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Sem vaga e sem respostas: estudante luta para garantir direito à educação em Feira de Santana

Mesmo após buscar escolas, Núcleo Territorial de Educação e Defensoria Pública, jovem de 17 anos segue fora da sala de aula desde o início do ano letivo.

07/04/2026 17h45
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Raquel dos Santos Pires - Foto: Boca de Forno News
Raquel dos Santos Pires - Foto: Boca de Forno News

Uma situação preocupante em Feira de Santana evidencia uma falha que não tem explicação no acesso à educação pública estadual. A estudante Raquel Santos Pires, de 17 anos, enfrenta uma verdadeira maratona desde janeiro para conseguir uma vaga no 1º ano do ensino médio, direito garantido por lei, mas até agora não obteve sucesso.

Determinada a continuar os estudos, Raquel conta que o problema começou logo após a conclusão do ensino fundamental, quando tentou realizar a matrícula na rede estadual. Segundo ela, um erro no sistema tem impedido a efetivação do processo. “Eu fui tentar fazer minha matrícula em um colégio e deu erro. Procurei outras escolas e o erro continuou. Ninguém consegue identificar o que está acontecendo”, relata.

A estudante percorreu mais de cinco escolas diferentes, além de buscar ajuda no Núcleo Territorial de Educação (NTE), que a encaminhou para outras unidades, sem solução. Mesmo após o caso ser reportado internamente, o problema persiste.

Sem respostas, a família também recorreu à Defensoria Pública do Estado da Bahia. Um ofício foi enviado à Secretaria Estadual de Educação, mas a resposta recebida orientava apenas que a estudante retornasse a uma escola para realizar a matrícula, o que, novamente, resultou no mesmo erro. “Eu fui com o ofício, mas quando tentei fazer a matrícula, deu erro de novo. Parece que estou em um caminho sem saída”, desabafa.

Enquanto o impasse se arrasta, Raquel segue fora da sala de aula desde o início do ano letivo. A ausência de uma solução não apenas compromete o presente, mas também gera insegurança em relação ao futuro, que é a sua maior preocupação. “Eu sou uma pessoa dedicada, gosto de estudar e quero trabalhar, mas pra isso eu preciso estudar. Isso está atrapalhando meu futuro”, afirma.

A jovem também destaca o impacto emocional da situação. Sem conseguir avançar nos estudos, ela relata dificuldades em manter uma rotina e incertezas sobre os próximos passos. “Eu quero estudar como qualquer outro jovem. Só quero uma oportunidade”, reforça.

Apesar de ter concluído regularmente o ensino fundamental na rede municipal, Raquel afirma que não recebeu suporte adicional nesse processo de transição para o ensino médio, já que a responsabilidade agora é da rede estadual. "A parte que lhe cabe, a escola que estudei o ensino fundamental já fez". 

Diante da falta de respostas concretas por parte dos órgãos responsáveis, a estudante faz um apelo direto às autoridades. “Eu quero uma resposta. Quero estudar o quanto antes e recuperar o tempo perdido”, diz. Enquanto isso, Raquel segue aguardando uma solução que lhe permita exercer um direito seu que é básico e que está na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): o acesso à educação.

Com informações do repórter Onildo Rodrigues 

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