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Feira de Santana Trânsito

Violência no trânsito sobrecarrega HGCA e mobiliza força-tarefa em Feira de Santana

Ministério Público, SMT, HGCA, PM e lideranças políticas defendem fiscalização mais rígida, uso do capacete e ações integradas para reduzir acidentes na cidade e região

25/05/2026 15h46
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

O avanço da violência no trânsito e o impacto direto sobre o sistema público de saúde colocaram autoridades, órgãos de fiscalização e representantes políticos em alerta em Feira de Santana. Durante coletiva realizada nesta segunda-feira (25), no auditório do Hospital Geral Clériston Andrade, representantes do Ministério Público, da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), Polícia Militar, da direção do hospital e lideranças políticas defenderam o endurecimento da fiscalização, ampliação das ações educativas e integração entre municípios da região para conter o número de acidentes, principalmente envolvendo motociclistas. Dados apresentados durante o encontro apontam que 78% da ocupação dos leitos da unidade hospitalar está relacionada a ocorrências de trânsito, enquanto os acidentes continuam gerando vítimas graves, altos custos ao SUS e pressão sobre a rede de saúde pública.

Audo Rodrigues - Foto: Boca de Forno News

Durante a coletiva, o promotor Audo Rodrigues destacou que o principal objetivo da iniciativa é dar transparência à população sobre o trabalho desenvolvido pelas instituições e fortalecer a integração entre os órgãos responsáveis pela redução dos acidentes.

Segundo ele, os dados apresentados indicam uma redução ainda discreta no número de acidentes em Feira de Santana, mas já apontam resultados positivos das ações conjuntas de fiscalização e conscientização. “O Ministério Público está cobrando dessas entidades os planos de atuação, as políticas sociais, governamentais e estruturais para que haja mudança nesse panorama preocupante do trânsito em Feira de Santana”, afirmou.

O promotor também chamou atenção para as condições de trafegabilidade do Anel de Contorno, apontado atualmente como o trecho mais crítico da cidade em relação aos acidentes. De acordo com ele, o segmento entre o Portal do Sertão e o bairro Cidade Nova, que ainda não foi duplicado, concentra os maiores índices de ocorrências.

Audo Rodrigues reconheceu a necessidade de manutenção da pista e melhorias estruturais, mas ressaltou que a responsabilidade não pode ser atribuída exclusivamente ao poder público. “Há uma responsabilidade primária do condutor, que trafega em locais que sabe não estarem em condições adequadas”, pontuou.

Ainda segundo o promotor, dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que trechos já duplicados do Anel de Contorno tiveram redução de cerca de 90% nos acidentes após as obras.

O representante do Ministério Público explicou que os acidentes com vítimas fatais ou feridos são encaminhados à Polícia Civil, responsável pela elaboração do inquérito policial. Em seguida, os casos são analisados pelas promotorias competentes, que avaliam se houve conduta culposa ou dolosa.

Ele lembrou que o Código de Trânsito Brasileiro prevê diversos crimes, como embriaguez ao volante, homicídio culposo, lesão corporal culposa e direção sem habilitação com risco à coletividade. “As instituições precisam levar esses fatos ao conhecimento do Poder Judiciário para responsabilização adequada”, destacou.

Segundo Audo Rodrigues, o trabalho integrado entre os órgãos começou no início do ano com reuniões periódicas para definição de metas e políticas públicas. Cada instituição apresentou uma “carta de intenções”, com ações específicas voltadas para redução dos acidentes. “O Ministério Público está acompanhando para verificar se aquilo que foi proposto será efetivamente realizado”, afirmou.

Entre as medidas previstas estão operações intensificadas de fiscalização em períodos festivos, como São João e grandes eventos, seguindo modelo semelhante ao adotado durante a Micareta de Feira, considerada exitosa pelos órgãos envolvidos.

O promotor afirmou que o momento atual exige uma atuação mais repressiva diante do elevado número de infrações e dos impactos causados ao sistema público de saúde. “Passou-se um pouco mais daquele momento exclusivamente educativo para uma fase repressiva. O gasto de saúde pública com vítimas de acidentes não se justifica diante da quantidade de infratores”, declarou.

Durante a coletiva, o promotor também criticou a realização de eventos relacionados à prática do “grau” com motocicletas. Segundo ele, há uma diferença entre prática esportiva regular e atividades que oferecem risco elevado aos participantes e à população.

Audo Rodrigues citou o impacto dessas ocorrências no sistema de saúde e relatou que acidentes registrados em eventos dessa natureza já geraram atendimentos no hospital.

Ele ainda elogiou o posicionamento recente da Polícia Militar contra a autorização desse tipo de evento.

