Foto: Divulgação/Help Emergências Médicas e Telemedicina
O “Palavra de Médico” deste domingo (3) fez um alerta importante à população sobre os riscos associados ao uso incorreto de medicamentos. A entrevista abordou desde a automedicação até falhas no armazenamento e no cumprimento das orientações médicas. A fala do especialista trouxe dados preocupantes e exemplos práticos que evidenciam como hábitos aparentemente simples podem comprometer tratamentos e até agravar doenças.
Durante sua participação no programa Boca de Forno, da Rádio Sociedade News, ao tratar do uso racional de medicamentos, o médico clínico e cirurgião Tarcízio Pimenta destacou que a falta de compreensão das orientações médicas é um dos principais problemas enfrentados no dia a dia. Segundo ele, cerca de metade dos pacientes deixa o consultório sem entender corretamente como utilizar os remédios prescritos. “Mesmo com explicação, muitos não assimilam as informações e acabam usando de forma errada”, afirmou.
A automedicação foi apontada como uma prática alarmante no Brasil. De acordo com o médico, aproximadamente 90% da população já utilizou medicamentos por conta própria, sem orientação profissional. Esse comportamento, segundo ele, envolve desde analgésicos simples até antibióticos, o que aumenta significativamente os riscos à saúde.
Ele destacou ainda que uma parcela considerável dos medicamentos utilizados vem de indicações informais. Cerca de 48% são sugeridos por atendentes de farmácia, enquanto 68% circulam dentro do ambiente familiar, sendo compartilhados entre parentes. Além disso, vizinhos e amigos também contribuem para esse cenário, indicando remédios sem conhecimento técnico.
Um dos pontos mais críticos abordados foi o uso inadequado de antibióticos. O médico explicou que interromper o tratamento antes do tempo recomendado pode gerar resistência bacteriana, tornando futuras infecções mais difíceis de tratar. “O paciente melhora e para de tomar o remédio, mas a bactéria não foi eliminada. Ela se fortalece e o medicamento perde o efeito”, explicou.
Outro problema recorrente é o descuido com horários e dosagens. Esquecer de tomar o medicamento, ingerir em horários irregulares ou até duplicar doses são erros comuns, especialmente entre idosos. “Há casos em que o paciente mistura medicamentos ou toma doses erradas por falta de orientação adequada”, alertou.
Tarcízio Pimenta também chamou atenção para a forma correta de ingestão dos medicamentos. Segundo ele, comprimidos e cápsulas devem ser ingeridos com água, preferencialmente cerca de 200 ml, e não com leite, café, sucos ou bebidas alcoólicas. Isso porque essas substâncias podem interferir na absorção e na eficácia dos remédios. “Os medicamentos são testados com água, e não com outras bebidas”, reforçou.
O armazenamento inadequado também foi citado como fator de risco. Guardar remédios em locais quentes, úmidos ou expostos ao sol, como banheiros, cozinhas ou dentro de veículos, pode comprometer sua eficácia. Além disso, retirar comprimidos da embalagem original e deixá-los expostos facilita a contaminação e a perda de efeito.
Outro alerta importante foi sobre o uso de medicamentos vencidos. O médico explicou que a validade indica o período em que o produto mantém sua eficácia e segurança, sendo arriscado utilizá-lo após esse prazo. O descarte também deve ser feito corretamente, em farmácias ou unidades de saúde, evitando impactos ambientais.
A entrevista também abordou a chamada interação medicamentosa, que ocorre quando diferentes medicamentos são utilizados simultaneamente sem orientação, podendo potencializar ou anular efeitos. “Um remédio pode interferir no outro e causar danos ao organismo”, explicou.
Além disso, o médico destacou que o uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas de doenças mais graves, dificultando diagnósticos e atrasando tratamentos adequados. Ele citou exemplos como dores abdominais que podem esconder quadros de apendicite, agravados pelo uso inadequado de remédios.
Por fim, Tarcízio Pimenta reforçou que o uso de medicamentos deve sempre ser feito com responsabilidade e acompanhamento profissional. “Remédio não é algo simples. É uma substância que entra no organismo e precisa ser usada com cuidado. O uso correto é essencial para garantir eficácia e evitar riscos”, concluiu.
Ouça o “Palavra de Médico” completo clicando aqui.
Medida Ministério da Saúde começa distribuição emergencial de medicamento oncológico no Brasil
Saúde Bahia e Brasil ampliam parceria na saúde com anúncio de R$ 66,49 milhões para 34 municípios
Neuromodulação Neuromodulação ganha espaço no tratamento da dor crônica e do estresse
Saúde Santa Casa de Cachoeira é reativada com novos serviços e investimento milionário nas comemorações do seu bicentenário
Palavra de médico O “Palavra de Médico” deste domingo falou sobre os desafios da saúde mental
Alzheimer Novo medicamento contra Alzheimer deve chegar ao Brasil em junho 
Mín. 20° Máx. 31°
Mín. 21° Máx. 30°
Chuvas esparsasMín. 20° Máx. 29°
Chuvas esparsas


