O arquiteto baiano Fábio Pera, morador de Salvador, escapou por poucas horas de ficar retido no Catar em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Ele deixou o país apenas quatro horas antes do início dos ataques e interceptações de mísseis, enquanto 15 brasileiros — incluindo dois médicos baianos — permanecem em Doha sem previsão de retorno ao Brasil.
O grupo ficou retido após o fechamento do espaço aéreo em países do Golfo Pérsico, consequência direta do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, que entrou no sexto dia nesta quinta-feira, 5.
Entre os retidos estão Luiz e Rosana, casal de médicos e auditores da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), surpreendidos pela escalada militar.
Acompanhando a situação à distância, Fábio descreve a mistura de sentimentos: “Eu passei por dois sentimentos muito grandes: um sentimento de alívio e desespero”, relata o arquiteto.
A jornada começou como uma experiência cultural e espiritual, reunindo 40 brasileiros de todo o país para uma imersão na cultura indiana e práticas de yoga. Antes do destino final, parte do grupo incluiu Doha no roteiro.
"Alguns decidiram conhecer o Catar antes da Índia. Eu fui um deles, há cerca de 20 dias, um pouco antes do Carnaval", relembra Fábio. Após a Índia, 15 integrantes decidiram prolongar a estadia no Catar no caminho de volta.
"Eles resolveram ficar em Doha, na região do Golfo Pérsico, próximo a Dubai", completa.
"Eu passei por dois sentimentos muito grandes: alívio e desespero", afirma Fábio Pera.
A guerra começou em 28 de fevereiro e transformou a viagem de lazer em um pesadelo geopolítico. Confira os pontos principais da crise:
Luiz e Rosana relatam que as interceptações são visíveis dos hotéis. "A paisagem matinal é de uma batalha de explosivos; eles veem tudo pela janela e ficam, claro, super apreensivos", diz Fábio sobre os vídeos recebidos.
O pânico mantém alguns turistas confinados. "Relataram que há um grupo de japoneses que não sai do subsolo por medo, mas nossos amigos estão conseguindo manter a calma sob orientação do hotel e do governo local".
"As ruas, segundo relatos deles, estão com uma aparência de pandemia. Não tem praticamente ninguém andando."
Fábio deixou Doha em conexão e só soube do agravamento quando já estava fora da zona de risco. "Felizmente meu voo decolou apenas quatro horas antes do ocorrido", celebra.
Na falta de voos, houve tentativas desesperadas de fuga por terra. "Dois brasileiros alugaram um carro para tentar romper a fronteira, uma atitude perigosa pelo risco de serem confundidos com combatentes ou bombardeados na estrada."
A tentativa falhou, pois a fronteira estava fechada.
O medo de fragmentos de mísseis é real e já atingiu outros brasileiros na região. A cantora Simone Mendes estava no mesmo voo de conexão que Fábio e relatou momentos de pânico em Dubai.
Segundo ela, o hotel onde estava hospedada foi atingido por estilhaços de um míssil interceptado, deixando feridos no local pouco antes de sua partida. O relato reforça a gravidade da situação para quem ainda não conseguiu deixar o Golfo.
Uma esperança é a saída por Dubai. "Dizem que há expectativa de voos saindo de lá, mas o Itamaraty precisaria obter vistos provisórios para os brasileiros, o que ainda não ocorreu", finaliza Fábio.
"Hoje mesmo eu liguei para um deles, foi para o Luiz. E ele disse da preocupação dele, porque hoje pela manhã teve um bombardeio intenso lá", diz Fábio Pera.
O Itamaraty informou que está monitorando a situação dos brasileiros retidos e prestando assistência consular. No entanto, ressaltou que a evacuação depende da segurança do espaço aéreo e das autorizações diplomáticas dos países vizinhos.
Por enquanto, a orientação é que os cidadãos permaneçam em locais seguros e sigam as instruções das autoridades locais, já que o governo do Catar está garantindo hospedagem e alimentação aos turistas afetados.
Para brasileiros que enfrentam risco imediato à vida, segurança ou dignidade no Oriente Médio, o Itamaraty disponibilizou os seguintes plantões consulares (disponíveis via telefone e WhatsApp):
1. Meu voo foi cancelado. O que devo fazer primeiro?
Procure imediatamente a companhia aérea para remarcação ou reembolso. De acordo com a ANAC, passageiros têm direito à assistência material (comunicação e alimentação). Se estiver em zona de conflito, a prioridade é a segurança; procure abrigo antes de tentar resolver questões burocráticas.
2. Como o Itamaraty pode me ajudar a sair do país?
O Ministério das Relações Exteriores presta assistência consular, o que inclui orientação jurídica, emissão de documentos de viagem e interlocução com autoridades locais. Em casos extremos de fechamento de espaço aéreo, o governo monitora rotas alternativas (como por terra ou via Dubai) e avalia operações de repatriação com aeronaves da FAB.
3. Quais documentos preciso ter em mãos?
Certifique-se de que seu passaporte tem pelo menos seis meses de validade. Mantenha cópias digitais de seus documentos em um e-mail ou nuvem de fácil acesso.
4. Existe algum formulário de resgate?
Em crises anteriores, o Itamaraty abriu formulários online para mapear brasileiros interessados em repatriação. Recomenda-se acompanhar os canais oficiais do e os grupos de WhatsApp das embaixadas locais para avisos de prontidão.
5. Posso tentar sair por conta própria por terra?
O Itamaraty desaconselha deslocamentos terrestres em zonas de conflito sem confirmação de que as fronteiras estão abertas e as estradas seguras. O risco de ser confundido com combatentes ou atingido por bombardeios é elevado.
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