Dados apresentados durante a reunião indicaram redução de aproximadamente 8% nos acidentes registrados em Feira de Santana nos primeiros meses de 2026, enquanto outros municípios da região apresentaram crescimento nos índices.

Para o promotor, isso demonstra que as ações de fiscalização adotadas em Feira têm produzido efeitos mais concretos. “Muitos acidentes em municípios vizinhos acabam desembocando no Clériston Andrade. Onde existe maior fiscalização e políticas públicas, os números tendem a reduzir”, avaliou.

Questionado sobre possíveis mudanças na legislação, o promotor afirmou que o debate não deve se limitar ao endurecimento das penas, mas também envolver educação no trânsito, fiscalização e critérios para habilitação de condutores.

Ele destacou que muitos infratores são reincidentes, mesmo após multas e apreensão de veículos, e defendeu uma discussão mais ampla sobre conscientização e responsabilidade no trânsito.

Ao final da entrevista, Audo Rodrigues também defendeu que o poder público avalie novas formas de sinalização em trechos considerados perigosos, especialmente para motoristas de outras cidades que trafegam por Feira de Santana.

Segundo ele, a instalação de placas alertando para locais com alto índice de acidentes pode ser uma medida importante para prevenção e redução das ocorrências.

HGCA

Cristiana França - Foto: Boca de Forno News

A diretora do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, afirmou que o hospital já registra uma discreta redução no número de acidentes de trânsito envolvendo pacientes de Feira de Santana, mas alertou para o crescimento dos casos oriundos de municípios vizinhos e distritos da região.

Segundo a gestora, os dados ainda são considerados iniciais, mas já demonstram um movimento positivo em relação às ações de conscientização e fiscalização realizadas na cidade. “Os números ainda são muito pequenos, muito incipientes, mas a gente já vê uma melhora no trânsito de Feira de Santana em termos de acidentes que chegam ao Clériston. Em compensação, o entorno da cidade está crescendo”, afirmou.

Cristiana França destacou que o cenário exige um esforço conjunto entre municípios, órgãos de fiscalização e instituições públicas para reduzir os índices de acidentes em toda a região atendida pela unidade hospitalar.

De acordo com ela, o hospital, juntamente com o Ministério Público, já iniciou um processo de diálogo com prefeitos e superintendências de trânsito de cidades vizinhas para ampliar as ações preventivas. “Nós estamos trabalhando por etapas. Já realizamos o fórum, enviamos cartas ao Ministério Público e agora vamos chamar os prefeitos e os responsáveis pelo trânsito desses municípios para discutir medidas de redução dos acidentes”, explicou.

A diretora ressaltou que, comparando os dados de 2025 com os primeiros meses de 2026, houve uma redução discreta nos registros de acidentes, o que considera um sinal positivo para continuidade das ações.

Sobre os tipos de ocorrências mais frequentes atendidas no hospital, Cristiana França informou que predominam fraturas de membros inferiores, principalmente em vítimas de acidentes com motocicletas. No entanto, ela alertou para o crescimento de casos mais complexos envolvendo cabeça, face e coluna cervical, especialmente relacionados ao não uso do capacete. “Quanto mais próxima da cabeça é a lesão, mais grave ela se torna. O paciente pode sofrer fratura de base de crânio, lesão cervical e até perder os movimentos do pescoço para baixo”, alertou.

Segundo a diretora, os municípios vizinhos apresentam um quadro ainda mais preocupante devido à baixa adesão ao uso do capacete entre motociclistas. “Em Feira de Santana vemos mais lesões de membros inferiores. Já nas cidades do entorno, as pessoas muitas vezes não usam capacete, e as lesões acabam sendo muito mais graves”, destacou.

Durante a entrevista, Cristiana França também chamou atenção para o impacto financeiro causado pelos acidentes de trânsito no sistema público de saúde. De acordo com ela, um paciente internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) gera um custo diário médio de aproximadamente R$ 5 mil ao hospital.

Nos casos em que o paciente necessita apenas de enfermaria e procedimentos cirúrgicos, o custo diário gira em torno de R$ 2,5 mil.

A diretora ainda informou que o hospital já se prepara para o aumento da demanda durante o período junino, quando cresce o fluxo de veículos nas rodovias da região “Com o aumento do movimento nas BRs durante o São João, naturalmente cresce também o número de acidentes. Nosso desafio é preparar o hospital para receber essas vítimas”, afirmou.

Cristiana França revelou ainda que o hospital pretende ampliar o diálogo com empresas de aplicativo e trabalhadores que utilizam motocicletas como ferramenta de trabalho, buscando construir estratégias para reduzir os acidentes envolvendo essa categoria.

