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Cultura Crônica da semana

A Inteligência Artificial e as Ações Danosas às Eleições de 2026

Por Alberto Peixoto

02/05/2026 08h24
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: Reprodução

A IA - Inteligência Artificial - consiste em sistemas computacionais que tentam emular a inteligência dos seres humanos. São relevantes para o funcionamento da IA que temos hoje o uso de dados para treinar seus modelos e permitir a automação de tarefas. A IA gera conteúdos, segmenta mensagens, prevê comportamentos, automatiza respostas e analisa tendências. Suas aplicações legítimas são benéficas. Todavia, caminhos espúrios de uso da IA geradora de conteúdo são perigosos e abrangem a produção de desinformação, manipulação da opinião pública, amplificação de conteúdo e fraude eleitoral.

No início dos anos 70 a inteligência artificial já vinha sendo desenvolvida aos poucos com a criação de aplicações que desempenham tarefas específicas com um algum grau de automação ou até mesmo autonomia, mas que não possuíam inteligência. Exemplos simples incluem sistemas de apoio a decisão ou que jogam xadrez. Com o tempo os pesquisadores começaram a trabalhar em um tipo de IA chamada computação cognitiva, que tentava simular o comportamento humano em detecção de imagens, sons, padrões, etc.

Com o advento do aprendizado de máquina, que em termos simples é fazer com que o computador aprenda a partir da tentativa e erro, a IA começou a evoluir substancialmente. Isso nos fez chegar ao estado atual, no qual estamos presenciando um novo tipo de IA, a IA gerativa (ou generativa), que veio com o intuito de gerar texto e outros tipos de conteúdo. Esse tipo de IA é treinada com imensas coleções de dados retirados de todo lugar, principalmente da Internet, fazendo com que os computadores aprendam tudo o que for possível. Com isso foi possível simular um comportamento como se as máquinas tivessem hábitos, emoções, desejos e um senso maior de moralidade.

Essa inovação abriu um leque de possibilidades, gerando alguma preocupação no pleito eleitoral. Neste contexto, a IA pode ser usada em ações danosas nas eleições em várias fases e com diferentes atores. O uso pode ser feito para atividades de campanha oficial ou de oposição, porém, nos dois casos são ações que buscam enganar ou manipular a sociedade, podendo ser aplicadas com a intenção de favorecer ou prejudicar um candidato ou partido. Muitas vezes essas ações não possuem vinculação direta e buscam complementar uma ação específica.

As ações começam com a coleta de dados de diferentes tipos sobre a sociedade e, mais especificamente, sobre os grupos que se pretende atingir. Esses dados são usados para treinar modelos que serão utilizados para a difusão de conteúdos que atinjam as pessoas de uma forma mais contundente. Uma vez que os conteúdos tenham sido produzidos, é feita a sua disseminação e amplificação, em geral, de forma disfarçada, por meio de contas falsas e semi-falsas.

Ao longo do processo, as mudanças na percepção das pessoas são monitoradas para que novos conteúdos possam ser gerados e distribuídos. Essas ações, ainda que não sejam centrais para a realização de golpes ou desestabilizações institucionais, atuam diretamente na fragmentação da confiança do público nas instituições e a construção da desconfiança, polarização e relutância à participação de novos grupos.

Os impactos potenciais das ações danosas que utilizam Inteligência Artificial nas eleições presidenciais de 2026 podem ser extenso e abarcar diferentes aspectos do processo eleitoral e da democracia. As ações danosas apoiadas por IA podem prejudicar a percepção de qualidade informativa do público, elevando a percepção de desinformação e gerando a desconfiança nas informações, mesmo as verdadeiras e bem fundamentadas.

Essa erosão de confiança pode se manifestar no processo eleitoral e nas instituições responsáveis por sua realização, resultando em maior custo para a participação política e na diminuição da votação, junto a um aumento da polarização da sociedade e das tensões sociais e políticas.

A Inteligência Artificial é um ramo da ciência da computação cujo objetivo consiste em criar sistemas capazes de reproduzir a inteligência humana; neste contexto, analisa-se especificamente de que maneira essa tecnologia pode ser utilizada para provocar danos nas eleições.

Por Alberto Peixoto

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