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Polícia Salvador

O que se sabe sobre a execução do policial militar Glauber dos Santos no Nordeste de Amaralina

O policial foi baleado com um tiro de fuzil na cabeça durante um confronto armado.

04/02/2026 08h01
Por: Karoliny Dias Fonte: BNews
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A morte do cabo da Polícia Militar Glauber Rosa dos Santos, de 42 anos, elevou novamente o nível de tensão no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, uma das áreas mais sensíveis do ponto de vista da segurança pública na capital baiana.

O policial foi baleado com um tiro de fuzil na cabeça durante um confronto armado na madrugada de terça-feira (3), não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois no Hospital Geral do Estado (HGE). A seguir, o que já foi apurado até o momento pelas autoridades e confirmado por fontes da segurança.

A madrugada que terminou em tragédia

O confronto ocorreu na entrada do bairro Vale das Pedrinhas, área que integra o Complexo do Nordeste de Amaralina. O cabo Glauber participava de uma incursão policial para averiguar movimentações de traficantes quando a guarnição foi recebida a tiros. Durante a troca de disparos, ele acabou sendo atingido na cabeça por um projétil de fuzil, calibre de uso restrito.

Gravemente ferido, o PM foi socorrido imediatamente e levado ao HGE, onde passou por procedimento cirúrgico. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu e teve a morte confirmada na manhã do mesmo dia.

Quem era o policial morto

Natural de Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, Glauber Rosa dos Santos ingressou na Polícia Militar em 2009 e estava lotado no 30º Batalhão, unidade responsável pelo policiamento no Nordeste de Amaralina. Com 17 anos de corporação, era considerado experiente na atuação em áreas de alta complexidade.

Fora da farda, também trabalhava como mecânico. Glauber deixa esposa e dois filhos: uma menina de 8 anos, que havia completado aniversário no dia anterior ao crime, e um menino de cerca de 4 anos. Colegas de trabalho relatam que ele era visto como um policial dedicado e discreto, com bom relacionamento dentro da tropa.

Área dominada pelo tráfico

As investigações iniciais apontam que a ocorrência envolveu traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV), facção criminosa que disputa e mantém o controle de pontos estratégicos no Vale das Pedrinhas e em outras localidades do complexo. A região é conhecida pelo histórico de confrontos armados, ataques a forças de segurança e dificuldades de acesso para viaturas.

Fontes policiais ouvidas reservadamente afirmam que o uso de armamento pesado, como fuzis, tem sido cada vez mais frequente na área, o que aumenta o risco em operações ostensivas e de incursão.

Reação imediata das forças de segurança

Logo após a confirmação da morte do cabo, a Polícia Militar deflagrou uma operação de grande porte no Complexo do Nordeste de Amaralina. Equipes da Rondesp Atlântico, do Batalhão de Policiamento de Ações Táticas Metropolitanas (BPATAMO) e do Grupamento Aéreo da PM (Graer) foram empregadas.

As ações resultaram em uma série de confrontos armados. Ao menos oito suspeitos morreram durante as operações — cinco deles chegaram a ser socorridos para o HGE, mas não sobreviveram. Em meio ao clima de insegurança, empresas de transporte público suspenderam temporariamente a circulação de ônibus em trechos da região.

O que diz a Polícia Civil

Nesta terça-feira (3), a Polícia Civil informou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu a investigação do caso. Equipes especializadas, com apoio de departamentos operacionais e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core), realizaram diligências em diversos pontos do bairro onde o crime ocorreu.

Depoimentos estão sendo colhidos, e informações de inteligência vêm sendo analisadas para identificar os autores do ataque e a dinâmica exata do confronto. Até a manhã desta quarta-feira (4), no entanto, não havia registro oficial de prisões relacionadas diretamente à morte do policial.

Pronunciamentos e repercussão política

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) lamentou publicamente a morte do cabo Glauber e afirmou que determinou o emprego de ações de inteligência para localizar e prender os responsáveis. Em nota, a Polícia Militar também manifestou pesar e destacou o histórico profissional do policial.

A morte gerou repercussão no meio político. O deputado estadual Diego Castro fez críticas à condução da política de segurança pública no estado, associando o caso ao avanço das facções criminosas em Salvador.

Investigação segue em curso

Apesar das operações e dos confrontos registrados após o crime, a autoria da execução do cabo Glauber Rosa dos Santos ainda não foi formalmente esclarecida. A linha principal de investigação segue voltada para integrantes do Comando Vermelho que atuam no Vale das Pedrinhas.

A Polícia Civil afirma que novas diligências estão previstas e que o trabalho segue em ritmo contínuo. Atualizações sobre prisões ou desdobramentos devem ser divulgadas pelas forças de segurança ou pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia nas próximas horas ou dias.

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