SMT

Ricardo Cunha - Foto: Boca de Forno News

O superintendente Municipal de Trânsito de Feira de Santana, Ricardo Cunha, afirmou que a Prefeitura pretende intensificar ações integradas de fiscalização e conscientização para reduzir os acidentes de trânsito em Feira de Santana, principalmente nos distritos do município, onde há elevado número de vítimas envolvendo motociclistas sem capacete.

Segundo Ricardo Cunha, a principal preocupação da SMT não é a aplicação de multas, mas a preservação da vida e a redução dos impactos causados pelos acidentes no sistema público de saúde. “O que a gente quer trabalhar é a conscientização para que as pessoas comecem a usar capacete. Não tenho interesse nenhum em autuação ou penalidade. O que mais interessa é evitar que uma pessoa perca a vida ou fique incapacitada”, afirmou.

De acordo com o superintendente, a SMT aguarda apenas a definição do efetivo da Polícia Militar para iniciar uma operação conjunta de fiscalização nos distritos e comunidades da zona rural.

Ricardo Cunha destacou ainda que o município pretende integrar informações de postos de saúde, hospitais e unidades de atendimento em um único sistema de monitoramento de acidentes. A proposta é permitir a criação de um “mapa de calor” dos pontos com maior incidência de ocorrências no trânsito. “Todos os locais que recebem vítimas de acidentes vão interagir em um sistema só. Isso vai permitir identificar onde estão os maiores índices de acidentes para que possamos atuar diretamente nesses locais”, explicou.

Durante a entrevista, o superintendente também reconheceu problemas relacionados à infraestrutura viária, como buracos e falhas na sinalização, principalmente em trechos do Anel de Contorno. Ele ressaltou, porém, que algumas dessas vias são de responsabilidade de órgãos federais, como o DNIT.

Ao comentar sobre obras realizadas pela Embasa nas ruas da cidade, Ricardo Cunha afirmou que a falta de comunicação entre os órgãos ainda dificulta a atuação preventiva da SMT. “Hoje a comunicação é muito falha. Muitas vezes a SMT só toma conhecimento da obra depois que ela já começou. Quem tem a expertise para orientar a sinalização correta é a SMT”, disse.

O superintendente informou que mantém diálogo com a agência reguladora e com a Embasa para melhorar a troca de informações e evitar que intervenções em vias públicas aconteçam sem a devida sinalização.

Sobre a falta do uso de capacete, Ricardo Cunha reforçou que as consequências dos acidentes são muito mais graves do que as penalidades previstas em lei. “A multa é de R$ 293 e há suspensão do direito de dirigir, mas isso é o que menos interessa. A maior penalidade é a pessoa sofrer lesões graves, perder a vida ou ficar incapacitada”, declarou.

Ele também admitiu que Feira de Santana ainda possui deficiência na sinalização horizontal e vertical, agravada pelas chuvas constantes registradas nos últimos dias. Segundo o gestor, equipes da SMT têm atuado diariamente para recuperar a pintura das vias. “A cidade ainda tem muito a ser pintado. Foram muitos anos sem manutenção adequada da sinalização”,

Debate essencial

Zé Neto - Foto: Boca de Forno News

O deputado federal Zé Neto defendeu uma mobilização conjunta entre poder público, forças de segurança, imprensa e sociedade civil para enfrentar a violência no trânsito em Feira de Santana. Durante coletiva realizada no Hospital Geral Clériston Andrade, o parlamentar classificou o debate como essencial para conscientizar a população e combater a desinformação em torno do tema.

Segundo Zé Neto, o impacto dos acidentes de trânsito sobre a rede pública de saúde atingiu níveis alarmantes. Ele destacou que, atualmente, 78% da ocupação dos leitos do Clériston Andrade está relacionada a acidentes envolvendo veículos e motocicletas. “Não vai ter hospital que dê jeito se a sociedade não se organizar para enfrentar essa situação”, afirmou.

O deputado lembrou que a unidade hospitalar ampliou significativamente sua estrutura nos últimos anos, passando de cerca de 90 para quase 370 leitos, além da expansão das UTIs, que saltaram de nove para 68 vagas, com previsão de ampliação para 80. Ainda assim, segundo ele, a demanda causada pelos acidentes continua sobrecarregando o sistema.

Durante a entrevista, Zé Neto ressaltou o papel da imprensa no debate público e afirmou que o enfrentamento da violência no trânsito também passa pelo combate à disseminação de informações falsas nas redes sociais.

O parlamentar disse defender medidas para identificação e responsabilização de pessoas que utilizam perfis falsos para disseminar conteúdos criminosos ou desinformação. “Quem fizer escondido precisa responder pelos atos. As falsas informações geram um ambiente de desordem e insegurança”, declarou.

