Sábado, 09 de Maio de 2026 10:29
75 98160-8722
Cultura Crônica da semana

A relação entre educação, cultura e arte e o impacto na conscientização dos eleitores

Por Alberto Peixoto

09/05/2026 09h17
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: TRE-TO

Educação, cultura e arte estão profundamente entrelaçadas. Essa articulação emerge de forma clara ao se pensar na educação como um dos alicerces da formação de cidadãos que participam ativamente da vida da sociedade. Tornar-se um eleitor consciente passa pela capacidade de desenvolver conhecimento, valores e habilidades cívicas por meio da educação, da cultura e das artes. Nesse sentido, a educação cívica respeita o modo como cada um compreende a sua realidade, e o papel da leitura é crucial para que a formação de um leitor respeitoso, que conhece e aceita as diversidades da sociedade do século XXI, possa servir como mediador e orientador da sua forma de ver e estar no mundo.

Com isso, é cada vez mais urgente desenvolver a educação cívica, especialmente por meio da cultura, da literatura, da arte e da discussão. A questão é simples: o quanto o espaço educativo formal e não formal é capaz de proporcionar essa leitura da realidade?

A educação é um fator determinante para a posse de habilidades cívicas necessárias e fundamentais para a participação nas eleições. Uma dessas habilidades é a leitura crítica e cuidadosa de notícias e informações sobre o Brasil e o mundo. Ler e estudar atentamente essas informações é o primeiro passo para se tornar um eleitor consciente e responsável. Uma das formas de aumentar o poder de leitura desses temas é a educação nas escolas. O quanto mais tempo um aluno passa na escola e o quanto mais ele estuda, mais fácil se torna interpretar e avaliar os candidatos.

A escola, a educação e a cultura são muito importantes para a formação de cidadãos ativos e conscientes de sua responsabilidade na vida política do país, porém, isso não é o suficiente. O problema é que, mesmo com todas essas comprovações e afirmações, a conscientização e a educação dos cidadãos para uma verdadeira participação na vida política do Brasil não estão sendo feitas no ambiente escolar, nem em outros locais da cultura e em casa.

Mesmo com escolas e faculdades de qualidade, e com uma cultura rica e acessível, a participação dos cidadãos brasileiros nas eleições é muito baixa, e quando vai, muitas vezes não é feita em caráter de escolha, mas sim de eliminação.

A cultura, assim como a educação, é um dos principais responsáveis pela formação dos valores cívicos, morais e éticos que orientam as posturas e as decisões de um indivíduo ou de um grupo.  Quando a cultura e a arte se conectam, com a música, a literatura, o teatro, as artes visuais e o folclore, essas manifestações estimulam a empatia, a busca de raízes, a identidade, o pertencimento e os laços que unem as pessoas.

 Cidadãos com formação cívica desenvolvem habilidades para analisar e interpretar a realidade, em especial notícias e informações que envolvem política e democracia. Educadores que atuam com leitura crítica e de gênero em espaços como escolas e clubes de leitura estimulam a formação de cidadãos críticos, informados e que reconhecem a importância do ato de votar. Nesse contexto, o êxito das ações de educação para a cidadania não depende apenas de uma especialização em leitura crítica da Rede Municipal de Educação, mas da articulação de todos os espaços sociais nos quais os alunos estão inseridos, em especial a escola e a família.

Se a família é um dos primeiros lugares onde se ensinam os valores do viver em sociedade, também é o ambiente em que uma grande parte das informações é recebida e interpretada. O ensino formal sobre leitura crítica da realidade e a orientação para o uso conscientizado das redes sociais e das novas tecnologias são fundamentais, principalmente em um cenário de desinformação em massa.

A educação dos cidadãos para a vida em sociedade é um dos objetivos da instituição escolar. Assim, a própria formação inicial e continuada de professores deve prepará-los não apenas para serem pedagógicos profissionais, mas também para atuarem como educadores do voto. No entanto, a educação formal precisa ser complementada por ações de instituições e espaços não formais, que devem e podem contribuir para a formação da consciência cívica dos cidadãos.

Esse processo de educação para a cidadania, que abrange o desenvolvimento do senso crítico e de valores sociais, éticos, morais e cívicos, deve se dar de forma colaborativa entre escolas, museus, centros culturais, parques e outros espaços que possuam interlocuções com a comunidade.

A educação cidadã é uma relação da educação convencional e não convencional com as artes e a cultura. Assim, a educação formal e não formal é uma condição para que os cidadãos possam participar do processo eleitoral, e a educação cívica é a metodologia que orienta essa formação. As manifestações artísticas e culturais, por sua vez, formam e transformam as relações dos indivíduos com o outro, com a cidade e com as pequenas e grandes comunidades e são, portanto, uma condição para a formação de cidadãos conscientes.

Para a conscientização dos eleitores, é essencial que a educação, a cultura e as artes proporcionem o estímulo à leitura, à interpretação e à fruição de obras e ações que instiguem o olhar crítico sobre a realidade. Essa formação, no entanto, enfrenta desafios, e algumas possibilidades são apresentadas. Esta conscientização os políticos não querem.  Eleitor burro, eleitor manipulável.

A relação entre educação cidadã e educação cívica, a influência da cultura e da arte na formação de valores cívicos e éticos e a necessidade de uma conscientização dos eleitores constituem os três eixos que sustentam a articulação entre educação, cultura e arte. As sugestões práticas para promover essa relação são simples e podem ser realizadas no cotidiano de classe. As listas de desafios e de cuidados éticos a serem respeitados na Educação Cidadã também são diretrizes que podem servir aos professores como parâmetros de reflexão sobre suas ações.

Por Alberto Peixoto

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários