Muitas vezes precisamos buscar materiais em outras cidades porque o comércio local não consegue atender toda essa demanda."
Além da preservação da cultura popular, Carlos destacou que o movimento das quadrilhas impulsiona a economia, movimentando costureiras, artesãos, bordadeiras, comerciantes e diversos profissionais envolvidos na produção dos figurinos e cenários.
As apresentações também impressionam pelo número de participantes. O regulamento estabelece um mínimo de 24 integrantes, formando 12 pares, mas algumas quadrilhas chegam a reunir cerca de 100 pessoas, sendo aproximadamente 70 apenas na arena de apresentação. "Quadrilhas como a Princesa do Sertão e a União de Ouro representam Feira de Santana em toda a Bahia e levam dezenas de brincantes para as apresentações. Ao longo dos dois dias do festival, devem passar pelo ginásio entre 1.200 e 1.500 brincantes."
Para Carlos Matheus, valorizar as quadrilhas juninas significa preservar uma tradição que atravessa gerações e que faz parte da identidade cultural do povo nordestino.
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