O deputado também afirmou que pretende fortalecer a articulação entre órgãos de segurança pública e instituições da cidade. Segundo ele, foi feito um apelo ao Ministério Público para retomada do Conselho Integrado de Segurança Pública (CISP), reunindo forças policiais, município, Estado, imprensa e demais órgãos envolvidos na discussão da segurança e do trânsito.

Ao comentar sobre a necessidade de fiscalização mais rígida, Zé Neto defendeu equilíbrio entre repressão e diálogo com categorias como motociclistas e mototaxistas. Para ele, o enfrentamento do problema exige conscientização e participação coletiva. “É preciso respeitar os trabalhadores, mas principalmente respeitar a vida”, disse.

O parlamentar também relatou experiências pessoais marcantes envolvendo vítimas de acidentes de trânsito. Entre os casos citados, ele lembrou o drama de uma mãe que aguardava notícias da filha de 16 anos internada após um acidente de moto. “Essas histórias mostram que precisamos acolher os jovens, orientar e construir caminhos de mais paz no trânsito e menos violência”, afirmou.

Durante a coletiva, Zé Neto também relacionou o crescimento do uso de motocicletas à precariedade do transporte público em Feira de Santana. Segundo ele, o município possui atualmente um dos piores sistemas de transporte coletivo do país, o que acaba levando parte da população a buscar alternativas mais rápidas e acessíveis. “Muita gente compra moto porque não consegue depender do transporte público”, avaliou.

O deputado afirmou ainda que o debate sobre mobilidade urbana precisa avançar, incluindo discussões sobre melhorias estruturais no transporte coletivo da cidade.

Polícia Militar 

Coronel Müller - Foto: Boca de Forno News

O comandante do Comando de Policiamento da Região Leste, coronel Müller, afirmou que a violência no trânsito em Feira de Santana deixou de ser apenas uma questão de mobilidade urbana e passou a representar um grave problema de saúde pública e segurança. Durante coletiva realizada no Hospital Geral Clériston Andrade, o oficial destacou que o comportamento imprudente de condutores, especialmente motociclistas, tem sido um dos principais fatores responsáveis pelo elevado número de acidentes registrados na cidade.

Segundo o coronel, o trânsito deveria garantir deslocamento seguro e organizado para a população, mas a realidade atual demonstra um cenário de imprudência crescente nas vias urbanas. “O trânsito deve oportunizar que as pessoas saiam do ponto A para o ponto B com tranquilidade e segurança. O que temos visto é que muitos cidadãos, especialmente condutores de motocicletas, não têm colaborado para isso”, afirmou.

Müller destacou que a Polícia Militar tem observado constantemente práticas perigosas cometidas por motociclistas, como excesso de velocidade, manobras arriscadas e comportamentos que colocam em risco pedestres e demais condutores. “Boa parte dos motociclistas tem apresentado comportamento indesejado no trânsito, oferecendo risco iminente de acidentes”, declarou.

O comandante chamou atenção para o impacto direto dessas ocorrências na rede pública de saúde, principalmente no Hospital Geral Clériston Andrade, que atualmente possui cerca de 80% dos leitos ocupados por vítimas de acidentes de trânsito.

Para o oficial, os números demonstram a necessidade urgente de adoção de medidas mais efetivas de fiscalização e conscientização. “O acidente pode acontecer, mas aquilo que pode ser evitado precisa ser combatido”, ressaltou.

Durante a entrevista, o coronel informou que o efetivo da Polícia Militar na Região Leste conta atualmente com cerca de 1.800 policiais militares subordinados ao comando regional. Segundo ele, embora o trânsito não seja a atividade principal da corporação, a PM decidiu ampliar a atenção ao tema diante da gravidade da situação. “O trânsito é mais uma das atribuições da Polícia Militar e, diante da realidade que estamos enfrentando, vamos intensificar nossa atuação”, explicou.

Müller confirmou ainda que a corporação participará das operações de fiscalização nos distritos e comunidades rurais de Feira de Santana, em parceria com a Superintendência Municipal de Trânsito de Feira de Santana. As ações devem envolver todas as unidades subordinadas ao CPR-L, incluindo a Rondesp Leste e o pelotão especializado em trânsito instalado no bairro Asa Branca. “Todas as nossas unidades vão atuar também na fiscalização de trânsito”, afirmou.

O comandante também comentou sobre as operações de combate à poluição sonora promovidas pela Polícia Militar, especialmente por meio da Operação Paredão. Segundo ele, as ações buscam combater abusos relacionados ao uso excessivo de som automotivo, respeitando a legislação ambiental e de trânsito.

Müller reconheceu que muitas pessoas utilizam paredões como fonte de renda, mas defendeu que a atividade ocorra sem prejudicar a coletividade. “Você pode trabalhar e explorar sua atividade, mas isso não pode gerar prejuízo ao sossego e à ordem pública”, concluiu.

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