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Cultura Crônica da semana

Trânsito de Feira de Santana: um teatro de horrores!

Por Alberto Peixoto

28/03/2026 09h15
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: Divulgação 

O trânsito de Feira de Santana é um problema público, real e concreto. Trata-se de um tema importante e sério, que merece a atenção de políticos, técnicos, professores, alunos, empresas, escolas e, principalmente, de toda a comunidade feirense. Diante da relevância social, uma pergunta deve ser feita: o que o Trânsito de Feira de Santana revela?

O trânsito na Cidade Princesa revela um verdadeiro teatro de horrores. O cenário é simétrico: as vozes que escutam não são entoadas em harmonia, mas em gritos e sussurros. As vítimas são numerosas e variadas: pedestres, motoristas, ciclistas e usuários do transporte coletivo. Os ferimentos são diretos e visíveis. O tempo, que insiste em passar, é precioso e escasso. Os custos, mais que volumosos, custam o presente e o futuro. E o medo, embora invisível, se faz presente no dia a dia e na vida futura de todos.

Contudo, o sofrimento não se limita às vítimas diretas. O impacto do trânsito é muito maior: todos pagam o preço, mesmo aqueles que não utilizam as ruas. Isso porque ações irresponsáveis dentro do trânsito reduzem o padrão educacional da sociedade e geram repercussões econômicas locais.

Quem não tem tempo - ou não quer gastar - para se deslocar mais rápido, acaba sendo obrigado a perdê-lo em deslocamentos mais longos. E, embora a educação não tenha preço, as pessoas acabam perdendo tempo ao serem obrigadas a falhar na aprendizagem. Quando alguém tem tempo para ir a pé para a escola, por exemplo, a única saída do problema é a precária sinalização do trânsito.

Em Feira de Santana, como a maioria das ruas e avenidas são muito estreitas para o número de veículos que a usam, nos horários de pico acontecem engarrafamentos. Estes são apenas um dos fatores que mais podem ser percebidos no dia a dia. As precárias condições de tráfego, os assaltos, os atropelamentos, as bruscas freadas de ônibus e caminhões, os motoristas imprudentes e as péssimas condições das ruas são apenas alguns dos muitos problemas que podem ser encontrados.

Veja algumas situações no trânsito de FSA: ausência de zona azul; estacionamento em portas de garagem; o telefone da SMTT nunca atende ao chamado e quando atende não toma nenhuma providência; filas duplas comuns nas ruas da cidade sendo institucionalizada na Av. Senhor dos Passos; ausência de geometria em dúcteis contornos da cidade, as conversões são feitas com a calçada em ângulo reto dificultando as manobras ou rasgando os pneus dos usuários; profundidade absurda das sarjetas nos cruzamentos mesmo existindo sinaleiras, represando o trânsito e criando pequenos engarrafamentos desnecessários; ausência de sinalização horizontal em diversas ruas e avenidas; sinaleiras antigas ou sem manutenção, muitas desprovidas de temporizador - os motoristas para evitar avançar o sinal, teriam que adivinhar quando ocorreria a mudança e fazer cálculos de cinemática para tanto - nivelamento das tampas de bueiros e galerias de concessionários de serviços públicos de telefonia e fornecimento de água e esgoto, etc

O trânsito bagunçado de Feira de Santana não afeta apenas motoristas e motociclistas. Pedestres e ciclistas também sentem os efeitos e, na maior parte das vezes, de forma mais intensa. A cidade é uma das mais perigosas do Brasil para quem atravessa a rua ou faz um passeio. O número de atropelamentos e de mortes na faixa é alarmante. O que deveria ser apenas um pequeno deslocamento se torna um verdadeiro teste de resistência.

Muitas pessoas evitam caminhar. Algumas não conseguem, mesmo que queiram, porque não há calçadas – todas tomadas por ambulantes – e, quando existem, estão em péssimo estado. As que fazem o trajeto a pé enfrentam o desgaste físico e isso provoca cansaço e perda de tempo. O mesmo acontece com os usuários do transporte coletivo. As horas perdidas ali poderiam ser empregadas em ações mais produtivas, como a educação dos filhos ou o trabalho.

Algumas intervenções são simples e eficazes, como a educação no trânsito, que deve ser praticada nas escolas e divulgada na mídia, e campanhas que visam o respeito a pedestres e ciclistas. Melhorar a sinalização é outro caminho. O policiamento e a fiscalização, especialmente em horários críticos, contribuem para reduzir a imprudência.

O tema merece atenção e ações coordenadas, de curto a longo prazo, podem ajudar a mitigar os diversos problemas causados pelo tráfego na cidade. Entre as medidas que permitem avançar nesse sentido destacam-se a criação de campanhas educativas, a melhoria da sinalização, o policiamento e a fiscalização, a execução de serviços de trânsito temporários ou em caráter de urgência e a realização de um planejamento de transporte e trânsito para a cidade.

Por Alberto Peixoto

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