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Nascer é um ato belíssimo e está em perfeita harmonia com a dignidade e o valor que são inerentes a cada ser humano. A sua beleza e a sua grandeza têm origem na vinda da vida a este mundo. Ao mesmo tempo, a própria vida ganha um sentido pleno e uma nobreza especial com a chegada de alguém. Isso se dá porque a razão de ser de uma pessoa está diretamente atrelada ao cuidar, ao proteger e ao ensinar a quem acaba de nascer. E, portanto, à responsabilidade pelo bem-estar dessa nova vida.
Na verdade, a vida humana é repleta de pequenos sinais que indicam e constroem essa nobreza. A alegria do nascimento é um desses sinais, é um dos momentos que geram e alimentam a felicidade nos corações dos que estão à volta.
O próprio cotidiano da chegada de uma criança a uma família é repleto de pequenas e simples situações que geram e sustentam essa alegria. O cuidado, a presença e a proteção que são dispensados à nova vida, contados em gestos e palavras, tornam os laços desse cuidar um pouco mais consolidados e mais cheios de significado.
É comum o que nunca acaba, desde o primeiro sorriso que se recebe, até o primeiro olhar que é devolvido, passando pelo primeiro gesto, pelas pequenas rotinas que se estabelecem e pela imediata ligação afetiva. Cada um desses momentos é um sinal que toca profundamente todos os corações e que é capaz de gerar recordações de alegria em qualquer um que tenha tido a oportunidade de vivê-los, tanto na execução da ação como em simples recordações.
A vida ganha sentido com a chegada de uma criança; é difícil explicar, mas parece que, ao nascer, a pessoa traz consigo a necessidade de um novo significado. O que estava bom, apesar de difícil, agora é apenas uma parte da vida. O que dá graça não é mais o amor, a beleza, a força, a riqueza, a sabedoria, a bondade ou a religião, mas sim o fato de que alguém precisa desses sentimentos, valores e ideias para sobreviver. Nasce a responsabilidade e, com a responsabilidade, a função de cuidar, proteger, ensinar e fazer feliz uma vida pequena e vulnerável.
Estar à mercê de um pequeno ser é um convite a desenvolver virtudes que até então não faziam parte da vida. A própria vulnerabilidade desperta a paciência e a empatia. Conversas, rituais e momentos de afeto que não faziam parte da rotina passam a fazer. Uma nova vida é como um foco de luz que, aparentemente, não ilumina muito, mas que, ao ser seguida e alimentada, se transforma em um sol.
Cada sorriso, cada olhar ou gesto de afeto imediato do bebê gera na família uma alegria que está longe do orgulho. É a alegria simples que surge em pequenos momentos. A união e o fortalecimento dessa base de amor são o grande presente. As memórias que ficam são pequenas: o primeiro sorriso e o primeiro olhar, um carinho, um momento de afeto ou alegria. Pequenas rotinas vão se consolidando e, mesmo sem perceber, a família se vincula àquela nova vida.
Nascer é nobre, porque a vida vai além da mera sobrevivência. Uma criança não é apenas um ser que começa a respirar. A vida se nutre de novos significados. Nasce alguém que faz com que viver valha a pena e tenha um propósito: cuidar, proteger e ensinar. Essa é a nobreza do nascimento — ter alguém que exige e merece tudo isso e o faz por amar.
A criança traz a mais simples de todas as responsabilidades. Cuidados básicos — proporcionar alimento, higiene, sono, paz, saúde — são as primeiras exigências. Simples, mas essenciais. E nesses cuidados, dia a dia, se vai a vida. E, ao mesmo tempo, ensina-se a construir a própria vida. Não é necessário muito mais para dar sentido à vida, porque ensinar é dar comida espiritual. As primeiras lições são aprendizado de paciência, de atenção e empatia. De repente, tudo que a vida diária tinha de aborrecido, incômodo ou difícil se transforma em alegria. As conversas ficam mais simples e a felicidade brota da entrega e do afeto que passam a vir naturalmente. Um toque, um olhar, um sorriso da criança criam um mundo sem igual. Uma rotina de pequenos rituais, como o banho ou colocar a criança para dormir, forma a mais doce das memórias.
No fundo, é a nobreza da família que faz nascer. A família é a base da nobreza, porque é ela que dá a uma criança uma vida em que faz sentido nascer. Nela, cada um tem um papel e um valor que vem do respeito. É o amor — o dar e o receber — que traz significado aos gestos e à rotina. É a presença, o carinho, a atenção, a alegria e o afeto que realmente importam. E, quando a entrega é simples e verdadeira, cresce a empatia com os que ajudam a criar e se sente gratidão por tudo que faz bem.
Quando um casal dá a luz à uma criança, se aproximam mais de Deus.
Por Alberto Peixoto
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